#4ThePlayers: Deuses, Monstros e Outros Que Tais


Depois das Memórias da PlayStation 4 e a retrospectiva aos jogos da Naughty Dog "O Cão Danado", resta-me uma viagem pelos jogos mais marcantes de toda esta geração. Momentos inesquecíveis, recheados de surpresas e, por vezes, alguma desilusão - afinal, também faz parte da história. Eis os exclusivos mais memoráveis que joguei na PS4!

Para quem já me conhece, não será grande surpresa que os grandes destaques sejam em torno de títulos épicos, aventuras para um jogador. Por muitas horas de diversão que tire em partidas multijogador, sejam cooperativas ou de grande competição, a longo prazo o que realmente me marca são aventuras que me fazem explorar todo um novo universo e acompanhar toda a jornada em questão. Se tivesse de escolher um multiplayer, porém, qual seria o meu favorito desta geração?


Perdi a conta às horas de diversão que tive, em conjunto com amigos, em alguns jogos da gama PlayLink - um sistema que permite aos videojogos interagir com dispositivos móveis, através de aplicações desenvolvidas para o efeito. O funcionamento é bastante simples, bastando pegar no telemóvel para se jogar. E se alguns deles, como Frantics ou Saber é Poder, são apenas divertidos "party games" para toda a família e amigos, a grande surpresa foi mesmo És Tu!, que põe à prova o quão bem se conhecem os jogadores.

Permitindo até seis jogadores em simultâneo, o jogo é sempre uma experiência hilariante para animar durante uma festa ou depois de uma jantarada... Infelizmente, agora em tempos de pandemia, parece algo tão distante...

É melhor voltar aos grandes exclusivos para um jogador. E já que deu para a nostalgia...


Dos criadores de ICO e Shadow of the Colossus, dois épicos marcantes da PS2, muita tinta correu até que o seu terceiro jogo chegasse ao mercado. The Last Guardian chegou finalmente à PlayStation 4, trazendo uma épica história sobre a improvável amizade entre uma criança e uma criatura, num jogo que tanto requer paciência, como aprendizagem e comunicação. Infelizmente, a jogabilidade não é a melhor para os dias de hoje, mas todo o ambiente, banda sonora e progressão da história... é bom ter uns lenços de papel à mão.

Já o remake de Shadow of the Colossus foi tudo e muito mais do que se poderia imaginar, recriando na perfeição o título original com os gráficos e jogabilidade ao nível desta geração, sem quebrar minimamente a envolvência daquele universo. Na altura, quase como que a gaguejar, descrevi-o como "Um jogo magnífico, deslumbrante e solitário, agridoce. Obrigatório". Não mudava uma única palavra.

Por curiosidade, foi também esta a primeira citação que o Meus Jogos teve numa campanha publicitária da PlayStation Portugal (Shadow of the Colossus | Tão grandioso como sempre), o que o tornou ainda mais especial!


Em contrapartida, se há um "épico" que nunca me conquistou, esse foi Horizon: Zero Dawn. Parece um exagero, olhando para o que tenho na coleção, mas se já nessa altura ele não me "agarrou", a sensação só se reforçou quando o joguei pela segunda vez, a propósito do seu lançamento para PC.

Tecnicamente, é um jogo realmente impressionante. Um mundo open world com um grande sistema de combate, que permite múltiplas técnicas e abordagens, para não falar nos extraordinários gráficos que, ainda hoje, estão entre o melhor que há na PS4. O desapego, porém, vem da aventura em si. Depois de jogos como The Witcher, ou até mesmo vários jogos da série Assassin's Creed, este acaba por se revelar um "open world" bastante banal com uma história superficial, cujo enredo está puramente em volta do seu "plot twist" a meio.

Isto não seria um problema caso o jogo o admitisse à partida, mas a todo o tempo tenta ser cinemático com diálogos monocórdicos, revelações previsíveis e toda uma reviravolta espremida até à última gota. Ao lado, na mesma plataforma, tanto os jogos desenvolvidos pela Naughty Dog como outros estúdios já tinham elevado as expectativas...

Caso pra dizer que aquele Kratos é mesmo a minha cara... XD

O mal está sempre nas expectativas, mas também é aí que se encontram as maiores surpresas. Foi assim que God of War me conquistou. Dado o contexto da série, nunca se esperaria que um "hack-and-slash" da mitologia grega pudesse, algum dia, continuar no contexto da mitologia viking, agora em jogo de aventura num mundo que, gradualmente, expande a liberdade de exploração!

O mais impressionante do jogo, além de toda a sua estética e o sistema de combate, foi mesmo a forma como desenvolveram a história entre pai e filho, humanizando o protagonista que até então era apenas uma máquina divina de morte e destruição. Além disso, a narrativa ganhou imenso com a decisão de fazerem do jogo uma experiência cinemática sem um único corte de câmara do princípio até ao fim, algo bastante diferente do habitual nos videojogos e que, por isso mesmo, forçou a algumas "batotas" até mesmo no conceito de "fast travel" por causa de limitações tecnológicas.

Como será a sequela na PlayStation 5?


Muito mais próximo da resposta a essa questão está o Marvel's Spider-Man, que está prestes a receber tanto a continuação Miles Morales para a PS4, como ambas irão tirar partido das novidades da próxima geração.

Como fã deste herói aranhiço desde pequeno, nunca fiquei muito impressionado com as suas versões no cinema, exceptuando o mais recente do "Marvel Cinematic Universe" que, ainda assim, foge bastante ao tradicional. Tudo isso mudou com o filme Spider-Man: Into the Spider-Verse, mas isso seria toda uma outra conversa para outro dia. A verdade é que este videojogo, com um título tão simples como apenas o nome do herói, conseguiu não ser uma "origin story" e pegar num protagonista já experiente, com todo um background já estabelecido, focando também nos seus problemas pessoais.


Em conjunto com os títulos já referidos da Naughty Dog, com as séries completas de Uncharted e The Last of Us disponíveis na PlayStation 4, olhando para trás o catálogo da consola consegue ser realmente extraordinário em termos de exclusivos. Isto, especialmente, no que diz respeito a aventuras para um jogador, num tempo em que muitos parecem achar que só as experiências multijogador serão minimamente rentáveis.

Mas se todas as expectativas diriam que o excelente The Last of Us Part II seria, tal como o anterior na PS3, o "canto do cisne" da PlayStation 4...


Ghost of Tsushima foi a surpresa final. É difícil falar de experiências "memoráveis" quando são ainda tão recentes, especialmente algo que chegou pouco depois de um jogo tão marcante como o anteriormente referido. Mas aqui está, um jogo que superou todas as expectativas e que não posso deixar de comparar ao tão popular Horizon: Zero Dawn mesmo trantando-se de dois universos completamente distintos, um de pura ficção científica e outro inspirado na história do Japão.

O que à partida parecia ser só mais um "open world", revelou-se desde o primeiro momento como algo profundamente envolvente, criado com toda uma dedicação que facilmente agarra qualquer jogador. Um mundo recheado de alma, no qual até o mais comum dos habitantes das aldeias tem algo relevante a dizer, onde as side-quests conseguem ser tão profundas como a história principal. Tudo isto, com um estilo artístico que homenageia grandes clássicos do cinema japonês, num verdadeiro tributo vindo da Sucker Punch Productions.



Com a eminente chegada da PlayStation 5, este pode ser o fim de um ciclo para a PlayStation 4. No entanto com um catálogo tão impressionante tanto em termos de exclusivos first-party como na imensidão de conteúdos third-party de grande qualidade, é caso para dizer que esta tem ainda muito para dar!

Uma consola que fez, sem qualquer dúvida, justiça ao seu slogan:
This is for the Players!
#4ThePlayers: Deuses, Monstros e Outros Que Tais #4ThePlayers: Deuses, Monstros e Outros Que Tais Reviewed by Telmo Couto on 09:00 Rating: 5

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