Resident Evil Village Gold Edition (Nintendo Switch 2)


Depois do sucesso e regresso ao verdadeiro terror, com Resident Evil 7 biohazard, a série deu continuação à história de Ethan Winters com um novo capítulo e a oitava entrada naquele que é o survival horror de renome, com Resident Evil Village. O cenário muda, a premissa também, mas todo o drama e ambiente bizarro que Ethan parece atrair mantêm-se bem fiéis numa nova aventura pelo horror e macabro.


Um jogo que chega agora às consolas da Nintendo de forma nativa (nada de versões via cloud), acompanhando Resident Evil 7 biohazard Gold Edition, cuja análise a essa versão também já está disponível, juntamente com o muito aguardado Resident Evil Requiem que, se for tão capaz como os outros dois jogos na híbrida da Nintendo, a coisa promete. O lançamento de Resident Evil Village Gold Edition na Nintendo Switch 2, uma versão definitiva do jogo de 2021 que nos levou aos cenários naturais algures na Europa de Leste, sem dizer concretamente onde, possivelmente na Roménia devido a toda a inspiração que o jogo teve, entre locais e habitantes.

Resident Evil Village mantém, em muito, o espírito de suspense e horror clássico do jogo anterior, agora com uma vertente um pouco mais de ação, aproximando-o mais ao estilo de jogo original da série, sendo em simultâneo, fiel à aventura de Ethan no Luisiana. Em vez de estranhos e grotescos monstros, este novo capítulo conta com um duo de criaturas do horror tradicional, com lobisomens e vampiros, ambos muito ao estilo Resident Evil que definiu muito o género survival horror, contudo. O jogo também se aproximou um pouco mais ao estilo que já conhecíamos da série, com a reintrodução da câmara third-person adicionada posteriormente no lançamento original, presente desde o início nesta Gold Edition.


Mas, tudo isto são coisas que já puderam acompanhar em 2021. Aqui o foco é o seu lançamento na Nintendo Switch 2 e de que modo se porta na consola híbrida, tal como o que lancei sobre Resident Evil 7 biohazard Gold Edition. À semelhança desse, o Resident Evil Village Gold Edition porta-se lindamente na consola, quer na dock, quer em modo portátil, mantendo-se sempre fiel ao jogo original, sempre fluído a atingir os 60 frames por segundo. Se senti uma ou outra quebra de fluidez, foram em ambientes mais amplos e em nada arruinaram a minha experiência com o jogo, pois foram momentos breves, ou pelo menos assim pareceram. Coisas que já havia sentido quando o joguei originalmente, na PlayStation 4, mas agora em menor quantidade e com menos impacto.

O que continua impressionante é a qualidade de imagem, detalhada, das personagens ao ambiente, das texturas aos efeitos de luz, tudo o que é explosão em sangue e não só, dos ataques viscerais aos momentos gore, dignos de um filme de terror dos anos 90. Estranhamente foi como voltar a casa, ao jogo que havia jogado em 2021, que embora conhecesse os cantos à casa continuei a ser apanhado desprevenido por várias vezes. Foi diferente, pois quando o joguei perto do seu lançamento o foco ainda era a experiência na câmara first-person, que não desgostava, mas ainda assim não abracei por completo. Agora tinha logo à minha disposição a opção de jogar em third-person, que pessoalmente melhorou muito a minha experiência com o jogo.



É uma das adições que compõem a Gold Edition, que dão nome ao jogo. Aqui encontram não só o jogo original como vários modos extra, adicionados posteriormente, como adições ao modo The Mercenaries, este que apareceu aqui e acolá em jogos da série, cujo foco é na ação desenfreada. A história expande-se com o capítulo adicional Shadows of Rose, que acrescenta bastante ao jogo e à série como um todo, desenvolvendo principalmente um pouco mais as personagens, e experimentando ainda algumas coisas… curiosas. Apesar de ter também o vínculo de edição definitiva, não tem tantas coisas diferentes como o jogo anterior teve, apesar que o capítulo adicional tenha umas boas horas de conteúdo!

De volta ao desempenho conseguido pelo jogo, o RE Engine, motor que suporta tudo isto e que já deu provas que é capaz de muito, tudo está detalhado, dos cenários mais amplos aos pequenos pormenores e detalhes que encontramos em ambientes fechados, ou até mesmo às personagens com quem interagimos. Todos os visuais estão tal e qual como esperamos do jogo noutras plataformas, sem grandes compromissos ou sacrifícios aparentes, resultando numa excelente experiência na Nintendo Switch 2, seja em que modo jogarmos. Tal como Resident Evil 7 biohazard fiquei particularmente impressionado com o que a Capcom trouxe, apesar de ser um jogo construído para a geração anterior um push para a atual, não deixa de impressionar.


Tudo coisas que me deixam otimista para o lançamento de Resident Evil Requiem, Pragmata e outros jogos que usem o RE Engine e saiam também para a híbrida da Nintendo, acompanhando o lançamento das restantes versões como deve ser. Todo o bom trabalho neste port contribui para que a experiência com o jogo seja a melhor possível na Nintendo Switch 2, jogo este que vive dos pormenores do cenário, dos detalhes do que nos rodeia sempre que, desesperadamente, procuramos por valiosos itens enquanto tentamos fugir com vida.

Pois, tudo está vivo, bem vivo, sendo um grande ponto de referência do que é capaz de ser feito numa consola que nos cabe dentro de uma bolsa pequena (é portátil, mas calma, que não cabe num típico bolso). A Capcom com o RE Engine conseguiu aqui demonstrar que há potencial para lançar jogos assim na Nintendo Switch 2, deixando-me curioso se, algum dia, lançarão também os Resident Evil 2, 3 e 4, que tanto sentido fazem estar também agora presentes na consola, o que faz com que ela tenha disponível praticamente a série toda, ficando spin-offs de fora e o muito desejado Code Veronica. Deixa-me também muito otimista para Resident Evil Requiem, cujo lançamento acompanha este, que já havia ficado bem impressionado com o que o jogo é capaz, quando o experimentei recentemente.


Do ambiente gore e violento do exterior, aos momentos de cortar a respiração assim que entramos na imponente mansão da icónica condessa, famosamente conhecida como Lady Dimitrescu, este jogo transpira survival horror por todos os poros possíveis, do ambiente ao constante sentimento de insegurança, onde estamos sempre a ser perseguidos por tudo o que nos quer matar. Sozinha, Lady Dimitrescu já impõe respeito devido ao seu tamanho e força, mas ela encontra-se bem acompanhada por um conjunto de personagens que não poupa meios para nos matar. É um jogo bem grotesco, mas com alguma classe e até mesmo requinte que não tivemos no capítulo anterior e, apesar disso, Resident Evil Village não poupa quando tem de ser visceral.

É do grotesco que aprecio, muito digno dos filmes que via quando mais novo que não eram bem terror, mas sim gore, onde tudo era visceral e nojento, das brilhantes tripas a sair corpo fora. Nada poupa Ethan, dos primeiros momentos em que somos colocados à nossa sorte, com brutamontes que nos mordem, cortam vivos ou matam-nos à marretada, resultando geralmente num festival de sangue. Podemos ser transformados em carne picada, esmagados vivos, há mortes bem mais originais que deixo à curiosidade, caso ainda não o tenham jogado, que neste jogo parece que foram bem originais (e criativos) nas causas de morte.


(trailer de lançamento de Resident Evil Village, em 2021)

Recomendo muito Resident Evil Village Gold Edition, tal como recomendo Resident Evil 7 biohazard Gold Edition, na Nintendo Switch 2. Se nunca o jogaram, porque passou despercebido, porque não estavam fãs da perspetiva first-person, podem avançar como eu e jogar logo em third-person, se assim preferirem, para talvez sentirem um melhor regresso à série! Enquanto que originalmente senti faltar ali alguma coisa, jogando-o agora novamente com esta perspetiva gostei bem mais, honestamente, pois não se perdeu a sensação de ambiente promovida pelo jogo. Terminando, após me debruçar neste lançamento fiquei só a pensar se este relançamento destes Resident Evil na Nintendo Switch 2, não seria a oportunidade perfeita de explorar um modo third-person, como novidade para Resident Evil 7 biohazard Gold Edition.

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Ecoplay.

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