Resident Evil 7 biohazard Gold Edition (Nintendo Switch 2)


O ano de 2017 foi um grande ano para os fãs de Resident Evil, embora num formato que talvez não estivéssemos à espera! Depois de um quinto capítulo com foco na ação e jogabilidade cooperativa, e um sexto capítulo que… bem, muitos preferem não se lembrar dele, a direção da série experimentava algo novo, diferente, mas que capturava a tensão e o sentimento survival horror dos originais. Uma aventura que está prestes a fazer dez anos… que hoje trago por um motivo simples: o seu lançamento na Nintendo Switch 2!


Resident Evil 7 biohazard lançou um duo de jogos protagonizados por Ethan, que continuou a sua aventura pelo horror em Resident Evil Village, que podem ler a análise para a Nintendo Switch 2 também aqui. Uma personagem bizarra, capaz de recolocar membros cortados como se nada fosse (há um motivo, mas joguem e descubram o porquê), mas foi-me curioso voltar a este jogo, sabendo que o próximo capítulo está mesmo aí a chegar!

Sendo esta uma semana particularmente especial para os fãs daquele que é das séries mais famosas de sempre, a mais icónica no mundo dos survival horror, muito por causa do lançamento de Resident Evil Requiem, a Capcom aproveitou o lance e trouxe também Resident Evil 7 biohazard na sua forma Gold Edition, trazendo consigo tudo o que foram atualizações de conteúdos adicionais lançados posteriormente, que aprofundou muito o jogo, a par de “minigames” curiosos que aliviam bem a tensão do jogo. É a versão definitiva, que chega agora às consolas Nintendo de forma nativa e, também, que explora o potencial do RE Engine, motor de jogo que é o ADN do mesmo.


Para quem ainda não jogou este Resident Evil, aqui acompanhamos a primeira aventura de Ethan Winters que parte para o desconhecido em Luisiana, nos Estados Unidos da América, atrás do paradeiro da sua mulher Mia, sequestrada pela bizarra família Baker. O que espera Ethan é todo um mundo grotesco, estranhíssimo, que embora aparente ser completamente desconectado do resto da série, é bem ligada a ela. Preso numa casa cheia de horrores, constantemente perseguido por Jack Baker, este que desafia a morte graças a uma dádiva, o nosso protagonista lá tenta sobreviver, tentando salvar a sua pele e não só.

É um jogo tenso, bem tenso, onde nunca estamos seguros nem quando consultamos o mapa para procurar o caminho para tentar escapar do horror que a casa (e não só) nos traz. Fora os sítios onde podemos guardar itens e gravar, onde podemos respirar um pouco. Apesar de ser uma experiência verdadeira de survival horror, que recomendo vivamente, senti que fugia muito ao que a série havia-me habituado, o que fez com que não gostasse tanto do jogo como ele merecia. Ainda assim, prefiro de longe este estilo de jogo quando comparado com os jogos mais focados na ação, como os dois capítulos que o precedem, que não pareciam pertencer à série por outros motivos.

Foi um jogo que adorei explorar no PlayStation VR, que apesar dos compromissos visuais trouxe-me uma experiência única que recomendo vivamente. Mas, como se porta ele na Nintendo Switch 2? De forma muito resumida extremamente bem, impressionante até, seja ligado à TV ou em modo portátil, estando em tudo idêntico às restantes edições, visualmente detalhado e sempre fluído, onde podem apontar para os típicos 60 frames por segundo, em ambos os modos de jogar. Se houve um ou outro soluço na fluidez foram escassos momentos, sem quaisquer impactos na minha experiência de jogo.


Dos detalhes das personagens e os seus constantes close-ups, geralmente acompanhados por jumpscares mesmo na nossa cara, aos mais ínfimos pormenores dos cenários que tantas vezes observei à procura de itens, que não me lembrava exatamente onde estavam, tudo, mas tudo está bem conseguido na híbrida da Nintendo. Comparando com o que havia jogado, visualmente está muito superior, mas isso é porque no PlayStation VR haviam sido feitos muitos compromissos visuais. Se procuram um termo comparativo, esta versão está ao nível do que encontram na PlayStation 5 e Xbox Series X, das texturas aos efeitos de luz, a tudo o que é partícula e pequenos detalhes muito procurados por quem está mais atento aos aspetos técnicos dos jogos.

E, sim, continua tão grotesco e gore como me lembro, e que me lembro de adorar! Tem um certo quê de filme de terror Série B onde tudo é exagerado, onde os cenários parecem ganhar vida do quão nojentos, viscosos e brilhantes estão, nas explosões de carne e sangue muitas vezes acompanhadas por fogo e outros efeitos. Mesmo as vezes em que Ethan ficava com partes do corpo cortadas, laceradas, como vemos logo no início quando tem um encontro demasiado próximo com uma motosserra, em que a nossa fiel pistola parecia ser pouca defesa. Nada foi aqui comprometido, e podem encontrar uma experiência tal e qual horrenda como a que conheciam, noutras plataformas.


Dei por mim a alternar constantemente entre o modo docked e portátil, aquela coisa “mágica” que em 2017 surgia como uma novidade, hoje dada como garantida. Ano em que via o lançamento deste Resident Evil que me encontro, agora, novamente a jogar. E como havia dito é mesmo uma edição definitiva, onde têm o pacote completo sem precisarem de gastar mais em DLCs e assim. E, sim, foi um par de dias curiosos a jogar na TV, para pouco depois me enfiar na cama às escuras a jogá-lo com headphones para que não me escapasse nada, transformando-se numa experiência com um misto de tensão provocado pelo ambiente do jogo, e o conforto dos meus lençóis.

E, acreditem, era um jogo que pensei que não fosse jogar tanto em modo portátil por estar habituado aos típicos compromissos visuais que surgem neste modo, que me levam a optar por jogar na TV, mas aqui o jogo apresenta-se igual seja em modo escolherem para jogar. Talvez a única coisa que aponte é que jogar algo na primeira pessoa, onde era constantemente perseguido por Jack Baker, não seja tão confortável de experienciar em modo portátil, pois na TV com um comando nas mãos era melhor. Isso e também este é um jogo que merece um grande ecrã, para verem o quão detalhado ele se apresenta na Nintendo Switch 2, e fica mais fácil reparar em tudo o que são itens escondidos pelo cenário.

Certo que se trata de um jogo com quase uma década, lançado para a última geração, mas ver o grande trabalho de otimização aqui presente mostrou-me que a Capcom tem aqui um excelente motor para trazer mais dos seus jogos, com um RE Engine que parece ter encontrado uma boa casa na Nintendo Switch 2. Aqui mostram potencial para ambos Resident Evil Requiem como Pragmata, ambos jogos novos que serão lançados para todas as plataformas em simultâneo, em que fiquei bastante impressionado com o que vi, quando os experimentei recentemente.


(trailer de lançamento de Resident Evil 7 biohazard, em 2017)

Se porventura nunca jogaram Resident Evil 7 biohazard, talvez este seja o vosso ponto de partida para abraçarem o horror provocado por este jogo, com a flexibilidade de poderem alternar entre o modo TV e o modo portátil, de forma nativa, de que a Nintendo Switch 2 usufrui. À semelhança do que aconteceu com Resident Evil Village também na consola, não tenham receios de compromissos que possam existir no jogo: para medos, já temos as bizarras personagens que habitam na casa dos Baker!

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Ecoplay.

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