Horses
Desenvolvido pelo estúdio italiano Santa Ragione, HORSES não chegou ao mercado de forma tranquila. O seu percurso até ao lançamento foi marcado por muitas controvérsias. Durante o processo de submissão na Steam este jogo foi rejeitado de forma permanente sem explicação clara por parte da plataforma e a este revés somou-se uma nova rejeição, a da Epic Games Store que retirou o título da sua loja 24 horas antes do lançamento oficial, citando preocupações com conteúdo que continha.
Então, mas será tudo isto justificado? Vamos ver!
Em HORSES, somos Anselmo, um estudante que decide passar o verão trabalhando numa quinta isolada, aparentemente pacífica e banal. O que começa como uma sequência de tarefas agrícolas rotineiras que vão desde alimentar animais, fazer variadas tarefas do campo e cumprir os horários estipulados pelo fazendeiro rapidamente tudo se transforma numa experiência perturbadora onde nada é o que parece.
Eu sei o que vocês estão a pensar neste momento. Vem aí um freak show de todo o tamanho... e têm razão!
Os cavalos não são bem cavalos, o cão que guarda a quinta também não é bem um cão. São seres humanos com cabeças de animais enfiadas que foram capturadas devido às suas "profanidades", sejam elas quais forem. É nesta fazenda que são domadas, reformatadas e castigadas.
Vou-me refugiar na questão dos spoilers para não ter que enumerar o que é mostrado, mas obviamente que existe conteúdo muito sexualizado, explicito quanto baste e com gore pelo meio. Não é bonito, ainda assim, lá por uma coisa ser feia não quer dizer que ela tenha de ser impedida de ser vista. Certo que num mundo em que aparentemente são os senhores dos cartões de credito que tem poder discricionário, todo o cuidado é pouco, mas, ainda assim, a decisão parece-me um pouco exagerada.
A complexidade da temática da história faz com que as mecânicas de HORSES tendam a ser um pouco mais simplistas. Cuidar dos “cavalos”, alimentá-los, guiá-los pelo terreno e aprender a ler os seus comportamentos, cuidar da terra, dar comida ao “cão” e ir repetindo estes padrões de uma maneira diária numa tentativa do estúdio normalizar um pouco uma situação que claramente não dá para normalizar. Basicamente "WASD" mais o botão do rato e em pouco mais teclas temos de carregar.
Visualmente HORSES não vai ganhar prémios pela sua componente técnica, no entanto, há que dar crédito à direção artística. A atmosfera melancólica é coerente com o tom da narrativa, a história é sombria e o elemento visual não poderia de todo destoar disso mesmo. Tudo é cinza, preto ou branco, nada aqui nesta história nos remete a outro tipo de tonalidades a não ser essas.
Uma das grandes falhas deste jogo revela o quão "indie" ele é, pois os movimentos de todas as personagens têm uma natureza muito amadora. Talvez isso tenha sido a maior força motivadora que levou o estúdio a substituir muitas das animações por FMV (Full Motion Video) que substituem ações tais como; comer, encher regadores com água, etc. Opção mui sui generis, mas que dá uma (ainda maior!) vibe fora da caixa ao jogo.
O som é um dos elementos mais bem conseguidos do jogo na minha opinião. A banda sonora é quase inexistente em muitos momentos e deixa espaço para os sons do ambiente que nos rodeia e aos silêncios que por vezes se tornam audíveis.
Embora esta ausência de música cause estranheza num primeiro momento ela acaba por se tornar uma das maiores forças do jogo, pois tudo aquilo que acontece nas duas horas que o jogo demora a ser terminado não necessita de grande acompanhamento auditivo para criar mais impacto, o choque sensorial já é bastante forte visualmente.
Horses saiu (para todos os efeitos) no dia 2 de dezembro de 2025 para PC. Foi banido da Steam e da Epic Store e está neste momento à venda na GOG, Humble Store e no próprio site do estúdio.
Nota: Análise efetuada com base no código final do jogo para PC, adquirido pelo autor do artigo.






