Azul


Artigo por César Mendes.  

Quem nunca pensou em criança em ser um artista de azulejos e construir lindíssimos murais que ficam para a história? Não? Bem, de qualquer forma têm a oportunidade de experimentar um pouco esta profissão através do jogo premiado pelo conceituado Spiel des Jahres em 2018, Azul

Numa das suas visitas a Espanha em 1498, o Rei D. Manuel I ficou maravilhado com a beleza dos Azulejos num dos palácios, tendo ordenado a imediata utilização destes num dos seus Palácios. Aqui, o jogador entra no papel de um artista que é desafiado a embelezar as paredes do Palácio Real de Évora.

Azul é um jogo abstrato e familiar para 2-4 jogadores recomendado para 8+ anos e que se joga em 30m-45m, sendo desenvolvido pelo Michael Kiesling e com arte de Philippe Guérin e Chris Quilliams. Foi originalmente publicado em 2017 pela Next Move Games e Plan B Games, sendo mais tarde a versão em Português publicada pela Divercentro.

Este jogo utiliza mecânicas como Drafting, Tile Placement e Pattern Building, onde os jogadores vão à vez retirar azulejos das fábricas de forma a ter o suficiente para que no final de cada ronda os possam colocar no seu mural. No fim do jogo todos os jogadores vão admirar o seu belo mural de azulejos e contar os pontos. Como é normal, quem tiver mais pontos ganha o jogo.

 
Como se Joga

Cada jogador irá ter à sua frente um tabuleiro com alguma informação, mas interessam principalmente as duas zonas onde irá colocar os seus azulejos, vamos chamar a do lado esquerdo de transporte, e do lado direito, o nosso mural. No meio, iremos ter um conjunto de tiles (não, não são bases para copos. Podiam ser…, mas não são 😊) que representam as fábricas que criam os azulejos, onde iremos ter sempre 4 azulejos em cada fábrica no início de cada ronda.

O jogo desenrola-se durante várias rondas até um jogador ter preenchido uma linha completa com azulejos no mural (quadro do lado direito do tabuleiro do jogador). Nesta altura, os jogadores terminam a ronda e os pontos de fim de jogo.

Uma ronda consiste em 3 fases:
  1. Aquisição de azulejos das fábricas
  2. Colocação dos azulejos no mural
  3. Preparação da próxima ronda
Na primeira fase, os jogadores vão à vez retirar azulejos de uma das fábricas no centro da mesa, onde são obrigados a retirar todos os azulejos da mesma cor, e colocam-nos numa das linhas da zona de transporte. O objetivo aqui é colocar o máximo número de azulejos nessa linha para que esta fique preenchida, e possamos colocar esse azulejo no nosso mural. Não podemos colocar azulejos numa linha em que essa cor já esteja preenchida, e todo o excesso de azulejos que tenhamos retirado da fábrica irá contar como pontos negativos no final da ronda.
 

Os azulejos que sobraram na fábrica são colocados no meio do círculo criado pelos tiles das fábricas, onde poderemos encontrar um azulejo branco. Os jogadores também podem retirar azulejos desta zona central (sempre todos os azulejos existentes da mesma cor), sendo que o primeiro jogador que o fizer leva o azulejo branco, que contará como um ponto negativo no final da ronda, mas como compensação, este jogador será o primeiro a jogar na próxima ronda.

A segunda fase começa quando todos os azulejos foram retirados das fábricas e da zona central. Nesta fase, os jogadores vão mover um azulejo da zona de transporte (apenas das linhas totalmente preenchidas) para o seu mural e fazer uma contagem de pontos, descartando os restantes azulejos. 
 

Após a contagem de pontos, e caso ninguém tenha preenchido uma linha no mural, começamos a terceira fase, preparando a próxima ronda, colocando novos azulejos nas fábricas. O novo primeiro jogador (o que levou o azulejo branco) começa a nova ronda.

Contagem de pontos final

Ao terminar o jogo, os jogadores vão somar mais 2 pontos por cada linha completa, mais 7 pontos por cada coluna completa e mais 10 pontos por cada conjunto de 5 azulejos da mesma cor.

Quem tiver mais pontos ganha! E agora podemos todos admirar os nossos belos murais de azulejo. 😊

Variantes de jogo

Cada tabuleiro do jogador tem dois lados, um em que o mural está preenchido com cores, e outro que não tem qualquer cor. O segundo mural é ligeiramente mais complicado, pois o jogador tem que ter em atenção que nenhuma cor pode ser repetida na mesma linha e na mesma coluna (tipo Sudoku mas com cores).
 

Opiniões finais

Como opinião final irei basear-me no sistema D.I.C.E., onde irei tocar os tópicos de Dinâmica, Inovação, Continuidade e Entretenimento.

Dinâmica
Azul é um jogo extremamente rápido e com grande interatividade entre jogadores, pois muito facilmente alguém leva o azulejo que tu querias levar para terminar aquela linha. Ao inicio é tudo bonito e ninguém se “atropela”, mas a meio do jogo começamos a perceber que o mural é bastante restrito e que sacrifícios vão ter que ser feitos, seja a levar o ponto negativo do primeiro jogador, seja a levar mais azulejos do que os que precisamos, ou mesmo porque outro jogador levou o(s) azulejo(s) que realmente precisavas.

Temos de estar atentos ao que os outros jogadores estão a fazer, seja para não começar uma linha de transporte que irá fazer com que entre em disputa com outro jogador, seja para levar o azulejo que o outro jogador precisa (eu nunca fiz isto OK? 😊).

O único ponto negativo que posso dizer relativamente ao Azul é a contagem dos pontos, que inicialmente pode ser um bocado “rabiscada” e difícil de perceber, fazendo com que quem aprendeu o jogo esteja durante alguns jogos a ajudar os outros a contar os pontos no final de cada ronda.

Inovação
Eu não gosto muito de jogos abstratos, mas o Azul conseguiu atrair-me com a sua simplicidade, rapidez e complexidade. Sim, o jogo é simples, mas normalmente torna-se num puzzle bastante interessante que nos leva a querer jogar novamente. Raramente joguei este jogo apenas uma vez e todos na mesa querem jogar pelo menos mais um jogo.

Não me lembro de ver um jogo com estas mecânicas, sendo estas bastantes fluidas e interligadas entre si, tornando o Azul um merecedor vencedor dos diversos prémios que ganhou ao longo destes anos e uma excelente adição a qualquer coleção.

Continuidade
Como referi anteriormente, o jogo base tem duas variantes, uma em que o mural tem as cores previamente preenchidas (recomendado para os primeiros jogos) e outra em que o mural não tem a indicação de cores.

Não se vão fartar do jogo tão cedo apenas com a primeira variante, sendo que a segunda dá uma nova dimensão ao jogo, pois além do puzzle de ir buscar os azulejos, temos que nos preocupar onde iremos colocar os azulejos, pois cada linha e coluna apenas pode ter uma cor, o que faz com os amantes do Sudoku delirem com esta variante 😊

Além destes tabuleiros existe uma expansão chamada Azul: Crystal Mosaic que nos dá mais duas variantes bastante interessantes. Posso falar noutro dia sobre esta expansão caso tenham interesse nisso.

Entretenimento
Não se vão rir à gargalhada com o Azul, mas vão ter uma enorme satisfação ao contar os pontos e verem as pecinhas do vosso plano interligarem-se, originando numa boa quantidade de pontos. Vão ter muitos momentos em que alguém vai dizer “Epá vais levar esses? Já me entalaste!”, em que nesse momento esta pessoa leva as mãos à cabeça para refazer o plano para o seu puzzle que tu acabaste de estragar.

Não vás jogar Azul pensando que irás ter uma experiência temática, ou que irás ter um jogo com grande estratégia, este não é objetivo do jogo. Mas tenho a certeza de que se queres ter um jogo abstrato na tua coleção, este será das melhores escolhas (se não a melhor). Se gostares de jogos abstratos, este é obrigatório de ter na coleção, principalmente se jogares com “não gamers”, mas mesmo quem gosta de jogos temáticos (chamados Ameritrash) ou estratégicos (chamados de Eurogames) vai gostar deste jogo, por ser um jogo muito bem desenvolvido e de onde vais tirar bons momentos.

Já tenho o Azul há algum tempo e é um favorito cá de casa, mas estas férias foi o jogo sensação sendo jogado praticamente todos os dias, e ainda agora é pedido para ser jogado.

Azul será um clássico, e estará por cá durante muito tempo, mesmo tendo muitos outros jogos que derivaram da mecânica base deste, mas digo-vos que o Azul original é até hoje o nosso favorito.


Azul Azul Reviewed by DICE Cultural on 10:00 Rating: 5

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