Resident Evil Requiem (Nintendo Switch 2)


Resident Evil é, sem sombra de dúvidas, sinónimo de survival horror. Assim o é há 30 anos desde que o primeiro jogo foi lançado, levando tudo e todos a explorar a tenebrosa Spencer Mansion, enfrentando zombies entre outras criaturas assustadoras, enquanto tentamos sobreviver. Uma demanda com, ainda, um grande foco em vários enigmas a resolver para progredir, algo que com o lançamento de novos jogos acabou por ter menos impacto quando comparado com a ação constante.


São três décadas de personagens memoráveis, muitas que se foram juntando ao elenco, que vão sendo referidas aqui e acolá mesmo que não estejam presentes nos jogos. Uma série que me é importante, mas que nas suas últimas entradas tenho andado algo desconsolado. O sexto capítulo prefiro ignorar, Resident Evil 7 biohazard foi um regresso em grande, mas senti falta de várias coisas familiares na série, jogo que continuou os eventos em Resident Evil Village, este com um foco mais na ação, embora algo mais familiar para mim, como série.

Celebrei o anúncio de Resident Evil Requiem, embora cauteloso, pois queria ver o rumo que a série seguiria neste jogo, ao introduzir uma nova personagem: Grace Ashcroft. Logo aqui surgiu a grande questão sobre quem seria ela, sendo que o nome de família era a chave para ligá-la à série, devido à sua mãe Alyssa do curioso spin-off Resident Evil Outbreak, um jogo que provavelmente poderia funcionar bem nos dias de hoje, mas adiante. Uma pequena referência, que seria o gatilho para todo um conjunto de eventos deste nono capítulo. A minha reação ao anúncio foi reticente, mas entre notícias e informações ficava cada vez mais hyped, principalmente ao revelarem Leon S. Kennedy, tal como as referências Raccoon City, berço de onde tudo começou, mas não o ponto de partida para o jogo.


Resident Evil Requiem começa com uma simples investigação de Grace a um hotel abandonado, este que lhe é importante ao nível pessoal, e longe de Raccoon City. Mas, voltemos um pouco atrás: antes de começar a ação, podemos escolher se queremos jogar na primeira ou na terceira pessoa, configurado por personagem. Optei por jogar sempre com a típica câmara atrás da personagem, e acreditem, não tive quaisquer problemas a estar imerso no jogo com Grace, apesar de ser recomendado jogar com ela com a visão em primeira pessoa (para ser mais imersivo, dizem). Logo no arranque da aventura a soturna cidade, sentindo-me “em casa” a jogar assim, algo que senti falta nas duas últimas entradas na série, embora Resident Evil Village tenha introduzido esta câmara posteriormente, mas não no início quando o joguei pela primeira vez.

É ao entrar no hotel, e investigá-lo, que pensei “sim, isto é Resident Evil”, pois logo aqui andamos a explorar todos os cantos, com um ou outro enigma que, resolvendo, nos deixa prosseguir com a história, tal e qual como nos clássicos jogos da série. Não é preciso muito tempo para o jogo mudar o foco para Leon, com uma cena de ação logo no início que, embora quebra o ritmo inicial, traz alguma surpresa e faz com que não fosse monótono. Se há algo de realçar neste jogo é que as transições entre jogar como Grace e Leon são constantes, e encaixam tão perfeitamente no fluxo do jogo, à medida que os diferentes pontos de vista desenvolvem a história! E, apesar que Grace tenha um estilo de jogo mais de sobrevivência, e Leon de ação, ambos têm as duas experiências nas suas respetivas partes.


Ainda são alguns locais a explorar, que não entro em detalhe, pois quero guardar-vos essa surpresa, mas se acompanham a série desde o início vão ficar com um sorriso rasgado em vários momentos, dos cenários à própria banda sonora que nos acompanha, entre os gritos constantes que os zombies lançam, tal como outras criaturas. Gostei muito de como trataram os zombies em Resident Evil Requiem, mais ao estilo grotesco e de criaturas conscientes (com falas normais até) como já tivemos em jogos anteriores, onde aqui temos de analisar bem os seus comportamentos e usá-los ao nosso favor. Ou, simplesmente, entramos a matar, se bem que os recursos de Grace não são assim tantos, por isso rapidamente ficamos sem munições e encontramos a morte certa.

Repito: senti-me em casa, senti mesmo que estava a jogar um Resident Evil como a série me habituou, apesar do seu estilo que aproveita muito, e muito bem os elementos de jogos mais recentes! Cada cenário levou-me a explorar os seus cantos, a andar para a frente e para trás a descobrir novas coisas, e novos caminhos, enquanto lutava pela sobrevivência, embora que mais perto do final o jogo se torna mais linear, sem tantos puzzles e com foco no seu fim. E sobrevivi, muito, fui esquivo quando precisei e usei todos os truques possíveis para levar a melhor, entre mecânicas de crafting de itens e compra dos mesmos, que… apesar do quão bizarro ambos os casos são, encaixam muito bem no espírito do jogo.


Bem, até agora tenho falado do jogo em si, mas tudo isto foi feito com base na versão da Nintendo Switch 2, lançada a par das restantes plataformas, e tenho de apontar: que port incrível! Toda a aventura está incrivelmente detalhada, como podem ver nas imagens que têm aqui, em muito semelhante ao que encontram noutras plataformas, com alguns compromissos. Sim, os cabelos de Grace não estão tão detalhados quando comparando com uma PlayStation 5 ou na Xbox Series X, nem temos as resoluções altas típicas de hoje em dia, mas regra geral todo o jogo encontra-se fluído, apontando para os 60 frames por segundo (sem quaisquer ferramentas que me permitam analisar números, atenção). E regra geral todo o jogo está assim fluído, fora numa ou outra ocasião em que notava quebras ou um frame rate mais baixo, possivelmente devido à quantidade de coisas no ecrã e em sítios bem específicos, mas que em ponto algum arruinaram a minha experiência. 

Uma versão extremamente bem conseguida, que me fez apreciar o jogo ao nível do detalhe, dos cenários e ambientes desenhados ao pormenor, das personagens vivas (mesmo aquelas que não estão), às explosões de sangue que, muitas vezes, decoravam devidamente tudo o que eram paredes, chão e mobiliário. Sem grandes loadings ou, quando eles existem, não duram mais que uns breves segundos. Isto tanto em modo docked, ligado à TV, como em modo portátil, e passei o jogo todo a alternar entre estes dois modos. Se tenho algo a apontar, é que ao usar uma mira de longo alcance em modo portátil, a imagem aparecia uma junção de desfocado e pixelizado, mas não deixei de conseguir atingir os inimigos nos sítios certos. Se porventura a versão Nintendo Switch 2 atrai-vos, muito pela versatilidade de poder alternar “magicamente” entre o modo TV e portátil, acreditem: têm aqui uma versão muito idêntica às restantes. Até um próprio sistema de achievements tem, este que serve para desbloquear e comprar diferentes coisas.


Embora quando o experienciei pela primeira vez, tenha ficado muito impressionado, ao jogar o produto final ele está ainda melhor conseguido, quando comparado com essa demonstração. Entre estar mais fluido a, mesmo nos cenários mais amplos ou extensos sem problemas técnicos, mostrou-me que muito é possível fazer com a consola, apontando para um jogo fluído “tal e qual” como em sistemas consideravelmente bem mais capazes. E, sim, já havia louvado ambos o Resident Evil 7 biohazard e Resident Evil Village, lançados agora para a Nintendo Switch 2, mas Resident Evil Requiem é um jogo novo, lançado agora sem versões para as consolas da geração anterior. A Capcom comprova que o RE Engine é mesmo um motor impressionante, capaz de feitos incríveis, deixando-me curioso com que mais jogos lançarão para a consola da Nintendo no futuro.

Voltando ao jogo em si, senti mesmo que estava a jogar um Resident Evil em muito semelhante aos que me fizeram adorar a série, senti-me em casa, foi até mesmo nostálgico e lembrou-me de vários momentos com que passei ao longo dos 30 anos da série. Das pequenas referências aos muitos momentos bem diferentes, de explorar cenários diferentes entre outros algo familiares, ou que me fizeram lembrar de vários momentos da série. Da jogabilidade, tanto ao nível da sobrevivência como nos momentos de ação mais intensa, onde temos de usar todos os truques ao nosso alcance para sair vitoriosos. Com Requiem, Resident Evil mostra bem porque é ainda hoje visto como sinónimo de survival horror, sendo obrigatório para os fãs do género.


Tudo me agarrou no jogo, vivi todos os momentos das personagens, ficando até por vezes irritados por estarem constantemente ofegantes enquanto explorava corredores, salas e catacumbas, mas não os posso censurar, até porque estavam a lutar pela vida. Conheci os vários cantos às “casas”, rapidamente conhecendo de cor os diferentes cenários sem precisar de constantemente aceder ao mapa, mesmo quando abria atalhos para ligar melhor as zonas. Senti todos os combates importantes, mesmo que tenha achado o jogo bastante acessível, ou fácil, mas agora quero experienciá-lo num modo mais difícil.

É certo que os fãs devotos já o têm reservado e estão há semanas a contar os dias até ao lançamento, mas mesmo para os que desligaram-se da série podem avançar para este sem saber o que se passou em títulos anteriores, por muitas referências que surjam a eventos passados. O jogo é contido em si, pode até muito bem ser o primeiro Resident Evil para alguns jogadores, que não vão ter quaisquer problemas em perceber a história, só não têm o impacto expectável quando surgem as devidas referências. Uma aventura que se joga muito bem, sem encher chouriços só para esticar o número de horas de jogo, embora honestamente fiquei a querer mais Resident Evil Requiem, que quem sabe: para quando a Gold Edition com mais conteúdo e capítulos adicionais?


Para este nono capítulo, Resident Evil escolheu Requiem para o seu subtítulo, palavra do latim que evoca a honra aos defuntos, um repouso, mas que evoca também um regresso, um recordar, uma lembrança, tudo termos que encaixam na perfeição no jogo que aqui temos! São 30 anos de Resident Evil a celebrar agora em março, que deverá ser celebrado jogando este novo capítulo, que espero terem conseguido fugir aos spoilers que andam a fustigar as redes recentemente, pois são boas as surpresas que vos esperam, como fãs! E, pessoalmente, um jogo que ainda não me cansei dele, mesmo já o tendo terminado, pois, quero desbloquear tudo..!


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela ecoplay.

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