Mario Tennis Fever


Nas celebrações dos 40 anos de Super Mario há espaço para jogos que levam Mario e companhia às mais variadas atividades o desporto é uma delas. O que não faltam são jogos de ténis, golf, futebol e não só, o que nos traz agora à grande estreia das modalidades saudáveis na Nintendo Switch 2, com Mario Tennis Fever! E, fazendo quase oito anos desde que tivemos a última aventura destas, aconteceu muita coisa entretanto.


Já há muito tempo que não me divertia tanto num Mario Tennis, como agora com Fever! Pronto, está feito, set e match points, coisa e tal, não? Bem, a verdade é que Mario Tennis Aces foi um jogo que peguei sem ser dos maiores fãs do jogo: serviu bem para o seu propósito, introduziu ali algumas novidades, mas pareceu-me que não saiu muito dali… parecia-me um jogo incompleto, até. Apesar disso, sempre era um jogo que se pegava para umas partidas rápidas, mas dava por mim a pegar antes em Nintendo Switch Sports até porque ia podendo mudar de modalidade, mesmo que fosse um jogo sem aquele “extra” típico dos jogos desportivos de Mario.

É com este extra que começo: Mario Tennis parece ter finalmente acordado para criar algo genuíno, que não se limita a itens aleatórios quase como um pseudo Mario Kart parado e com raquetes. Fever é o termo do dia, pois acompanhado pelas imensas personagens que temos, há todo um leque de dezenas de diferentes raquetes, todas elas especiais em algo bem específico. São a nossa fiel arma, com vontade e energia, e alguma perspicácia à mistura, usamos os seus poderes para eletrocutar o campo, criar clones, gerar tornados, congelar o chão ou espalhar imensas labaredas, tudo isto limitando a mobilidade e capacidade de resposta adversária. Há outras que nos tornam supersónicos, invencíveis ou até mesmo as que tornam os nossos adversários minúsculos, é mesmo uma questão de preferência, aliada ao estilo de jogo que queremos para as nossas personagens.


Acaba por ser uma revisão daquilo que são os poderes especiais típicos dos jogos de Mario, entre corridas e desporto, com uma barra de energia dedicada como se tratasse de um jogo de luta, e sem o elemento aleatório por ter uma raquete especial, ou um par delas, aumentando aqui ainda mais a estratégia possível para o nosso jogo! Admito que senti falta dos poderes especiais que tornavam cada personagem única nesse sentido, mas a versatilidade destas Fever Rackets fazem com que estejamos preocupados em escolher as personagens pelos seus atributos, e preferência, e não por terem um poder especial específico, levando a que depois os jogos online sejam sempre contra as mesmas personagens. Mesmo assim, imagino que não vão faltar por aí tier lists das melhores personagens, com as melhores Fever Rackets, mas deixem-me ser otimista, até porque as diferentes combinações de personagens e raquetes é bem alta.

Encontrei aqui uma receita viciante, simples e que funciona perfeitamente para sessões rápidas de jogo, aqui com a vontade de jogar “só mais uma partida”, que se estendiam horas a fio. Mas, apesar da diversão ser garantida a dois ou mais jogadores, há muito para um jogador sozinho explorar, com diferentes modos contra o CPU e graus de dificuldade e desafio para nos desafiarmos a nós próprios. E logo aqui há muito jogo, pois não nos é logo dado tudo ao arrancar o jogo, havendo uma bela quantidade de desbloqueáveis que, honestamente, ainda não consegui ter tudo.


Há personagens e até mesmo cores diferentes para algumas delas, há courts de ténis, há Fever Rackets bloqueadas por detrás de desafios bem… interessantes, e aqui sabemos logo onde desbloquear e como. Posso dizer que ainda investi umas belas quantidades de horas a ganhar o que consegui, isto enquanto navegava nos diferentes modos para um jogador, que acompanham um outro grande modo, o de aventura!

Aqui entra o belo toque da Camelot, que há muito tinha saudades, daqueles que nos trouxeram Golden Sun e Shining Force ao mundo, que deixam ainda mais saudades pelo seu regresso. À semelhança de outros jogos de ténis feitos pela Camelot (Mario Power Tennis, por exemplo), é que estes são os “RPGs de ténis”, pois há ali um ligeiro toque daquilo que esperamos num role-playing game, mas adaptado ao desporto. São dois mundos que conseguem partilhar palco, apresentando até algo diferente, aqui com a equipa a evoluir aquilo que tem vindo a aplicar a todos os jogos de desporto de Mario, onde esteve presente.


É o modo de aventura, que leva um conjunto de personagens a explorar ruínas antigas, mas sofrem de uma maldição e regressam ao seu estado de bebé, mas com todas as memórias e capacidades intactas. Ou vá, quase todas. Ao menos deram um motivo que faz sentido na plot (se for relevante para como vêm as coisas) do porquê de Mario Bebé, Luigi Bebé e restantes estarem de regresso. A história é muito simples, é até mesmo parva e tudo serve de desculpa para treinar e praticar ténis, até mesmo ter confrontos memoráveis com personagens desta campanha.

Mas nem tudo se mantém: com corpo de bebé, Mario tem de treinar muito e comer muita fruta para voltar a estar em forma. Uma sucessão de tutoriais levam-nos a desenvolver os diferentes atributos como poder, agilidade e destreza, de modo a estar melhor preparado para os desafios… vamos dizer relevantes, para resolverem a sua situação. Pensem só que é importante ser através do poder do ténis. No início da aventura Mario é literalmente inútil, nem sequer chega à bola para defender, mas rapidamente desenvolve as suas habilidades para conseguir ter uma bela prestação no campo de jogo. Isso leva a uma sucessão de coisas que, só por si, vale muito a pena explorar este modo de campanha, nem que seja para ver Wario e Waluigi em bebé a fazerem das suas. Isso e ouvir uma bela banda sonora ao bom estilo que não só os Mario Tennis têm, como a Camelot marcou-me pessoalmente, um vício e hype em cada uma das melodias durante as partidas!


Há muito que não me divertia tanto com um modo de campanha dos jogos de desporto de Mario, encontrei aqui um toque nostálgico da aventura que tive em Mario Power Tennis, mas agora num jogo com uma jogabilidade bem mais moderna, polida e viciante! Certo, nem tudo é bom, ao fim de algumas horas de jogo acaba por se tornar um pouco repetitivo, mesmo com as imensas personagens, Fever Rackets e courts, tanto a dois como a quatro jogadores em equipas não há muito mais que aquilo, mas também, o jogo é mesmo isto. Há uns quantos modos extra, especiais, como aqueles inspirados em Super Mario Bros. Wonder que acaba por ser o jogo com mais toque aqui bem presente, mas são muito poucos e limitados para ser algo derradeiramente inovador. Há caos, mas podia haver bem mais caos, mais modos aleatórios onde a jogabilidade muda significativamente para abraçar a confusão, a par das intensas partidas de ténis “normais”.

Fico curioso se mais surgirá daqui, se teremos conteúdos adicionais ao longo dos tempos com novas personagens, courts e modos especiais, até porque é o palco perfeito para conteúdo vindo de Donkey Kong Bananza marcar presença, já que não sei se terão coragem de trazer uma Pauline Bebé, ao menos que tenhamos o regresso da sua versão um pouco mais crescida. Mesmo adicionarem Fever Rackets para aumentar ainda mais o caos era bem-vindo, até porque não faltam ideias bizarras (e brutais) com os poderes das existentes, e sei lá que ideias possam ter ficado na gaveta para não atrasar o lançamento do jogo.


Terminando, é um jogo perfeito para jogar em família ou com amigos, quer pelos controlos tradicionais ou por movimento, que funcionam na perfeição, seja pelo quão fácil e acessível é pegar no jogo e ir logo para umas partidas. Ou, em caso de dúvidas, o jogo está disponível em português do Brasil, que infelizmente não tivemos localização dedicada ao de Portugal (que seria excelente para o modo de aventura), mas sempre é uma ajuda a quem precisar. E, com a rapidez com que entramos nos diferentes modos, experimentamos torneios ou outras atividades, conseguimos ter umas belas sessões de jogo que se prolongam horas a fio!

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Nintendo.


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