Hades


Hades é um roguelike fenomenal, cheio de ação, estilo e muita morte, uma verdadeira bomba infernal de diversão. Feito pela Supergiant Games, autores dos incríveis BastionTransistor e o menos conhecido Pyre, o novo Hades é uma entrada inovadora no género. Afinal, a Supergiant é conhecida pela sua narrativa diferente e Hades não é exceção.

A história começa com o nosso personagem Zagreus a tentar escapar do Inferno onde sempre viveu, e sim o inferno literal dado que o seu pai é Hades, deus grego dos mortos. Pelo caminho somos ajudados ou incomodados por um elenco gigante de personagens, desde deuses a heróis a criaturas lendárias. A história vai-nos sendo contada à medida que progredimos, com cada morte a trazer mais diálogos e, por vezes, mais personagens com quem interagir. Todos eles têm imensas falas e todas com voz por completo, um detalhe que ajuda a trazer a aventura à vida. Melhor ainda, dependendo do progresso, armas e até deuses que nos abençoaram os personagens fazem comentários, piadas e até criticam as nossas opções. Para um jogo fixado na mitologia grega, temos toda a intriga e complexidade de uma tragédia grega, mas bastante mais divertida.


Não podemos deixar de exaltar a atenção ao detalhe que é dada tanto aos personagens (todos eles históricos com a excepção de Zagreus) que reflectem todas as características dadas as conhecer pelos escritos épicos: Artemisa, a deusa da caça, é solitária, enquanto Dionisío, deus do vinho, é descontraído e sempre com vontade de festejar. Melhor ainda são os comentários feitos pelos deuses e não só, às nossas escolhas de equipamento e habilidades, demonstrando uma sensação orgânica de que cada tentativa de escape é única. Os inimigos fazem também comentários incluindo piadas sobre a quantidade de vida com que chegamos ao encontro (e sim ouvimos muitas vezes essas, acreditem...).

Algo muito importante neste género é a jogabilidade e Hades traz-nos uma jogabilidade super fluída e capaz de ser alterada de quase infinitas maneiras. Temos 6 armas, 4 formas, 8 deuses para nos ajudarem pelo caminho (isto no que afeta diretamente o combate). Para além disto há artefactos que alteram as armas (disparar 4 projéteis em vez de um, mas com alcance mais curto por exemplo) e em cima disso ainda temos todos os efeitos concedidos pelos deuses. Em quase 50 ou 60 tentativas, posso dizer com confiança que não se usa a mesma combinação em nenhuma delas. O aumento do poder é palpável e a variabilidade das nossas escolhas tornam cada corrida para a superfície não só uma evidência de habilidade mas também de estratégia e adaptação (e alguma sorte claro).

Só isto já dá uma ideia de como a repetição é tornada interessante, mas para além disso e da intrusão mencionada com a narrativa, ainda temos inimigos que vão aparecendo e até bosses que vão alterando com o progresso da história. Na base temos upgrades não só ao personagem, como à casa em si e capacidade de fazer tarefas que podem alterar a maneira como os personagens interagem connosco. Para além disso dado que é um sítio que vemos muitas vezes (sempre que morremos, que é muito) poder customizar sempre ajuda a sentirmo-nos mais confortáveis (e até descobrirmos mais uns segredos).


As animações são muito no estilo habitual da Supergiant com bastante cor e efeitos, e o trabalho dos atores é de louvar. Tanto no tom dos personagens como no conteúdo cada um é completamente distinto e munido de um arsenal de piadas e falas que mesmo de olhos fechados conseguiríamos distingui-los. A banda sonora é genial, mudando de ritmo e acelerando quando o combate está mais difícil. As várias zonas que cruzamos têm cada uma o seu estilo musical e artístico e todas elas têm imensos pormenores para descobrir.

Os controlos são completamente customizáveis e para quem tem receio, dado que o género normalmente é visto como extremamente desafiante, tem uma opção de acessibilidade que progride connosco. Denominado God Mode, torna-nos mais resilientes ao dano sempre que progredimos e pode ser ligado ou desligado quando quisermos, permitindo assim ao jogador controlar a sua experiência.

Outra grande funcionalidade é que a qualquer momento podemos verificar os efeitos que as escolhas de habilidades e power ups que fizemos, incluindo descrições dos efeitos. Conseguir fugir traz opções no outro sentido: dá-nos opção de aumentar a dificuldade com vários parâmetros por nós escolhidos que trazem as suas próprias recompensas, aumentando ainda mais a longevidade do jogo sem se tornar aborrecido e repetitivo.


Do inferno até à superfície, Hades é um verdadeiro épico grego, combinando uma narrativa e banda sonora fantástica com uma jogabilidade insanamente variada e divertida. Perdoem-nos o anglicismo, mas o termo Godlike é claramente o adequado.

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Supergiant Games.
Hades Hades Reviewed by Bruno Santos on 09:00 Rating: 5

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