Total War: Three Kingdoms


Em 2000 era lançado o primeiro jogo da série Total War que, desde então, tem-nos levado a vários palcos de guerra que vão desde o Japão Feudal às batalhas do Império Romano ou da Idade Média, ou até mesmo mundos imaginários como é o caso de Warhammer. Estamos perante uma série de jogos de estratégia em tempo real, e mesmo não sendo propriamente famosa, foram imensas as batalhas que ela tem vindo a recriar.

Mas em primeiro lugar um breve aviso: se estão à espera de um jogo ao estilo Age of Empires, não o vão encontrar aqui. Total War aproxima-se mais de um simulador de guerra, onde as táticas de combate são tão importantes como um bom desenvolvimento do nosso "reino", onde a exploração do mapa é quase secundário. O objetivo é conquistar, mas através de estratégia às vezes minuciosa, criar pactos com bastantes variantes possíveis e uma boa preparação antes do combate, desde escolhendo bem os tipos de guerreiros a levar a analisar o terreno para nossa vantagem, quando dentro do combate. Não é um jogo simples e ele reconhece isso, ensinando-nos aos poucos até mesmo para ter uma suave introdução à série.


Desta vez estamos em plena China do século III numa era conhecida pelas Seis Dinastias, mais concretamente o período dos Três Reinos, um acontecimento bastante famoso na história. À nossa disposição estão 11 fações no início e cada uma delas funciona como uma campanha com personagens ou outros elementos distintos, como começarem em pontos diferentes do mapa. Entre outros contamos com figuras histórias como Cao Cao (a campanha mais fácil), Liu Bei de dificuldade intermédia ou Yuan Shu como o mais difícil destes três. Todos oferecem modos de jogo com estratégias variadas: enquanto uns são mais aptos para uma conquista através de guerra, outros criam pactos. Existem ainda dois modos de jogo: Romance que se centra nos personagens, explorando melhor os seus atributos e dando-lhes até habilidades únicas e inumanas como se tratasse de um RPG, e Records que se foca mais no poder do nosso exército e as suas táticas, onde elementos como a fatiga dos soldados é importante.

Sendo um jogo de estratégia em tempo real praticamente todos os nossos turnos são importantes para que a campanha corra da melhor forma, mas não é preciso ter medo! O jogo ajuda-nos a perceber as diversas mecânicas e as várias missões vão-nos dizendo, de alguma forma, o que devemos fazer a seguir. Ao escolher Cao Cao por exemplo, temos uma campanha mais calma, mas mesmo sendo reconhecida como a mais fácil ela conta com imensos desafios e dei por mim a lidar com várias situações de meter as mãos à cabeça sem saber o que fazer e muitas vezes cometi erros, acabando por carregar saves antigos. Temos várias estratégias diferentes para explorar, escolhendo o que achamos melhor as que mais gostamos de usar: queremos seguir um caminho onde o comércio é mais importante? Construímos edifícios para esse efeito. Preferimos seguir um rumo de conquista pela força? Existem meios para tal. O jogo não nos pune por seguirmos estratégias com que gostemos mais de trabalhar, mesmo que fujam (de algum modo) ao retrato histórico dos líderes em questão, cada um deles com elementos únicos, mas uma coisa é importante: a conquista tem de ser feita à força.


Dentro dos 2 modos Romance e Records preferi o primeiro, não que o jogo mude drasticamente mas a exploração das diferentes personagens é bastante interessante. Também aqui surgem duelos entre comandantes, bastante interessantes pois enquanto combatiam os seus exércitos respeitavam e não se movimentavam, até algum dos lados optar por atacar o exército oponente apanhando-o "desprevenido". Há uma boa progressão no jogo, com o passar do tempo vamos melhorando as cidades e as regiões da China, unindo-a cada vez mais, e temos ainda uma Skill Tree onde vamos desbloqueando edifícios, táticas, soldados, entre outros elementos. Há vários pontos do jogo que sentimos estar em desvantagem, mas uns turnos bem passados a melhorar o nosso exércitos e conseguimos dar a volta, mas havendo tanta coisa para fazer por vezes faltava-me um ou outro elemento do jogo que não tinha explorado (e não tinha sido propriamente avisado) e acabava por não conseguir como queria.

O combate acaba por ser dos pontos fundamentais, não só os líderes são importantes como os vários generais que vamos recrutando ao longo da campanha são uma ajuda preciosa. Existem diferentes tipos de personagens aptas para estratégias diferentes e todos eles podem equipar itens ou seguidores que lhes dão um bónus nos seus status. O próprio terreno cria algumas vantagens e desvantagens onde o modo como comandamos as tropas pode ser mais ou menos eficaz. Parece que é demasiada informação a ter em conta mas não somos muito penalizados se não seguirmos ao detalhe tudo o que podemos fazer para otimizar a nossa investida.


Visualmente este é um jogo bastante belo, onde podemos ver o campo de batalha à distância com todos os soldados em combate e, a qualquer momento, aproximamos a câmara de tal modo que podemos ver em detalhe os combates de todos os soldados! Ver os duelos entre líderes é bastante recompensador, pois estão muito bem animados e podemos ver em pormenor o momento em que um personagem é morto em combate. O DLC "Reign of Blood" peca muito por ser pago pois devia estar disponível no jogo base, mas este acrescenta bastante violência aos combates podendo ver autênticos rios de sangue, decapitações e outros espetáculos de puro gore! Mesmo fora de combate os cenários estão muito bem detalhados, todos os mapas parecem pintado a aguarela, a passagem das estações e as diferentes horas do dia embelezam bastante o jogo. As próprias cutscenes estão muito bem ilustradas com belas animações, devidamente acompanhados por vozes que enriquecem bastante.


Os fãs de jogos de estratégia, principalmente os que gostam de combates mais históricos, têm aqui um bom jogo para explorar. Aproxima-se mesmo de um "simulador histórico" por ser bastante detalhado em vários pontos, o que acaba por parecer que é demasiada coisa no início mas gradualmente nos habituamos bem ao ritmo do jogo. Há ainda bastante replay value, não só ao explorar os 2 modos de jogo mas também ver as várias campanhas diferentes, onde podemos seguir o rumo que a história da China teve ou criar o nosso próprio cenário.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para Steam, gentilmente cedido pela Ecoplay.
Total War: Three Kingdoms Total War: Three Kingdoms Reviewed by Nuno Mendes on 10 julho Rating: 5

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