Antevisão – Clash Of Armies: Medieval


Artigo escrito por Marco Silva

Hoje trazemo-vos um jogo de cartas para 2 jogadores que está a chegar a muitas lojas em alguns países e que em breve voltará ao Kickstarter para uma segunda tentativa de lançamento mais global, após a sua primeira tentativa ter apenas conseguido chegar a 75% do objetivo financeiro. O jogo criado pelo argentino Pablo Guevara, e publicado pela Poncho Games, Clash Of Armies: Medieval. Nós estivemos a experimentar o jogo durante a campanha de Kickstarter juntamente com o criador Pablo Guevara, divertimo-nos muito e vamos partilhar convosco as nossas primeiras impressões do jogo, e o que sentimos que é diferenciador e inovador nele.

O Clash Of Armies é um jogo de cartas para 2 jogadores que faz lembrar uma fusão de Magic the Gathering com Dominion. Se gostas de jogos de cartas que usam a mecânica de Deck Building, Take That, e Hand Management, ou se andas à procura de um jogo giro para experimentar a 2 jogadores, então esta antevisão vai-te interessar bastante.

 


Em Clash of Armies, 2 jogadores vão-se encontrar no campo de batalha tentando comandar os seus exércitos da melhor maneira para conseguir dar dano ao seu adversário. Para quem normalmente olha para jogos como Magic The Gathering e pensa que é muito complicado com todas as habilidades e mecânicas de combate complexas e evita estes jogos, então este será uma surpresa agradável pois foi um dos pontos que sentimos que é realmente muito simples em relação às mecânicas comuns deste género. É um jogo com apenas 112 cartas e vem pronto para jogar, não precisa de tabuleiro (apesar da versão Deluxe incluir um tabuleiro em Neoprene), precisa apenas de 2 jogadores, e os jogos são normalmente rápidos, perto de 30mins por jogo.

É impossível não sentir a inspiração em jogos como o Dominion neste jogo. Cada jogador começa com 10 cartas iguais (7 de dinheiro e 3 soldados), existe um mercado comum aos 2 jogadores, onde cada jogador pode usar o dinheiro para comprar novas cartas, que coloca no seu baralho, e assim faz crescer o seu exército. As cartas são usadas e vão para o descarte e, em cada ronda, o jogador começa com uma mão nova de cartas. Se esta fosse a descrição apenas do jogo, vocês quase que sentiam mesmo que era uma nova versão do Dominion mas não, existem realmente diferenças muito interessantes.

Apesar de realmente se tratar de um jogo de deck Building, tem uma mecânica de batalha muito única. O jogador coloca os seus soldados no campo de batalha e é assim que vai atacar o seu adversário. Os ataques já são mais parecidos com as batalhas de Magic, em que as criaturas se juntam para atacar as criaturas do adversário, mas aqui é um pouco diferente. 


Em Clash Of Armies, todo o combate é muito simplificado, não importa quantas unidades estão a atacar nem a quem atacam, o que importa é o total do ataque. Quem defende usa as fortificações que construiu para se defender e ainda pode escolher aumentar a sua defesa com soldados que estão ou não no seu acampamento, e guardá-los para atacar no próximo turno. Caso a defesa total seja superior ao total de ataque, então o ataque é totalmente impedido, caso contrário o atacante destrói as fortificações e soldados envolvidos na defesa (são descartados para o baralho de descarte do jogador que se defendeu), e dá o restante dano ao jogador. Este é um dos pontos em que este jogo inovou bastante na forma de uma simplificação do sistema de combate, uma vez que o ataque é simplesmente somar a força de ataque total, e quem defende soma a sua defesa e é basicamente só comparar os numeros e fazer uma diferença. Caso o ataque tenha sucesso, depois é tudo descartado (tanto as tropas atacantes como as tropas que defendem). Isto torna o jogo muito rápido neste ponto.

 


Um outro aspeto que achámos interessante é que todas as tropas, quando entram em jogo, entram logo prontas para atacar, e o jogador é obrigado a atacar com todas as tropas que tem livres, e como todas as tropas que atacam no final são descartadas, o jogo fica muito rápido neste aspeto. Para que um jogador se consiga defender tem de construir as fortificações, e assim já pode colocar algumas tropas nessas fortificações, decidir não atacar com elas, e construir defesas para travar alguns ataques. Também o facto de os ataques terem de igualar pelo menos o valor total da defesa do adversário para surtir efeito, faz com que estas estruturas sejam muito interessantes e começam a surgir aqui os elementos de estratégia do jogo.

 


Mas as novidades não ficam por aqui. Um aspeto de Clash of Armies de que gostámos muito é o elemento assimétrico que o criador conseguiu introduzir na mecânica de deck building, as Fações. Um dos baralhos do mercado contém cartas de 3 fações (o baralho contém 6 fações, mas em cada jogo apenas são usadas 3, o que adiciona longevidade ao jogo). As fações são identificadas pela cor da carta e pelo brasão da fação, e cada fação tem as suas vantagens que o jogador pode tentar tirar partido para lhe trazer a vitória na batalha. Como é evidente, os jogadores vão estar a competir por um mercado comum onde vão surgindo as cartas de cada uma das 3 fações, e o jogador que quer apostar numa dada fação e contratar soldados que carregam esse brasão podem ver o seu desejo impedido pelo seu adversário, ao ser ele a ir buscar as cartas primeiro. Esta mecânica das fações adiciona uma dimensão muito boa ao jogo, pois o deck building passa a ser muito assimétrico e com muito mais estratégia. 

 


Adicionalmente, existe apenas um monarca por cada uma das fações, e essa carta é mesmo muito poderosa quando combinada com membros da mesma fação no campo de batalha. E neste ponto quero apenas realçar um pormenor que achei delicioso no jogo, que é o facto de, quando compramos um monarca ele não ir para o baralho, em vez disso ele fica visível em frente ao jogador ao lado do marcador de pontos de dano desse jogador, e o que vai para o baralho é uma carta de um vassalo que, quando jogada, permite usar a habilidade do monarca em questão. Cada jogador apenas pode ter um monarca, como é evidente, pois apenas podemos ter um rei, e claro que o rei fica cá atrás e não no campo de batalha, e envia o seu vassalo. É um pequeno pormenor e podia perfeitamente ser a própria carta a ser jogada, mas o criador apostou no tema medieval e isso nota-se.

Nota-se também esse mesmo pormenor na arte das cartas, tanto do ponto de vista de iconografia, ilustração e até o próprio logótipo do jogo inspira muito este tema medieval, com soldados a fazer lembrar os templários, espadas enormes a fazer lembrar Game of Thrones, e paisagens que parecem os campos de batalha ingleses da era medieval.


Opinião final

Como opinião final, irei basear-me no sistema D.I.C.E., onde irei tocar os tópicos de Dinâmica, Inovação, Continuidade e Entretenimento.

Dinâmica

O jogo está muito dinâmico. Tal como outros deck builders, cada turno é composto por 3 fases muito simples, jogar cartas, comprar cartas e clean-up. Em Clash of Armies, apesar de existir toda a componente de ataque e defesa, esta parte é muito simplificada pelo facto de não existirem ataques a cada carta, mas sim a soma de um exército contra a soma da capacidade de defesa adversária. Contudo, sentimos que o facto de o jogo não ter um contador físico da defesa foi um bocado chato andar sempre a fazer contas a isso. Uma ajuda que recomendamos caso joguem este jogo é terem uma pequena folha de papel e uma caneta para cada jogador, e irem tomando nota do valor de defesa que têm, e irem sempre atualizando à medida que este vai mudando. Assim, só têm de contar as diferenças, e não tudo novamente.

O jogo é realmente muito rápido e o progresso é incrível. Nos primeiros turnos parece que dar os 55 pontos de dano irá ser extremamente demorado porque só começamos com 3 soldados a dar 1 de dano cada um, mas em poucos turnos vamos começar a conseguir combinar tropas e ter acesso a tropas mais fortes, e será muito normal fazer ataques de 30 pontos de dano, o que nos dá uma sensação de força muito interessante e irá fazer soar o nosso adversário.

Inovação

À primeira vista, e dependendo da perspetiva mais pessoal de cada um, irá ver um Dominion ou um Magic the Gathering em cima da mesa com cartas diferentes, mas a verdade é que não é nenhum dos dois, e é os 2 ao mesmo tempo. A fórmula encontrada neste jogo para combinar as 2 mecânicas, enquanto ao mesmo tempo simplificando os elementos mais complexos das mesmas e criando elementos novos de estratégia, fazem deste jogo um jogo único e muito inovador.

As mecânicas de batalha simplificadas, com as fortificações e o descarte constante das tropas depois do ataque, ou serem usadas para defender, mas como é um jogo de deck Building, voltam para a mão logo de seguida assim que o baralho terminar, e o descarte passar a ser o baralho novamente. Ou as fações que, quando combinadas, dão uma vantagem enorme ao jogador, mas que podem ser muito complicadas de conseguir atingir pois o mercado é comum e o nosso adversário pode-nos impedir de ganharmos esse poder. Tudo mecânicas inovadoras e combinações novas que fazem deste jogo muito divertido e único.

Continuidade

É um jogo com apenas 112 cartas, que se joga a 2 jogadores, tipicamente não são jogos com uma longevidade muito grande. Contudo, neste jogo em particular, as fações têm um peso muito grande na estratégia que é adotada pelo jogador, mas como não jogamos com todas as fações disponiveis e apenas com 3, e como as fações tem interações diferentes entre elas, na realidade existem pelo menos 6x5=30 experiências de jogo diferentes. Adicionalmente, imagino que a Poncho Games possa querer criar facilmente expansões com algumas fações novas e adicionar muita longevidade ao jogo, pelo que acredito que, apesar de ser um jogo com apenas 112 cartas e ser um jogo de 2 jogadores, este irá conquistar espaço na mesa muitas vezes.

Entretenimento

Nós divertimo-nos imenso a jogar o jogo, com momentos muito engraçados até ao último turno em que os ataques já eram de ordens de magnitude de 40 e 50 pontos de ataque, em que já estávamos ambos a ver o fim a aproximar-se, mas a conseguir defender-nos. A estratégia é constante, tanto no mercado a pensar nas combinações que queremos fazer e interações entre as diferentes cartas, ao próprio campo de batalha e as decisões de atacar com umas cartas ou deixá-las na fortificação para defender no próximo turno. O jogo tem sempre algo a acontecer e é cativante do início ao fim. O facto de não ser muito longo é um aspeto também positivo e que faz com que, ao terminar o uma partida, facilmente decidimos jogar outra.

 


Em resumo, o Clash Of Armies é um jogo para 2 jogadores muito interessante, cheio de mecânicas novas, que irá deliciar os jogadores que gostam de deck building e jogos de batalhas de cartas. Se sempre procuraste experimentar estes tipos de mecânicas, mas sentiste que os jogos mais tradicionais eram muito complexos, então este pode ser um bom jogo de entrada nesse mundo. É só pena ser um jogo para 2 jogadores, pois nem sempre apenas somos 2 para jogar, mas mesmo assim pode ser uma boa forma de resolverem disputas de casal. 😉


Antevisão – Clash Of Armies: Medieval Antevisão – Clash Of Armies: Medieval Reviewed by DICE Cultural on 10:00 Rating: 5

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