Disciple Detective


 Artigo por João Efigénia 


Disciple Detective é um jogo de dedução para 2 a 5 jogadores, com inspiração nas histórias Bíblicas dos Discípulos de Jesus Cristo. Cada sessão, consoante o modo de jogo escolhido (são 2), poderá durar entre 15 e 30 minutos, e a maneira como cada uma decorre depende muito do número de jogadores.



Disciple Detective é composto por 17 cartas com personagens da Bíblia, todas com um número único de 1 a 17, e um conjunto de 5 características que são distribuídas entre os personagens seguindo informação factual: por exemplo, a característica “Father” (Pai) indica se é conhecido o pai dessa personagem; “Origin” (Origem) é o local de origem do personagem; “Alias”, se o personagem tem um segundo nome, “Occupation” (Ofício), se sabemos a ocupação que esse personagem tinha nos textos Bíblicos, e “Writer” (Escritor), se o personagem é autor de algum dos textos Bíblicos. Há ainda uma sexta característica, “Even/Odd” (par ou ímpar), consoante se o número da carta for… par ou ímpar. 


Cada personagem tem também um “Quirk”, ou habilidade, que modifica a maneira como essa carta é jogada. A somar às 17 cartas, há também outras 5 cartas com uma lista dos personagens, para despiste, uma ampulheta, para o modo competitivo, 7 peças de Pista e 5 cartões, com todos os personagens e respetivas características, assim como os “Quirks”. 


O jogo traz também 5 marcadores com apagador, porque SIM, todas as cartas e cartões podem ser rabiscados vezes sem conta! A carta com a lista dos personagens tem também um verso pautado sem texto, caso prefiram um espaço limpo para escrever os vossos raciocínios.


 

Na sua essência, o objetivo do jogo é sempre descobrir as personagens que temos na mão. Sim, porque seguramos as nossas cartas viradas para os nossos oponentes e é através de pistas específicas que podemos ir deslindando o que está mesmo à nossa frente. Consoante o modo, o objetivo varia: em modo cooperativo, devemos tentar trabalhar em equipa para revelar todas as cartas do jogo (à exceção de uma, que é retirada do baralho no início do jogo); em modo competitivo, as cartas são distribuídas pelos jogadores em pequenos baralhos individuais, e ganha o primeiro jogador a descobrir todas as cartas do seu baralho. 


Esta descoberta é feita através de 3 ações:


1- Dar/Pedir uma pista: no modo cooperativo, escolhemos uma característica e apontamos as cartas nas mãos dos restantes jogadores que têm essa característica; no modo competitivo, pedimos ao jogador à nossa esquerda que aponte na nossa mão as cartas que possuem uma determinada característica. Esta ação usa uma peça de Pista (no modo cooperativo).


2- Ordenar as mãos dos jogadores: apontando as cartas, o jogador indica a ordem cronológica das cartas das mãos dos restantes jogadores, do 1 ao 17. Esta ação usa uma peça de Pista (no modo cooperativo)


3- Adivinhar uma carta da mão: o jogador ergue uma carta e indica a sua suspeita. Se acertar, essa carta é descartada, o jogador recupera uma peça de Pista (no modo cooperativo) ou ganha uma nova ação (no modo competitivo), e retira uma carta nova do baralho. Se falhar, os jogadores perdem uma peça de Pista (no modo cooperativo) e a carta não é revelada.


Essencialmente, as 7 peças de Pista são utilizadas apenas no modo cooperativo, e servem como uma espécie de relógio: se forem todas descartadas, a equipa perde o jogo. Já a ampulheta de 30 segundos é exclusiva do modo competitivo: na sua vez, o jogador tem 30 segundos para realizar a sua ação. Se o tempo esgotar, perde a vez.


Para acrescentar à tensão, os “Quirks” (habilidades) das diferentes personagens vêm dificultar o processo de dedução: Judas, por exemplo, mente nas suas pistas: embora seja o número 12, caso seja feita a pergunta de “par/ímpar”, ele será um número ímpar. Já Paul está “magoado” e não tem as características de “Ofício” e “Escritor”: no entanto, se Luke estiver na mesma mão que Paul, o mesmo já não estará magoado.


Os “Quirks” são opcionais, e só deverão ser usados se todos os jogadores já estiverem familiarizados com as mecânicas e com o estilo de dedução do jogo.



O que traz um toque único ao jogo é o facto de podermos escrever nas nossas cartas. O verso das mesmas tem os símbolos das diferentes características, que podemos ir riscando à medida que vamos obtendo a informação sobre elas. A carta com a lista de personagens é também o sítio ideal para irmos eliminando as cartas já reveladas, o que é uma ajuda tremenda para reduzir a nossa lista de suspeitos. Já o cartão de jogador é essencial, pois contém um resumo de todas as características dos personagens, e também podemos escrever nele e ir riscando os personagens eliminados. Senti que fazia falta ao jogo um pequeno biombo de cartão para ocultar este componente da visão dos outros jogadores, embora cada um esteja extremamente concentrado no seu próprio guia.


Pessoalmente, cá em casa gostámos bastante mais do modo cooperativo do que o competitivo. A pressão feita pelas peças de Pista, que estiveram várias vezes muito próximas de acabar, acrescenta aquela vontade de fazer um bom trabalho em equipa e tentar recuperar as peças perdidas. E uma vitória partilhada sabe sempre melhor!


O modo competitivo é drasticamente diferente nesse sentido, pois a 4 jogadores cada um tem um baralho de apenas 3 cartas, o que mantém a duração do jogo nos 15/20 minutos, mas reduz o tempo de jogo individual de cada jogador e, consequentemente, o número de ações que podem ser tomadas ao longo da partida. Já a 2 jogadores, cada um tem 7 cartas no seu baralho e 2 na mão, o que acaba por se tornar uma “festa do rabisco” nos nossos materiais de ajuda, pois estamos sistematicamente a limpá-lo para apontar as cartas que nos chegam à mão.


Em relação à temática do jogo, ainda que fora do comum no mundo dos jogos de tabuleiro modernos, está muito bem implementada na personalidade das cartas. Todas as características correspondem à realidade dos textos Bíblicos, e todos os “Quirks” têm um fundamento textual. O manual tem também um resumo dos “Quirks” e uma pequena biografia dos 17 personagens, que ajuda a detalhar as diferentes personalidades destas pessoas. 



Para os fãs de jogos rápidos de dedução, este é sem dúvida uma opção a considerar fortemente!


Prós:

  • Temática pouco usual;
  • Modo cooperativo bastante satisfatório;
  • Bom exercício mental.
  • Modificador de jogo (“Quirks”) que traz uma dimensão totalmente diferente ao jogo.


Contras:

  • Ausência de um biombo para ocultar material de ajuda;
  • Modo competitivo muito rápido com 4/5 jogadores.

Disciple Detective Disciple Detective Reviewed by DICE Cultural on 10:00 Rating: 5

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