Harvest Moon: One World


Desenvolvido pelos estúdios da Natsume e da Rising Star Games, Harvest Moon: One World é a mais recente entrada numa longa e popular série que assenta sobretudo na simulação da vida agrícola. Contudo, e ao bom estilo nipónico, não se cinge a isso, uma vez que temos ainda alguns elementos de dating sim e JRPG pelo meio.

Em One World começámos por encarnar o papel de um protagonista que, como não podia deixar de ser, é silencioso. Podemos escolher se queremos ter um avatar masculino ou feminino, assim como escolher a coloração da pele e dos olhos do mesmo (e também o dia e a estação que queremos para o seu aniversário). De seguida, somos lançados para um pequeno tutorial, guiados pelo cientista louco local, Doc Jr (e um dos nossos aliados, no que diz respeito ao fornecimento de materiais de construção), que coloca a nossa personagem a aprender os básicos do ofício agrícola.

É precisamente nessa altura, e enquanto tentamos procurar cultivar um alimento que não seja apenas batata (a única comida que o nosso avatar e a sua mãe aparentemente tiveram acesso), que a nossa personagem vai entrar em contacto com uma espécie de fadas, as Harvest Wisps. Estas terão um papel extremamente relevante no decorrer da aventura. Para além destas coloridas fadas, o protagonista inadvertidamente liberta o espírito da Harvest Sprite of Life, Vitae. Será esta que nos irá revelar que existem mais cinco Sprites aprisionadas em medalhões por esse mundo afora e que será através da libertação de todas elas que a Harvest Goddess irá renascer. Num mundo atormentado por fracas colheitas e para um jovem que sonha encontrar diferentes tipos de alimentos e sabores, são óptimas notícias. Munido com uma sofisticada quinta portátil, cortesia de Doc Jr, o nosso herói ou heroína irá deixar a sua casa familiar e irá-se aventurar por esse vasto mundo, na companhia da festiva Vitae.



Essa é a base da história de One World, que nos apresenta uma vastidão de locais, que simbolizam as diferentes estações, para explorar, começando pela primaveril Calisson, conhecida pelas suas pastagens verdejantes e quinta de animais. Temos depois a veraneante área costal de Halo Halo, o tórrido deserto de Pastilla, a outonal paisagem de Lebkuchen e a invernal e quase inóspito território de Salmiakki. Todos esses locais têm as suas próprias vilas, características, fauna e flora, assim como um diferente cast de NPCs com os quais é possível interagir de forma constante. Cada uma das vilas tem ainda lojas, nas quais se podem adquirir suprimentos para a quinta ou mesmo comprar animais para o celeiro. Existe um veterinário que nos irá fornecer ração para os nossos animais, numa fase inicial, no entanto mais tarde teremos a habilidade de produzi-la nós mesmos. Algumas regiões têm ainda zonas de pesca e minas para explorar.

Temos a chamada Shipping Bin, uma caixa na qual podemos colocar os artigos que quisermos vender. A caixa pode ser enchida uma vez por dia, sendo recolhida pela simpática Samantha todas as manhãs. É da venda da nossa produção, agrícola ou recolectora, que iremos conseguir acumular a riqueza necessária para fazer mais investimentos na nossa quinta e com isso progredir no jogo em questão. De salientar que os NPCs humanos do jogo (há NPCs animais, selvagens e domésticos, com os quais é possível estabelecer contacto e amizade) serão também eles fundamentais para o nosso sucesso no jogo, uma vez que será ao concretizar os seus diferentes pedidos de auxílio, que nos irá possibilitar o acesso a novas áreas ou itens. Para além disso, é nestes humanóides que reside ainda a componente dating game do jogo. Ao bom estilo do Fire Emblem, é possível arranjar um companheiro/a, se o cortejarmos da forma adequada. Nomeadamente, através da oferta de prendas que vão de encontro aos seus gostos. 



Contudo, o suco do jogo assenta na gestão da vida agrícola, recolectora e mineira. Na nossa quinta, a Expando-Farm, teremos a possibilidade de cultivar diferentes vegetais e frutos, assim como produzir fermentos e comida animal, assim como criar animais (estes três numa fase um pouco mais avançada). A nossa Expando-Farm só pode ser estabelecida num local onde existe uma das outras criações de Doc Jr, o autómato Sparky. Este funciona através do processamento de comida e serve de gerador de energia da nossa quinta. Segue-se a limpeza do terreno arável (representado por pequenos quadrados) e a respectiva plantação das sementes (seguida da régua de água). As sementes, que são maioritariamente obtidas através das fadinhas de que falei acima, devem ser tratadas com atenção e cuidado. Uma plantação nas condições erradas podem significar uma colheita mais lenta e eficaz, algo que não convém de todo (atenção ao clima local).

Para compensar certas falhas no cultivo, podemos adicionar fermento (fácil de encontrar se tivermos animais à disposição). Para além de vegetais, é ainda possível cultivar diferentes tipos de árvores de frutos. Igualmente, e aqui continua a parte recolectora do jogo, podemos adquirir frutos das árvores já existentes no jogo e por vezes caídos no chão. Das árvores obtemos ainda madeira, que pode ser usada para reparar pontes (e com isso permitir acesso a outras zonas do mapa mundo) e construir itens com os quais embelezar a nossa habitação (entre outras coisas).

Contudo, não apenas de enxada e machado vive o jogo, uma vez que também temos o celeiro. Nele podemos ter diferentes tipos de animais, que devem ser tratados com carinho, se queremos mantê-los saudáveis. São eles cavalos, galinhas, ovelhas e vacas, sendo que ao jogador compete a tarefa de escovar o animal, alimentá-lo, deixá-lo pastar quando estiver bom tempo e limpar o celeiro. Em troca, teremos acesso a outros tipos de produtos, como é o caso de ovos, leite e lã. Todos eles são vendáveis ou utilizáveis na nossa cozinha (Podemos criar os nossos próprios pratos, uma forma de nós próprios nos mantermos saudáveis). Existe ainda a possibilidade de ter o nosso próprio animal de estimação. A nossa casa é a última parte da quinta. É no seu interior que temos o ponto save (representado pela cama), um livro de informação (que aponta cada item novo), uma gaveta (para guardar bens não perecíveis e não alimentícios) e um frigorífico (para acumular vegetais e frutos cultivados).



Fora das imediações da nossa quinta e para além das vilas e dos pedidos dos NPCs, temos muitas outras coisas para fazer. A atividade recolectora não se cinge à recolha de sementes das fadas ou de madeira e outros produtos das áreas selvagens, mas também inclui a procura por diferentes tipos de minerais. Podemos limitar-nos a destruir as pequenas rochas que encontramos pelo caminho para obter pedra ou aventurar-mo-nos nas profundezas das diferentes minas presentes no jogo. Fazendo uso da nossa picareta e força braçal, podemos obter ferro, cobre, prata, diamantes, entre muitas outras coisas, que mais tarde podem ser vendidas ou usadas na quinta. Igualmente ao nosso dispor estarão lagos e rios para pescar e inúmeros festivais nos quais será possível participar.

Contudo, embora tudo isto pareça emocionante, temos que escolher bem onde devemos focar as nossas energias. É aqui que entra a nossa barra de stamina. Representada por corações (apenas quatro de início), esta irá diminuir conforme as atividades que formos fazendo (incluindo a deslocação da personagem), o que nos irá limitar um pouco, estabelecendo-se como o nosso principal adversário num jogo desprovido de inimigos físicos. Se ficarmos com os corações reduzidos a zero, a nossa personagem irá colapsar e demorar um ou mais dias a recuperar a força normal, por isso nada de excessos. Uma forma de restabelecer a barra de stamina passa por uma boa noite de sono na nossa cama. Devemos ter em atenção também, o facto de certos climas, por serem demasiado extremos, poderem reduzir a nossa stamina a um passo mais acelerado. Neste caso, serão os diferentes pratos culinários que irão fazer a manutenção da nossa resistência. A evitar o trabalho nocturno, uma vez que quando escurece em One World fica mesmo escuro.



A nível gráfico, o jogo apresenta texturas simples, bem definidas, com cenários cheios de cor e caráter. Aos cenários bucólicos adicionam-se as pitorescas personagens que iremos encontrar, num jogo bastante relaxante e tranquilo, no qual até a própria música nos parece embalar para aquelas pastagens verdejantes de um mundo semi-industrial. O jogo que poderia tornar-se monótono e repetitivo pela temática e por toda a deslocação pedonal inicial da nossa personagem, não o é. Para isso contribui e muito a existência de um mapa e menus para nos guiarem, assim como de diferentes actividades, que em muito ultrapassam o mero cultivo.

Um título bastante interessante, sobretudo para quem quiser relaxar um pouco das preocupações do mundo corrente.

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo.

Harvest Moon: One World Harvest Moon: One World Reviewed by Ivo Silva on 09:00 Rating: 5

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