Final Fantasy VII

Se há nome que marcou toda uma geração, que deu a conhecer o género RPG ao ocidente enquanto os introduzia numa clássica série japonesa, foi Final Fantasy VII. Foi um fenómeno, todos falavam no mesmo enquanto se aventuravam num género que era pouco ou nada jogado por cá, enquanto partilhavam os seus momentos marcantes no jogo ou dicas e estratégias para derrotar os bosses mais difíceis. Um título tão marcante que o género RPG ficou a ser conhecido como "Final Fantasy" para muitos novos jogadores. Praticamente 22 anos depois o jogo chega à Nintendo Switch e Xbox One, na sua versão remasterizada já presente para PS4 e PC, e vejo-me a joga-lo novamente na Switch. Um lançamento talvez icónico, já que foi o primeiro jogo da série a não sair numa consola Nintendo, embora o seu desenvolvimento estivesse planeado para a Nintendo 64 inicialmente.



Regresso a Midgar, a Cloud e companhia, numa aventura para salvar o mundo da Shinra, Sephiroth e de todo um conjunto de criaturas gigantes que têm como objetivo... proteger o mundo. A história complica-se a meio. É uma aventura muito bem passada, cheia de surpresas e personagens que vão aparecendo umas atrás das outras em que vamos descobrindo mais sobre eles ao longo da história. Desde o momento que inicio o jogo vêm-me à memória a primeira vez que o joguei: o ataque ao Reactor, a destruição de parte de Midgar, a consequente fuga da cidade e a exploração do mundo, são memórias ainda muito vivas e que mantêm o sentimento épico da altura.

Há muito por onde explorar no jogo, locais secretos espalhados pelo mundo fora mas que em nada nos distraem da aventura principal, que mesmo sendo linear (vai de local A a B e por aí em diante) há pequenos desvios que nos ajudam a perceber um pouco mais sobre a história do mundo, principalmente a devastação gradual que Shinra tem causado e o seu domínio global. Temos uma boa mitologia para explorar, parte dela escondida em side-quests juntamente com personagens opcionais que nos desbloqueiam ainda mais história. O desenrolar da narrativa leva-nos à eminente destruição do mundo, uma temática muito vincada na série, temos de lutar contra essa tragédia e os momentos finais dão-nos uma sensação de desespero, que o tempo está a acabar.


No seu lançamento era o Final Fantasy mais futurista alguma vez feito, a grande aposta nos full-motion videos davam toda uma nova vida à série, mas em ponto algum era esquecida a fantasia e o aspeto quase medieval que a série tinha vindo a desenvolver. Há criaturas divinas para enfrentar tal como experiências genéticas bizarras, andamos de mota, carro e submarino, mas continuamos a ter chocobos (para criar até!) e um barco voador à nossa espera, a essência da série está bem vincada mesmo quando tentaram ser o mais realista possíveis, na altura. Os cenários pré-renderizados dão bastante vida ao jogo e, mesmo que a adaptação para o HD não seja a melhor, não temos a sensação de estar tudo "desfocado" que encontramos na versão HD de Final Fantasy IX. A banda sonora embeleza todas as partes do jogo, continua memorável como sempre.

O sistema de batalha por turnos não é o mais complexo, de longe, mesmo comparando com Final Fantasy VI este é mais simples, embora tenha muitas semelhanças. Aqui os personagens não têm habilidades próprias e fora os seus Limit Breaks, todas as habilidades são equipadas através do sistema de Matéria, onde recebemos pontos de experiência que nos desbloqueiam novas habilidades. Habilidades que mudam o ataque, nos permitem usar todo um arsenal de magias, efeitos secundários e até mesmo summons, há imensas combinações possíveis para equipar o trio de personagens que temos à disposição na equipa. Não existem os tradicionais Jobs e embora alguns personagens sejam mais ou menos aptos para magia, ou ataque, podemos customiza-los à vontade e sem limitações. Aos poucos vamos recebendo novas Materia, experimentando combinações (algumas delas devastadoras) e desenvolver estratégias que parecem quebrar as regras do próprio jogo. Não é um jogo difícil, de todo, coisas como Poison, Sleep ou outros estados que nos colocam em perigo, desaparecem sempre ao final do combate, mas dito isto existem super-bosses realmente desafiantes que dá um gozo tremendo derrotar.


Existem alguns problemas neste lançamento na Switch: problemas já existentes como o reset da música ao sair de uma batalha não foram corrigidos, há um (muito) breve ecrã preto que surge depois dos full-motion videos e, embora não o tenha encontrado, há um bug no início do jogo que nos obriga a recomeçar o mesmo. Mas ao mesmo tempo desaparecem as bocas estranhas que estão presentes em muitos personagens (secundários), como é o caso de Jessie que está sempre de boca aberta na PS4. Há uma sensação de port "fácil e rápido", mas que ainda assim é difícil não recomendar a compra do jogo, quer seja para matar saudades ou até mesmo para ficarem a perceber um pouco mais do furor que existe à volta deste capítulo, na história da série. Em contrapartida temos ajudas que fazem o jogo correr ao triplo da velocidade, vida e Limit Break ao máximo e ainda a possibilidade de não ter random battles.


Sem quaisquer margens para dúvidas este é o menino de ouro da SquareEnix, os spin-offs que surgiram do jogo e a longa metragem de animação praticamente tornaram Final Fantasy VII numa série em si, onde mais que esperado remake é um dos jogos mais aguardados do momento. Explorar novamente este jogo na Switch dá-me muito gozo, tendo-o jogado muito em modo portátil mas assistindo às sequências principais do jogo na TV. Um jogo memorável, agora disponível em todo o lado.

Nota: Esta análise foi efetuada com base numa cópia digital adquirida pelo autor do artigo, para a Nintendo Switch.
Final Fantasy VII Final Fantasy VII Reviewed by Nuno Mendes on 13 maio Rating: 5

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