Genesis Noir


Já nos aconteceu a todos: estar a ver um filme, ler um livro ou, tal como no meu caso, jogar um jogo e, no fim, perguntar-nos a nós mesmos “Mas que raio acabei eu de assistir?!”. Pois bem, essa foi exatamente a sensação que tive quando terminei Genesis Noir, um thriller cósmico do estúdio Feral Cat Den. Se me perguntarem em que consiste o jogo, teria sérias dificuldades em explicar de forma compreensível e, quiçá, esse era exatamente o objetivo dos criadores do jogo – criar uma experiência tão psicadélica e única que apenas quem a jogasse poderia assimilá-la na sua plenitude.



De uma forma geral, e sem querer entrar por muitos pormenores, Genesis Noir funciona como uma espécie de alegoria para a criação do universo e da vida, envolto numa narrativa e estilo gráfico tipicamente noir, que inclui um detetive, uma femme fatale e um crime – daí o seu nome, Genesis Noir. Por que razão foram estes dois planos cruzados? Não sei explicar, mas posso garantir que resultam estranhamente bem, especialmente de um ponto de vista estético. O jogo toca em praticamente todos os pontos relacionados com a nossa existência e trata-os com uma reverência fora do comum: um dos momentos está claramente relacionado com Adão, Eva e a serpente; noutro, é necessário ligar aquilo que parecem átomos de maneira a criar moléculas; uma parte do jogo coloca-nos em contacto com povos aborígenes primitivos; outros fazem menção às culturas egípcias, indiana e asiática; existe até uma secção bastante extensa onde temos de ajudar uma cientista a construir um Grande Colisor de Hádrons!



Na escala entre videojogo e filme, presumo que Genesis Noir esteja mais inclinado para o segundo. Tratando-se de um point-and-click, tudo aquilo que é preciso fazer é vasculhar o ecrã à procura do item com que precisamos de interagir, permitindo-nos assim progredir na história. Em termos de gameplay, Genesis Noir é bastante diminuto mas, visualmente, o caso muda completamente de figura. O jogo é LINDO (sim, as maiúsculas são propositadas), com animações tão bem feitas que parecem retiradas de um mega estúdio de Hollywood. A palete de cores utilizada, que consiste em apenas em meia dúzia de cores, os traços grossos que delineiam as personagens e os ambientes, a animação frenética e hipnotizante que muda constantemente de cena para cena são simplesmente surpreendentes e a Feral Cat Den merece os mais sinceros parabéns na criação de algo tão elegante.



Infelizmente, o jogo tem problemas gravíssimos – entristece-me ter de os mencionar, já que o jogo é realmente muito bom por si mesmo, mas tendo em conta que resultou em algumas das maiores frustrações que alguma vez tive a jogar um videojogo, era impossível não o fazer. Jogando na Switch, deparei-me com um puzzle que me obrigava a ligar uma série de pontos (que presumo que sejam átomos). Ora muito bem: eu liguei os pontos, mas nada aconteceu. Tentei desfazê-los, para os ligar de outra forma, mas o jogo não me permitia. Reiniciei Genesis Noir uma série de vezes, jogando a mesmo secção repetidamente, e sempre com o mesmo resultado. Numa estreia no meu trabalho como reviewer, vi-me obrigado a contactar a produtora, que me explicou que estava ciente do problema e que um patch já vinha a caminho. Felizmente, ofereceram-me uma solução que resultou.

Mas este não foi o único incidente que tive com o jogo: numa segunda estreia na minha vida, o jogo crasha repentinamente na minha Switch, onde me aparece uma janela a perguntar se pretendia enviar o relatório de erro para a Nintendo. Foi verdadeiramente devastador ter este problema após aquele mencionado no parágrafo anterior e espero realmente que ambos sejam resolvidos para que os jogadores possam vivenciar Geneis Noir da maneira certa.



Genesis Noir não deixa, no entanto, de ser um jogo muito curioso, e no bom sentido. A natureza cósmica e metafísica da sua narrativa, a forma como se liga à história humana, a animação e até mesmo a música dão vida a cada um dos momentos do jogo, mesmo que às vezes possa ser um pouco confuso. Não é um jogo longo, e algumas secções são um pouco simplistas demais para o seu próprio bem, mas Genesis Noir também apresenta muita criatividade não só nos quebra-cabeças mas na forma como os mistura com o tema do jogo. Para quem gosta de uma boa aventura point-and-click e não se importa com a temática mais cerebral do jogo, então Genesis Noir é sem dúvida uma adição muito catita no catálogo da Switch. Mas esperem até que um patch seja lançado!



Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Evolve PR.

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