Paradise Lost


Uma história interativa sobre a descoberta de quem somos, num ambiente eslávico altamente impactado pelos Nazis.

Fechamos uma porta de ferro atrás de nós. Lá fora neva. Estamos perante aquele que poderia ser qualquer cenário pós 2ª Guerra Mundial nos países mais a Este na Europa. O edifício em si, claramente um bunker subterrâneo, o ferro e a ferrugem permeiam o ambiente, os corredores apertados e as portas com metralhadoras para o caso de uma visita indesejada. 

O nosso personagem persegue uma fotografia deixada pela mãe. Nela, podemos observar unicamente um homem desconhecido, ela própria e um símbolo que nos indica onde foi tirada. Não só isso, mas a entrada de cada capítulo começa com uma palavra, que para os familiares com certos processos dolorosos será familiar e que pauta o teor da história contida. Começando a nossa exploração do bunker vamos encontrando documentos e outros objetos que nos vão contando a história da sua criação e declínio. O 1º documento pauta logo o tom geral, um documento com ordens militares com uma suástica e uma saudação final de fazer engolir em seco. 



Pouco depois encontramos alguém que, tal como nós, se perdeu naquele sítio e quer sair. A par da nossa missão pessoal vamos procurando essa pessoa que nos vais guiando e ajudando a progredir naquele labirinto abandonado. Entre as notas pessoais e documentos oficiais é-nos contada a história de um plano que poderia perfeitamente ter sido real; um plano de evacuação dos melhores e mais brilhantes para criar um reino infinito subterrâneo e eventualmente voltar e derrotar todos os inferiores. Juntando a isto os flashbacks da nossa mãe e os diálogos com o nosso "companheiro" pintam uma narrativa bastante densa. As perspetivas diferentes de cientistas, militares e civis e as reacções dos mesmos ao desenrolar dos acontecimentos passados pinta-nos um cenário quase palpável. 

Sendo uma história fictícia, eventualmente desenvolve para uma componente mais de ficção científica que alinha com muitos dos rumores sobre os projetos secretos das SS e das altas patentes. A maneira como se imiscui com a história do nosso personagem e do alguém que nos vai ajudando está fenomenal ainda que algo óbvia. Nalgumas interações somos levados a escolhas que  influenciam o desenrolar da narrativa e as possibilidades dos vários finais. No entanto, as escolhas são poucas e ainda que com um impacto real, na história e ambiente, não justificam o voltar a fazer tudo de novo para observar um final diferente.

A banda sonora e os efeitos estão soberbos, a tensão é palpável em todos os momentos e a ausência de tudo que não ambiental constrói uma atmosfera de tensão. Os cenários estão bem conseguidos e transmitem o ambiente esperado de um projeto megalómano nazi. As vozes estão bem conseguidas e as emoções são fáceis de compreender. O teor do jogo, como quase tudo que envolve o regime nazi, toca em noções de experimentação humana, genocídio, supremacia racial. Ainda que visualmente, fora simbologia como suásticas, não haja nada demasiado gráfico os textos e diálogos relativos conseguem ser perturbadores.


Uma boa história, que beneficiaria de mais alguma complexidade e interactividade na progressão, por vezes perturbadora devido ao realismo conseguido por todo o ambiente.


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Xbox One, gentilmente cedido pela All in! Games
Paradise Lost Paradise Lost Reviewed by Bruno Santos on 09:00 Rating: 5

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