A "febre" dos Roll & Write


 Artigo escrito por Bruno Maciel.


Quando foi a última vez que a vossa cabeça "explodiu" ao jogar um jogo de tabuleiro? Quando falo em explosão, falo metaforicamente, é claro. A mim aconteceu há cerca de 3 anos atrás, quando relutantemente cedi à pressão que todos os entusiastas deste hobby faziam em relação a um jogo, acabadinho de ser lançado, cujos componentes eram apenas dados (!), folhas de papel e uma caneta.

O jogo era o Ganz Schon Clever (ou Optimus na versão portuguesa) e a premissa do jogo é bastante simples: lanças 6 dados, cada um com uma cor e escolhes 3 desses dados. A cor de cada dado corresponde a uma secção específica do "tabuleiro" (uma folha de papel) e cada secção tem diferentes regras e critérios de pontuação. No entanto, todos estão interligados e determinadas ações numa determinada secção desencadearão bónus e ações extra noutras secções, com um efeito de cascata, em que uma só ação poderá levar um "sem número" de ações extra! 
Bem, a minha intenção não é a de explicar o jogo, mas sim de partilhar a sensação de satisfação que um jogo tão simples e fácil de se jogar me provocou. Lembro-me de ter jogado pela primeira vez e ter pensado duas coisas: a primeira? Porque é que esperei tanto tempo para o experimentar?!? A segunda? Como é que este jogo só foi inventado agora? Como é que algo tão simples e ao mesmo tempo tão genial só foi lançado agora (2018)? Como é que um jogo tão simples consegue, ao mesmo tempo, ser tão desafiante, num curto espaço de tempo?
Todas estas perguntas ecoaram na minha mente durante dias. De facto, o jogo despertou-me para uma série de jogos que já existiam, mas que nunca tinham tido o reconhecimento e a exposição que este teve.

Desde então, saem dezenas de Roll & Write mensalmente. Talvez esteja a exagerar, mas o sucesso destes jogos foi tão grande que as editoras pegaram em títulos conhecidos de jogos que lançaram no passado e dezenas de adaptações foram realizadas na esperança de apanhar o comboio do histerismo que o Ganz Schon Clever provocou.
Na verdade, poucas foram as adaptações felizes. Ainda assim, este género revolucionou o mercado e seja com dados, ou com cartas, a mecânica é um sucesso e vendável. Vejamos, com poucos componentes e com um custo de produção reduzido, o preço a que estes jogos são vendidos é bem simpático para o consumidor final; Por norma, são jogos com uma complexidade baixa e que permite a inclusão de jogadores com diferentes tipos de experiência. Mais, muitos destes jogos permitem que um número elevado de jogadores possam jogá-lo, sendo o limite o número de folhas que a caixa trouxer.

Outros jogos vieram e reiventaram a mecânica que, não tendo sido o Ganz Schon Clever a criar, foi este que a popularizou. Com algumas alterações aqui e ali, parecem jogos completamente diferentes e capazes de oferecer experiências únicas, mas que ao mesmo tempo parecem familiares. 
Cartographers é, talvez, o expoente máximo da adaptação da mecânica, com nuances muito próprias que o diferenciam no mercado.


Os dados são substituídos por cartas e o objetivo é cartografar uma região, havendo critérios de pontuação comuns a cada jogador. Nomeado para alguns prémios, é um dos jogos mais populares do género.


Outro jogo dentro deste género que recomendo e que fez as delícias de quem o jogou comigo é o Welcome To. Com cartas, mas novamente, com uma folha de papel e caneta, o objetivo é arquitetar um conjunto de bairros de forma eficiente. Aqui a mecânica diferenciadora prende-se com a regra de numeração crescente, o que torna o jogo altamente desafiante. Mas, repito, é um jogo como os anteriores, bastante acessível e de fácil compreensão para um vasto tipo de jogadores.

Quando penso nas perguntas que martelaram o meu cérebro naquele momento, compreendo a razão do sucesso que estes jogos granjeiam pela comunidade, mas também porque é que é tão difícil fazer um jogos destes, apesar de parecer tão simples. A dificuldade é mesmo... fazer um jogo simples! Um jogo simples que é, ao mesmo tempo, um desafio satisfatório. A genialidade está mesmo em conseguir juntar todas estas pontas soltas e apresentar um produto que é simples e viciante. 

Se saem demasiados Roll & Write (Paper & Pencil) no mercado? Sim, sem dúvida! Mas, hoje temos acesso a tantos meios de informação que nos ajudam a separar o trigo do joio, portanto... que venham mais e melhores!

Outros jogos dentro deste género que posso recomendar são o Rome & Roll (mais complexo e longo) e o Trails of Tucana (familiar e oferece uma experiência semelhante à dos 3 primeiros jogos que referi no artigo).

E vocês? Porque esperam para experimentar um destes jogos? Já experimentaram? São fãs do género? Quais os vossos preferidos? Partilhem as vossas opiniões e convençam-me a comprar o novo Roll & Write!

A "febre" dos Roll & Write A "febre" dos Roll & Write Reviewed by DICE Cultural on 10:00 Rating: 5

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