Oddworld: Soulstorm


Após anos de espera, Abe faz o seu regresso com o novo jogo Soulstorm que dá continuidade ao primeiro jogo da série em termos cronológicos. Abe é venerado por todos da sua raça (os Mudokons) por salvar a sua raça da exterminação nas fábricas de Rupture Farms mas, a história não acaba aqui, tal como é referido inicialmente, isto é apenas o começo e assim sendo, Abe é determinante para a sobrevivência de todos os Mudokons.


Em termos de narrativa, faz muito mais sentido se jogaram/jogarem o primeiro título, seja ele Abe’s Oddyssee ou o seu remake New’n’Tasy, no entanto tudo é devidamente explicado para aqueles que estiverem pela primeira vez em contacto com Abe em Soulstorm. No fundo, o objetivo é salvar os Mudokons que se encontram perdidos para escaparem da ameaça dos responsáveis pela sua escravatura, a malvada corporação gerida pelos Glukkons.

A história é contada com algumas cut-scenes que estão simplesmente de cair o queixo, incluindo a voz original de Abe que após todos estes anos, está de volta e carisma não lhe falta, de todo. Os próprios Mudokons com os seus olhos enormes e as suas engraçadas expressões faciais tornam as sequências de vídeo dignas de um filme de animação 3D de Hollywood.


Todos estes aspetos estão muito bem, mas no fundo, o importante, é realmente a jogabilidade cujo o jogo exige imensa paciência e total controlo sobre Abe e não só, os Mudokons que devem seguir as nossas direções, mas nem tudo corre bem infelizmente e como tal, iremos referir os prós e contras de Soulstorm.

Para quem nunca jogou nenhum dos clássicos, este é um jogo de plataformas sidescrolling, Soulstorm é na verdade 2.9D, jogado em plano 2D como um Super Mario clássico mas com câmaras dinâmicas que tanto podem estar a apontar para a personagem de frente como debaixo ou de lado quando este sobre certas plataformas para que a experiência seja mais cinematográfica e o jogador possa reparar nos detalhes visuais dos cenários em que passa enquanto progredi.

A jogabilidade tem os seus problemas, diria que os clássicos, apesar de terem mais de 20 anos, contam com uma jogabilidade melhor. Neste título, Abe tem a capacidade de executar um salto duplo, isso vai ajudando a ultrapassar alguns obstáculos, no entanto algumas vezes, para chegar a locais Secretos, é preciso saltar para fora do alcance de uma plataforma e de imediato virar e dar o salto duplo para conseguir alcançar a plataforma pretendida, chega a ser extremamente frustrante, mas, e se evitarmos os locais secretos e seguimos calmamente a narrativa? O problema é que mesmo para subir ou descer algumas plataformas, Abe caminha para o lado oposto, é realmente uma jogabilidade inconstante mas pior, só mesmo a IA.



 

Jogar com Abe é uma questão de hábito mas o comportamento dos Mudokons e até dos próprios inimigos consegue por momentos ser imperdoável e sublinha-se de forma carregada. Muito resumidamente, Abe terá de salvar os Mudokons e dar instruções como “Venham daí” ou “Fiquem aí”, a mecânica é simples e quem jogou os jogos antigos pode até estar tranquilo pois Soulstorm é de longe extremamente simples mas infelizmente, o problema é dar o comando para esconder e um ou outro Mudokon ficar estático e o óbvio sucede, o inimigo prende-os. Outro pormenor é soltar estes Mudokons que são atados pelas cordas dos inimigos, os comandos não respondem corretamente e acabamos por levar um tiro à queima roupa quando já estávamos a pressionar vezes sem conta para despachar o assunto e esconder de imediato. Se existem estes momentos de extrema frustração, pior só mesmo estarmos à espera que um inimigo faça o seu percurso de vigia e assim do nada, ficar congelado num local em que o jogador é impossibilitado de avançar, se avançar, morre, se não avançar, pode deixar o jogo durante horas que o inimigo não vai mexer um músculo, assim sendo, é preciso reiniciar o último checkpoint e nada mais há a fazer, extremamente frustrante.

As novidades são várias, desta vez podem realizar pickpockets aos inimigos, loot a caixotes do lixo e cacifos para recolher recursos. Esses recursos servirão para crafting de armas, desde bombas para atordoar como para criar fumo, bolas de borracha para atirar aos inimigos e muito mais. Já o Quarma (Karma), não é novidade e o jogo conta com dois finais diferentes, dependendo de quantos Mudokons salvarem no playthrough, as ações vão influenciar o final. Se o jogador pretender repetir níveis nos quais perdeu Mudokons, no menu podem escolher a opção Level Select e regressar ao nível onde a perda de Mudokons foi maior e até para conquistar badges.


 

O jogo teve lançamento para PC, PS4 e PS5, existindo a diferença de performance entre as duas consolas, na PS4 corre a 1080p 30fps já na PS5 e PC o jogo corre a 1440 60fps e na PS4 é possível notar que por vezes, a entrar ou a sair de uma gruta, o jogo parece estar prestes a crashar onde até o som falha, no entanto acabou por nunca acontecer. Neste momento o jogo necessita de um patch no qual está a ser trabalhado que irá corrigir a perda de dados salvos, coisa que (felizmente) não experienciamos durante esta análise.



Infelizmente, Soulstorm podia estar muito melhor, contando com tantas falhas que é difícil destacar-se pela positiva. No entanto, para os fãs da série Oddworld, acaba por ser interessante o regresso de Abe devido ao seu humor e carisma mas, já não tem o encanto que antigamente tinha.

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a PS4, gentilmente cedido pela Redner PR.

Oddworld: Soulstorm Oddworld: Soulstorm Reviewed by Patrício Santos on 09:00 Rating: 5

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