KnifeTank: The Shuffling

Artigo escrito por César Mendes

Gostas de vez em quando de um jogo em que apenas dás tareia aos outros e em que o teu pensamento está apenas focado em “mata… mata… mata!”? Então KnifeTank é para ti e podes andar com ele para todo o lado caso te dêem repentinamente esses instintos homicidas.

KnifeTank é um jogo com cartas para 2 ou 4 jogadores recomendado para 12+ anos e que se joga em 15m-30m, sendo desenvolvido pelo Doctor Popular e com arte da ilCorvo Artworks. Foi publicado em 2020 pela Doctor Popular Toys & Games.

Este jogo utiliza como principal mecânica Area Movement, onde cada jogador tem um tanque e vai mover esse tanque até ao outro lado da arena de combate ou derrotar os seus inimigos de forma a ganhar o jogo.

KnifeTank é um jogo de 1vs1 ou 2vs2, onde o objetivo é marcar 2 pontos antes do outro adversário. Existem duas formas de marcar 1 ponto, chegando ao lado inimigo da área de jogo ou derrotando um tanque inimigo. Para isto, os jogadores vão fugir ou perseguir os inimigos usando cartas para se moverem, atacarem ou através de algumas ações especiais que irei explicar mais à frente.


Como se Joga

Cada jogador (ou equipa de jogadores) começa de um lado da mesa de jogo. A mesa deve de ter um espaço mínimo de 10 cartas cada lado. A borda da mesa é o local de partida do jogador. Cada jogador irá escolher um tanque e receber uma mão de 5 cartas.


O jogo desenrola-se em várias rondas até um dos jogadores (ou equipa) pontuar 2 pontos. Nessa altura, o jogo acaba imediatamente e essa equipa ganha.

Cada ronda é composta pelas seguintes fases:

Todos os jogadores escolhem uma carta da sua mão para jogar e colocam na mesa voltada para baixo.

Simultaneamente, mostram as cartas escolhidas e estas são jogadas na seguinte ordem consoante o tipo de carta jogada:

o Cartas de movimento

o Cartas de ataque

o Cartas especiais

Após resolver todas as cartas, e se o jogo não terminar, cada jogador tira uma carta nova e começa uma nova ronda.


Movimento

O sistema de cartas está bastante inteligente e muito simples de utilizar. Ao jogar uma carta, iremos ter um sistema que nos permite avançar com o tanque na direção indicada na carta de movimento ao posicionar uns quadrados brancos e amarelos, retirando a carta de tanque e colocando-a na posição de um outro símbolo que parece um ponto de exclamação.


Se após todos os movimentos terem sido feitos, dois tanques se tocarem, estes vão verificar qual o dano que será feito, da mesma forma que é resolvido o ataque, e que explicarei já de seguida.


Ataque

Para atacar, o jogador coloca uma carta de ataque da mesma forma que para o movimento, mas esta é colocada num círculo colorido que existe na carta tanque, a carta pode mover-se 360º nesse círculo de forma a tocar no adversário. Se algum ponto da carta de ataque toca no tanque do adversário, então é feito um ataque.

Um ataque é feito verificando os números na carta de ataque. Retiramos as cartas correspondentes aos números ou símbolo “*” na carta de ataque, baralhamos e damos ao jogador que defende a possibilidade de escolher uma carta. O número na carta representa o dano causado, e o símbolo “*” corresponde a um stun, ou seja, o jogador ficará imobilizado e sem jogar durante uma ronda.

Estamos mesmo a ver grandes discussões se as cartas (tanques) estão a tocar uma na outra. 😊


Cartas Especiais


Temos várias cartas especiais, que são no fundo formas diferentes de tentar dar a volta ao jogo, que, muitas vezes (se forem como eu), pode correr mal para vocês ou para a vossa equipa. Temos cartas em que iremos soprar do fundo da mesa para tentar que o nosso tanque toque numa carta do adversário (isto corre sempre tão bem!), ou minas que colocamos na mesa, mas que são largadas de uma altura de 30cm da mesa, ou atirar a carta para o meio da mesa para ver se toca no adversário, entre outras igualmente interessantes e tornam o jogo muito divertido.

NOTA – A carta de soprar pode ser retirada do jogo, como recomendado pela DGS.


Final do jogo

O jogo termina quando um jogador (ou equipa) fizer 2 pontos por derrotar um adversário (1 ponto) ou por chegar ao lado da mesa do adversário sem a carta cair pela borda da mesa (1 ponto).


Opiniões finais

Como opinião final, irei basear-me no sistema D.I.C.E., onde irei tocar os tópicos de Dinâmica, Inovação, Continuidade e Entretenimento.

Dinâmica

KnifeTank é rápido e divertido, embora por vezes possa ser um pouco stressante se entrarmos no jogo do gato e do rato com o adversário, levando a que este se estenda para além do desejado.

Como é esperado neste tipo de jogo com mais confronto, existe uma grande interatividade entre jogadores, se forem atacar, ou uma sensação de corrida contra o tempo, se ambos forem tentar chegar ao outro lado da mesa.

As rondas são extremamente rápidas e o jogo evolui muito bem, dando alguma flexibilidade para mudanças de estratégia se o jogo não estiver muito avançado.

Apesar de ser um jogo com regras simples, tive um pouco mais de dificuldade em perceber algumas das regras, tendo mesmo de ir ver alguns vídeos, e mesmo assim houve situações em que não ficámos totalmente esclarecidos. O livro de regras podia ser mais bem escrito e mais gráfico, principalmente com as cartas especiais.


Inovação

Fiquei muito surpreendido com a originalidade do uso das cartas, e da sensação de que temos um jogo bem mais completo do que parece à primeira vista quando olhamos apenas para um baralho de cartas.

A forma original de mover o tanque ou de atacar, e até mesmo cada carta especial, torna KnifeTank numa surpresa, numa altura em que temos jogos cada vez maiores e com mais componentes para satisfazer os olhos dos jogadores.


Continuidade

Este é o meu maior problema com o jogo. Damos a volta ao baralho muito depressa e estamos sempre a ver as mesmas cartas, o que, ao 3º jogo consecutivo se torna chato e pouco satisfatório. 

O jogo está facilmente feito para receber expansões de forma simples e acessível, basta adicionar mais cartas especiais, algumas armas ligeiramente diferentes ou mesmo tanques diferentes para dar maior variedade e continuidade ao jogo. 

Não será um jogo para jogar intensivamente, mas para algo menos regular ou para início de noite é uma boa opção. Apesar de não termos poderes variados em cada tanque, estes são suficientemente diferentes para termos estratégias diferentes.


Entretenimento

Quando recebi este jogo, admito que fiquei algo desinteressado nele, pois era algo que não é bem o meu tipo de jogo nem dos grupos com que normalmente jogo. Mesmo após aprender as regras não fiquei muito entusiasmado, e por essa razão fiquei muito surpreendido como este jogo funcionou lindamente na mesa. Divertimo-nos mesmo muito após tirar algumas dúvidas da frente, e não houve noite nenhuma que não tenhamos jogado o KnifeTank 2 ou 3 vezes seguidas, o que diz muito sobre um jogo.

Houve algumas situações em que o jogo se arrastou, ou que a escolha da estratégia com o tanque que temos não funcionou. A minha mulher não achou tanta piada ao KnifeTank porque escolheu mal a estratégia tendo em conta o tanque que utilizava, algo que é minimizado quando mais jogas.

Mas tivemos um momento de grande “risota” em que tivemos alguma dificuldade em fazer o poder das cartas especiais. Uma das vezes estivemos 5 minutos até que toda a gente parasse de rir para que uma pessoa soprasse nas cartas, e acreditem que algumas das cartas especiais vão proporcionar alguns momentos como este.


Em resumo, o KnifeTank não é um jogo brilhante ou que todos temos de ter na coleção, mas surpreendeu bastante com a genialidade da utilização das cartas, dando uma sensação de um jogo mais completo do que pensamos ser, olhando apenas para um baralho de cartas.


KnifeTank: The Shuffling KnifeTank: The Shuffling Reviewed by DICE Cultural on 10:00 Rating: 5

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