Antevisão – Dirty Money: The Money Laundering Game

Artigo escrito por Marco Silva

Dirty Money é um novo jogo de cartas lançado por um estúdio de Singapura chamado Capital Gains Studio, que se tem focado em criar jogos inspirados nos diferentes aspetos do mundo dos mercados financeiros.

A nossa equipa teve acesso a uma sessão de jogo privada com um dos criadores, e produtor deste jogo, Xeo Lye, que esteve a explicar-nos o jogo e a jogar connosco, numa sessão completa e muito divertida. 

Tivemos uma sessão a 4 jogadores, mas o jogo pode ser jogado de 2 a 5 jogadores. Não é um jogo nada complexo de explicar, e a iconografia ajuda imenso, pois é muito simples de entender, e o Xeo explica o jogo bastante bem. Com a explicação e setup, e muita conversa à mistura, a sessão de jogo ocupou-nos pouco mais de 1 hora.

Falando-vos um pouco sobre o jogo, é exatamente o que o título sugere, os jogadores são magnatas que querem ganhar dinheiro, muito dinheiro! E nem sempre seguimos o caminho mais legal para o fazer, então temos de conseguir lavar dinheiro “sujo”, que vamos ganhando dos nossos negócios menos lícitos, e convertê-lo em bens, que no final do jogo nos vão dar pontos, sem que no processo sejamos apanhados a fazer essa mesma lavagem de dinheiro.

O jogo tem um conjunto de características muito interessantes, como é o caso de as cartas de dinheiro terem 4 tipos de moedas, Yen, Euros, Dólares Americanos e Cripto-moeda. Os diferentes tipos de moedas só podem ser gastos em cartas dos seus países respetivos, expeto a cripto-moeda que pode ser gasta em qualquer localização. Durante o jogo, cada jogador tem de escolher que localização quer visitar, para poder tirar partido da ação única dessa localização, e gastar o seu dinheiro, mas, em cada turno, apenas um jogador pode viajar para uma das localizações, pelo que cria aqui uma competição no mercado de ações disponíveis, mas também pelo dinheiro que temos na mão, pois se temos muitos Yens e não temos como os gastar, isso pode-se tornar muito perigoso para o nosso jogo.

As localizações possíveis são no fundo o país ou região de cada moeda, e a república das bananas, mas dependendo do número de jogadores, passam a estar em jogo localizações adicionais, como o mercado negro e a casa de leilões. É aqui que o jogo se torna mesmo muito interessante, porque, dependendo das cartas que tenho na mão (que é o dinheiro que tenho disponível), vou ter preferência por algumas localizações, mas como os outros jogadores podem estar ou não a competir pelas mesmas localizações, eu tenho de ir criando estratégias para conseguir não ser prejudicado pela possível assimetria momentânea do jogo. Claro que à medida que vamos gastando o dinheiro e conseguindo mais dinheiro, as nossas necessidades mudam e vamos ter sempre de andar a ajustar a nossa estratégia. 

O outro aspeto muito único no jogo é o dinheiro “sujo”, que no fundo é dinheiro que tem o ícone de ser sujo, normalmente é igual ao outro tipo de dinheiro limpo quando o gastamos, mas claro, o dinheiro limpo é sempre de menor valor, as notas de maior valor são sempre sujas, e a cripto-moeda é sempre suja também. O problema é que se formos apanhados por uma auditoria com dinheiro sujo na mão então isso é mau… e vamos ficando marcados com pontos de perda de mérito, que no final do jogo subtraem à nossa pontuação. Cada jogador irá tentar usar cartas de auditoria e inspeção para tentar provocar essas situações nos seus adversários, e por isso é perigoso ir acumulando muito dinheiro sujo. Alguns dos investimentos que vamos fazendo podem ser em arte, e outros podem ser em estabelecimentos, que nos dão ainda mais pontos por cada auditoria ou inspeção que fazemos, e isso ainda cria mais competitividade no jogo.

No final é um jogo muito simples, ganhamos dinheiro e andamos todos a tentar comprar arte e negócios com o dinheiro que temos, e ir tentando apanhar os nossos adversários com dinheiro sujo nas mãos.

O tema está mesmo muito bem implementado, pois apesar de ser um tema que à primeira vista seria uma seca, pois por mais fascinante que alguém possa dizer que é o mercado financeiro, e balancetes, e auditorias das finanças… nem nos filmes isso parece divertido. Mas neste jogo é bastante descontraído, desafiante e divertido, sem nenhum dos elementos maçadores que seriam de esperar. 

A arte do jogo também ajuda muito, é muito bem ilustrado, com iconografia muito clara e simples, que ajuda muito a ler o jogo de maneira rápida e clara. São cartas muito coloridas nas suas ilustrações, o que faz com que o jogo fique muito giro e chamativo na mesa, o que gostámos muito também, pois deu-nos uma experiência muito boa. 

Cada jogador tem uma personagem que representa o seu kingpin, e que tem um pequeno texto humorístico e uma ilustração muito engraçada. É uma carta que nada acrescenta ao jogo, mas dá um toque giro no início do jogo, apesar de apenas a usarmos para colocar os marcadores de pontos de desmérito que ganhamos. Foi giro terem adicionado este elemento de humor no setup.

Na campanha de Kickstarter, lançaram desde o início uma mini expansão chamada “Lion City Hideout Pack”, que no fundo adiciona novas localizações, e mostra a capacidade de extensibilidade do jogo sem alterar as suas mecânicas base, uma vez que cada localização tem benefícios/ações específicas, e uma vez que não jogamos com todas as localizações de cada vez, cria mais formas de jogar, e torna o jogo refrescante e novo das diferentes vezes que possamos jogar. Ficámos muito curiosos de ver o que a equipa deste jogo vai inventar mais para o ir fazendo crescer.

Fiquem atentos a este jogo, que muito em breve irá começar a chegar a casa dos backers que apoiaram no Kickstarter, bem como algumas lojas de retalho online. Se ficaram curiosos, podem também ainda fazer o late pledge diretamente no website da Capital Gains Studio. 


Antevisão – Dirty Money: The Money Laundering Game Antevisão – Dirty Money: The Money Laundering Game Reviewed by DICE Cultural on 10:00 Rating: 5

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