Thronebreaker: The Witcher Tales


Proveniente da mente criativa dos programadores de Witcher 3 (CD Projekt RED), Thronebreaker é um spinoff que nos coloca na pele da veterana rainha guerreira Maeve. A governante dos reinos gémeos de Lyria e Rivia tem que se haver não apenas com a iminente ameaça de uma invasão por parte do Império de Nilfgaardian, sempre sequioso por conquistas, mas também com ameaças interiores, representadas na governação inepta do principe (o seu próprio filho) e nos constantes saques das suas terras levados a cabo por foras da lei como o Duke of Dogs.

Estabelecendo-se num mundo medieval onde a força militar, magia e estratégia são armas vitais para a vitória no campo de batalha, Thronebreaker é um jogo de cartas digilal (com muitos elementos de RPG), com um elevado grau de complexidade, sobretudo adequado a jogadores que dispõem de alguma experiência em jogos do género (como Magic: The Gathering). Contudo, não se pense que novatos a este tipo de jogos não passarão um bom bocado com este título. Os programadores tiveram o cuidado de colocar três dificuldades distintas à disposição do jogador. Adventurer é o modo mais fácil, dando ao jogador a possibilidade de passar à frente as batalhas não essenciais para a plot geral da história (uma espécie de vitória automática para ser mais preciso). Battle Hardened é o modo intermédio onde tal opcção não existe, sendo o jogador presenteado com um desafio mais moderado. Bonebreaker é um verdadeiro teste para os mais experientes.


Uma vez seleccionado o grau de dificuldade e o tipo de aventura (solo ou multiplayer), o jogador é mergulhado num mundo que mais parece uma canvas pintada, tal é a beleza e variedade apresentada pela sua direcção artística. Com uma música típica de algo saído de uma qualquer feira medieval dos tempos modernos, Thronebreaker conta com cenários, cutscenes (representadas sob a forma de vinhetas) e character design soberbos, o que valoriza ainda mais a rica história que pretende contar. Este jogo dispõe de um vasto número de personagens distintas, assim com inúmeros tipos de adversários com os quais "lutar" (usando as cartas e habilidades mágicas à nossa disposição).

Contudo e apesar de possuir uma apresentação bastante boa e uma história cativante, o ponto mais relevante de Thronebreaker é o seu complexo gameplay, o qual conta com três momentos distintos.

Primeiro, a exploração. Maeve encontrará no seu caminho aldeias, fortificações, abadias e outras localizações, onde poderá reunir alguns recursos, nomeadamente madeira e ouro, assim como aumentar o exército, combater inimigos ou obter info essencial para a conclusão do jogo. Novos soldados podem ser conseguidos através da simples recolha dos muitos estandartes espalhados pelo jogo. É igualmente através do mapa-mundo, cuja deslocação fazemos toda a pé (mais para a frente existem portais que permitem acedermos de forma mais célere aos diferentes pontos do reino), que iremos encontrar estátuas religiosas (usadas para levantar a moral das tropas), baús que ocultam tesouros, chaves, entre muitas outras coisas.


O segundo ponto deste título leva-nos ao acampamento, o qual pode ser criado a qualquer altura, e onde Maeve tem a possibilidade de gerir o seu exército, melhorar o seu status ou ouvir concelhos de outras personagens. Os acampamentos têm diferentes tendas, cada uma com funções distintas. Os workshops permitem expandir o próprio acampamento, ao passo que os training grounds fazem o mesmo em relação às cartas que estão no nosso arsenal. De salientar que o exército à disposição do jogador não pode exceder as 125 unidades numa fase inicial (destes, apenas 25 podem ser incluídos no deck principal). No command center podemos criar novas cartas, estabelecer o nosso deck, mudar o equipamento da nossa protagonista e usar algumas das suas habilidades especiais. Na royal tent o jogador pode aceder aos mapas do jogo, ver as chaves, fragmentos de cartas e relatórios que tenha na sua posse. Na mess, podemos falar com as personagens que lá estiverem e através dos rumores conseguir mais detalhes acerca da história do jogo.

Enquanto estivermos no modo do acampamento também podemos ver o estado da moral das nossas tropas. É importante que este não baixe em demasia, sob o risco de termos desercções. Uma das formas de levantar a moral é fazendo pequenas oferendas nas muitas capelas que iremos encontrar durante o caminho. Outra, passa pelas nossas decisões enquanto monarca. Estas terão impacto não apenas na moral das tropas e nas matérias primas recolhidas, mas também na direcção da própria história.


O terceiro ponto na jogabilidade de Thronebreaker passa pelo modo de combate. Este será feito de diferentes maneiras, mas sempre opondo as nossas cartas às do oponente. Na maioria dos combates, vence quem tiver a pontuação mais alta no final de cada round. O primeiro a vencer dois, vence a contenda e fica com os espólios de guerra. Contudo e embora pareça um conceito simples, a sua execução é bastante complexa. Cada carta tem diferentes habilidades que passam por terem armadura (mais resistentes a ataques), duplicação (copia outra carta), ataque directo (como os arqueiros), entre muitas outras. O jogador deve saber conjugar essas habilidades com a magia da própria Maeve e certas cartas especiais, os Troph, de forma a ser bem sucedido num jogo com uma curva elevada de aprendizagem.

No modo de combate temos que contar ainda com o próprio terreno de jogo (fog of war), assim como com os row effects (que podem ter efeitos negativos ou positivos). O estilo das lutas varia, alternando entre as regulares (as que referi acima), as curtas (de um round apenas) e as puzzle. Nestas últimas não nos basta ter o deck mais forte. Aqui temos que verdadeiramente decifrar o enigma se quisermos ser bem sucedidos.


Um jogo visualmente muito atractivo, com bom voice acting e personagens interessantes, Thronebreaker tem ainda um sistema de jogo que embora consiga ser por diversas vezes impiedoso, é variado o suficiente para conseguir manter a atenção dos jogadores focada.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para PC via Steam, gentilmente cedido pela CD Projekt RED
Thronebreaker: The Witcher Tales Thronebreaker: The Witcher Tales Reviewed by Ivo Silva on 26 novembro Rating: 5

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