Daemon X Machina


Se há uns anos falar de Mechas fosse um tema dedicado a um pequeno nicho de pessoas "geek", hoje em dia há cada vez mais pessoas familiarizadas com a cultura japonesa e as suas múltiplas vertentes. Os robôs gigantes controlados por humanos, como são conhecidos por muitos, são precisamente a temática central deste novo Daemon X Machina, que chega agora em exclusivo para a Nintendo Switch, prometendo horas de diversão tanto a solo com em multijogador.

Tudo começa uns 400km acima de um planeta, do qual vemos uma boa parte ser destruída por uma espécie de satélite gigante, e assim saltamos imediatamente para a criação do protagonista. Há uma enorme variedade de opções de personalização, como cortes de cabelo espetaculares com as mais variadas cores, tons de pele, género, expressão facial com várias formas e até a própria pele desde mais suave a carregada de rugas, cicatrizes e cosméticos... dificilmente os jogadores encontrarão duas iguais. No que diz respeito a vozes, podem escolher entre 3 masculinas ou 3 femininas, tendo também a opção da personagem não falar. Finalmente, escolher o nome, importante para os modos multijogador.

É possível escolher que as vozes estejam em Inglês ou Japonês, sendo este último ideal para fãs de animes e cultura oriental. Os diálogos entre as personagens têm aquele toque japonês com piadas e sempre com um ou outro espertalhão que se considera o melhor do grupo e que prefere trabalhar de forma individual, no entanto é sempre engraçado assistir às conversas visto que o protagonista nunca se mete, ficando apenas a assistir a tudo que rodeia sem dar opiniões seja através do chat existente ou das sequências de vídeo. Apesar de se escolher um nome inicial, os outros irão sempre chamar-lhe Rookie.

Criado o protagonista, é apresentado o sistema Four, um painel de controlo de Inteligência Artificial que irá dar todas as indicações necessárias para a realização das missões, sendo a partir desta consola que se tem acesso às missões e ao hangar. As missões estão divididas entre as da campanha principal, denominadas de Main Mission, e as opcionais Free Mission. Já o Hangar serve para efetuar os upgrades ao equipamento e outras personalizações do nosso mecha, aqui conhecido como Arsenal.


Assim se inicia a jornada em Daemon X Machina, começando com um tutorial na forma de teste de aptidão. Os botões básicos são apresentados e o jogador terá de se ajeitar pouco a pouco, pois há uma enorme quantidade de comandos disponíveis e será preciso investir algum tempo até assumir total controlo do Arsenal.

Rapidamente se fica a saber que os jogadores são mercenários conhecidos como Outer, contratados por diferentes empresas para realizar todo o tipo de missões. Os nossos inimigos? Immortals, uma nova forma de vida que surgiu após a destruição inicial, onde certas inteligências artificiais se sentiram ameaçadas pela humanidade e agora pretendem aniquilação total da espécie. Cada um dos Immortals tem a sua própria língua e individualidade, podendo até corromper outras IA para obter um número maior de forças. Assim sendo, o objetivo principal dos mercenários é destruir estas IA em combate. As missões serão efetuadas juntamente com mercenários pertencentes a outros clãs, que normalmente são de grande ajuda, no entanto também é possível recrutar pessoal para se jogar em modo online.

Quem tiver jogado na PS Vita o Freedom Wars, irá encontrar semelhanças. Consoante o ranking, a dificuldade da missão e o pagamento/recompensa será obviamente maior, que depois servem para efetuar os upgrades ao Arsenal para as lutas futuras. Na base há uma garagem que conta com uma loja de nome Ice Cream Parlor, onde se obtém Ice Cream perks, com vários bónus temporários tanto para as habilidades do Outer como do Arsenal. Mais tarde, surge também o Lab, onde se pode melhorar o equipamento do próprio personagem, efetuando modificações ao corpo que podem também implicar uma melhoria no próprio Arsenal.


O armamento bélico conta com uma grande variedade. Desde metralhadoras gigantes, escudos e lança rockets, o Arsenal pode estar carregado de todo o tipo de armas de fogo e até espadas, podendo estas serem substituídas durante as batalhas ao colecionar armas deixadas pelos nossos inimigos. Existem vários objetos pelos campos de batalha que podem ser recolhidos e arremessados aos inimigos, no entanto estes têm apenas uma utilização. Há missões onde o jogador irá deparar-se com minas, as quais podem ser igualmente recolhidas e atiradas para perto dos inimigos causando a sua destruição quando se aproximam. Para restabelecer a saúde do Arsenal, basta destruir uns tanques que se encontram espalhados pelos cenários e manter o Arsenal por um determinado tempo coberto por essa camada protetora.

Mas o nosso Arsenal não se fica apenas com o seu armamento. Os propulsores dão um boost para acelerar em terra firme e dão capacidade para voar, consumindo stamina. Há ainda um poder oculto que pode ser ativado, denominado de Mirage. Uma miragem física, por assim dizer, uma tática que dará vantagem ao jogador com um cenário de 2 contra 1, servindo de engodo. Isto gasta uma barra de energia, Femto, que pode ser encontrada no campo de batalha ou através da aniquilação dos inimigos, tal como outras habilidades e proteções que podem ser utilizadas.

De referir que é possível sair do Arsenal ou, no caso dele explodir, jogar somente com o Outer, que conta um uma arma que levita ao seu lado para derrotar inimigos. Existem até missões de infiltração em que o jogador terá de adquirir um Arsenal, por exemplo, por isso a própria personagem pode e deve efetuar os seus upgrades de salto, saúde e muito mais.

Geralmente as missões consistem em destruição de alvos ou proteção de outros, entre algumas relativamente variadas. Com o passar das missões, podem ser recrutados membros de outros grupos, com a possibilidade de o fazer em multijogador. Infelizmente, o modo online não foi disponibilizado a tempo desta análise, pelo que não foi possível testar o multiplayer tanto em formato online como local. O jogo permitirá juntar até mais 3 jogadores para completar as missões, sendo que no online será possível escolher jogar com os amigos encontrados na lista de amizades ou jogadores de todo o globo. Também será possível juntar um ou dois jogadores e personagens controladas pela IA. Conforme se efetuam as missões, seja multiplayer ou não, o ranking do jogador irá gradualmente subir, para ter o direito a registar-se em missões de alto risco mas extremamente compensadoras.


O grafismo é bom com um estilo totalmente animado, sem quebras que possam atrapalhar a experiência, mas por vezes pode confundir o jogador com tanta explosão em simultâneo. As personagens têm todas um look bastante distinto umas das outras e com aquele toque anime como de costume em jogos do género. A banda sonora é um elemento que passa meio despercebido e que em um jogo com Mechas podia ter sido feito algo de estrondoso, o que não é o caso, não querendo com isto dizer que é má, simplesmente não é memorável.

A jogabilidade, como referido antes, após um tempo até acaba por ser atrativa devido à quantidade de armas diferentes que o Arsenal pode carregar. O mais espetacular são os Immortals Colossos, que requerem um bom manuseio do Arsenal e habilidades juntamente com um equipamento capaz, pois muitas balas vão voar e apresentar momentos intensos que fazem deste um jogo fantástico. Há algo a ressalvar, porém. Este jogo tem um público-alvo um tanto específico, e quem não apreciar séries como Envangelion, Code Geass ou Gundam, por exemplo, pode não achar piada e pode até achar um pouco repetitivo, mesmo sendo na prática um jogo semelhante a um Freedom Wars ou Monster Hunter, ideal para jogar juntamente com mais pessoas.

Por isso mesmo, a história não é nada de especial, mas ajuda a conhecer as mais variadas personagens e antagonistas, obtendo assim uma experiência rica em lutas épicas com os Colossos e até Mechas pilotados por terroristas. O desafio é elevado se os jogadores não estiverem equipados e não aguentarem a pressão e ter controlo do Arsenal como deve ser.


Daemon X Machina não é para todos, exigindo habituação aos comandos, habilidade com jogos frenéticos e, claro, gosto pelo o próprio tema do jogo. Apesar do arranque um tanto lento devido ao equipamento não ser o mais favorável, assim que o jogador evoluir ao cumprir as missões, o vício aumenta imenso, mas gostar de Mechas será realmente um factor decisivo.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo.
Daemon X Machina Daemon X Machina Reviewed by Patrício Santos on 11 setembro Rating: 5

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