Control


Vindo da mente de Sam Lake, criador da série Max Payne, posso dizer que Max Payne 2 é uma das maiores obras primas de sempre, no meu top 5 de jogos favoritos. Após vários anos lançou Alan Wake, um exclusivo Microsoft que recebeu críticas muito positivas mas o seguinte, Quantum Break, deixou-me desiludido. Agora, a Remedy Entertainment de Sam Lake está de volta com Control, um novo IP que promete ficar na memória dos jogadores no ano 2019.

Este é um jogo de acção na terceira pessoa com uma novidade que o destaca em comparação aos anteriores, focado num estilo "metroidvania" e alguns elementos RPG para construir uma experiência mais enriquecedora. Já é do conhecimento dos fãs que a Remedy adora misturar a realidade com a ficção, a narrativa foi e será sempre o foco principal deste estúdio, tal como sucedeu com os dois primeiros Max Payne que mais parecem um filme de Hollywood noir e introduziram a mecânica de "bullet time" mais perfeita até à data. Em Control o estúdio decidiu acrescentar mecânicas que, embora já conhecidas em outros jogos, não deixam de estar devidamente refinadas.

Tudo começa com o mistério no ar, temos a personagem principal Jesse Faden que visita a Oldest House, um edifício onde procura respostas outrora ali enterradas acerca de um familiar perdido (não queremos "spoilar" o jogador). Este edifício é gigantesco e todo o jogo se passa no seu interior, mas conta com corredores e passagens que têm uma boa variedade para que o jogador não se aborreça. Tirando os pontos de controlo, muitas destas salas encontram-se completamente vazias de personagens. Os inimigos surgem de forma aleatória por isso o jogo vai tendo um ritmo de ação mesmo que o jogador esteja perdido a vaguear de sala em sala, devido à componente "metroidvania".


Será normal passar por salas repetidas, andar perdido e às voltas, explorar até se encontrar o caminho correto para avançar, o que pode afastar jogadores que estão à espera de um jogo mais concentrado na ação e linear como em Max Payne. O mapa apresenta sempre a sala principal para onde o jogador terá de se dirigir e daí, seguir na direção certa ao objetivo.

É bom ter a possibilidade de usar o mapa enquanto se caminha mas, ao jogar numa PS4 base ou Xbox One, o jogo apresenta dificuldades de desempenho, não aguenta bem o mapa sobre a tela, travando o jogo lentamente. Algo que também acontece sempre que se resume o jogo após se pausar o mesmo, o que pode vir a ser um grande risco quando o jogador se encontra rodeado por inimigos, pelo que deveria ser de alguma forma corrigido. Mesmo após diálogos com personagens, o jogo tem um lag de cerca de 5 segundos para voltar ao controlo da personagem. Já as quebras de frame rate apenas acontecem caso exista uma enorme quantidade de explosões e objetos virados do acesso, pois em Control, o jogador assume controlo sobre uma enorme quantidade de coisas em seu redor.

É isso mesmo, Control significa que o jogador assume controlo de tudo, ou quase tudo. Para muitos talvez seja novidade o facto de um dos poderes ser o controlo de objetos telepaticamente. Já em jogos como Star Wars: Force Unleashed ou Psi-Ops: The Mindgate Conspiracy, tinhamos este poder ao dispor para controlar objetos e atirá-los a seu bel-prazer contra os inimigos, em Control pode-se dizer que o mesmo se encontra bom mas não revoluciona. O poder de levitar já é outra história. Com um determinado tempo pelo ar até voltar ao chão, os movimentos estão, se é que se pode dizer isto, realistas. Para além dos poderes, o jogador terá uma arma especial que apesar de se parecer com uma pistola futurística, tem várias particularidades. A pistola tem várias funções de disparo e é isso que torna especial, podendo receber upgrades e sem ter a necessidade de fazer reload, sendo que esta o faz automaticamente. Algo que pode ajudar imenso o jogador a ultrapassar alguns momentos de tiroteio, é utilizar o melee attack que se trata de um empurrão com o poder oculto de Jesse.


O objetivo é falar com as pessoas que se encontram dentro da Oldest House que nos guiam à recta final. O jogador terá de ganhar acesso a portas bloqueadas efetuando as missões principais ou até sub missões. A Oldest House é enorme, o jogador vai ter de purificar locais específicos que se tornam os pontos checkpoint onde terá acesso aos upgrades das habilidades, sejam elas dos poderes de Jesse ou da sua arma. Aqui também é possível trocar de vestimenta. Estes checkpoints dão acesso ao "fast travel", coisa que terá de ser usada recorrentemente e mesmo assim o jogador vai andar um pouco à toa. Sempre que se for derrotado, o ponto purificado será o ponto de partida. Às vezes o jogador vai ter de caminhar por um longo período, pois os checkpoints nem sempre ficam perto dos objetivos e terá então, de atravessar salas com inimigos que irão dificultar o progresso.

As missões secundárias são interessantes e podem mesmo enfrentar bosses implacáveis. Em termos de leitura, Control conta com uma data gigantesca de colecionáveis, tudo isto para que se possa compreender o que realmente se passa naquele edifício. Existem também momentos "à Sam Lake" que estão de volta, as televisões com programas de TV ou até mesmo informações das experiências realizadas na Oldest House. Todas estas gravações contam com pessoas reais, por isso mesmo, fãs dos jogos deste criador já sabem o que esperar.

A banda sonora infelizmente não é memorável mas não podemos dizer que não é boa. O grafismo está muito bom, a Remedy sempre fez questão de impressionar os jogadores, principalmente com o segundo capítulo de Max Payne.


Control é um dos jogos do ano e corrige os aspetos negativos de Quantum Break, para além de inserir novas mecânicas e de criar um jogo "metroidvania" que pode ou não afugentar alguns jogadores que esperavam algo mais ao estilo das produções anteriores. No entanto temos de concordar com esta novidade que a Remedy implementou pois enriquece o jogo e faz com que haja uma maior exploração por parte do jogador.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela 505 Games.
Control Control Reviewed by Patrício Santos on 02 setembro Rating: 5

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