I Hate This Place


Análise por Paulo Pereira

A segunda entrada da Rock Thunder Games chega através de um jogo com visão isométrica baseado numa série de livros de banda desenhada criada por Kyle Starks. Sendo o título de estreia da dev house, The Light Bringer, um jogo com o mesmo estilo de câmara, mas uma temática completamente diferente, esta é a primeira tentativa da desenvolvedora no género survival-horror.


No livro, Trudy e Gabby mudam-se para uma casa de campo que herdaram e terão de lidar com todo o tipo de ameaças do sobrenatural que aquela região lhes atira. No jogo, a nossa aventura é similar. Os jogadores jogam no papel de Elena, quando a sua melhor amiga desapareceu em Rutherford Ranch após concluir um ritual para invocar uma entidade sobrenatural apelidada de The Horned Man. Juntamente com o sobrenatural ainda existem uns bunkers subterrâneos e toda a fauna local está possuída e com vontade de atacar. Com tanta coisa esquisita a acontecer, o objetivo da Elena em voltar à sua casa na quinta é perceber como e porquê que a sua mãe desapareceu quando era mais nova.

Numa aventura estilo anos 80 com efeitos e desenho estilo banda desenhada é onde o jogo se destaca. Sinto que raramente vi esta estética em jogos, mais recentemente, e sendo inspirada num livro do estilo faz todo o sentido. Visualmente está muito giro, infelizmente sinto que o estilo visual não é suficiente para encobrir o que falta de mais denso.


Para um jogo inspirado numa obra literária, falta muita coesão narrativa. A história não foi de todo interessante e parte da culpa é a como as personagens tratam o ambiente do jogo. I Hate This Place vende a ideia de um local sobrenatural onde se passa algo pesado e assustador para qualquer ser humano, contudo tanto a protagonista como as restantes personagens parecem que não querem saber de tudo o que encontram neste mundo. É apenas mais um dia no campo para toda a gente. Para além de um mau tratamento de setting narrativo, existe ainda um mau desenvolvimento da história ao longo do jogo todo, o que fez com que estivesse completamente desinteressado da história, por mais que tivesse tentado que fosse ao contrário.

Mas nem tudo é mau por Rutherford Ranch. Apesar da narrativa desinteressante, a jogabilidade salva um pouco este título. Não é que a jogabilidade seja muito boa, mas no mau ainda é o que torna I Hate This Place mais agradável. O jogo trata-se como um clássico survival horror com crafting em formato open-world com loot gathering. Eu não lhe chamaria crafting clássico, pois quando penso em crafting num jogo deste tipo salta-me logo à memória o gigante da Capcom, Resident Evil. Apesar da existência de vários sistemas de crafting, a Rock Square Thunder optou por um modelo com base building que, a meu ver, é hilariante. A certo ponto mais parecia que estava a jogar um mod de terror para o Stardew Valley. Não que seja uma má feature, mas a partir do momento em que percebi como tirar partido total desse sistema de crafting o jogo perdeu toda a dinâmica e fricção que tinha, pois, quando dei por ela estava carregado de itens de cura e armamento para suportar o próximo outbreak mundial.


Mesmo estando carregado até aos dentes, existiu algo que conseguia ser ainda mais mortífero que eu… Os inimigos. A inteligência dos inimigos parece-me um pouco mal trabalhada, sendo que uma das features deste jogo é o seu formato stealth para fazer progresso em certas áreas dos bunkers, mas ao mínimo ruído os inimigos sabiam exatamente onde estava e mesmo com a utilização de objetos de distração nada me salvava dos inimigos que ignoram tudo e simplesmente vêm atrás de mim. O combate frustrou-me até certo ponto, devido aos inimigos serem esponjas completas de balas e granadas.

Um jogo que, realmente, não tem muito a seu favor. Quando juntas tanto ingrediente na mesma panela a cozinhar tudo por igual arriscas a tornar tudo genérico e foi isso que, na minha opinião, aconteceu com este jogo. Apesar de ideias boas, nenhuma é executada com boa qualidade, o que torna o jogo demasiado genérico. Tendo ainda em conta o preço de retail de 29,99 € fica muito difícil recomendar este jogo quando existem alternativas que se destacam muito mais no mesmo patamar de custo para o consumidor.


I Hate This Place encontra-se disponível em todas as plataformas e apesar de não o recomendar a full price, se o encontrarem numa grande promoção, pode ser giro para matar algumas horas.

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 5, gentilmente cedido pela Pirate PR.

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