REPLACED
Desenvolvido pela Sad Cat Studios, REPLACED traz consigo uma América alternativa dos anos 80 que aposta num estilo cyberpunk a atirar para o melancólico e uma abordagem cinematográfica ao género action-platformer.
No centro da acção está R.E.A.C.H., uma inteligência artificial presa contra a sua vontade num corpo humano por Warren Marsh, o seu criador. Se a premissa pode parecer familiar no universo cyberpunk é porque o é. Embora já tenhamos visto muitas vezes consciências humanas transferidas para androids ou vice-versa, o interessante aqui é a forma como o jogo desenvolve esta ideia. Não estamos apenas perante uma narrativa sobre máquinas e humanos ou sobre quem é melhor estamos perante um ensaio sobre o que significa existir quando não se escolhe o próprio corpo.
A ação decorre em Phoenix City, uma metrópole decadente onde corporações controlam tudo e a vida humana tem um valor questionável. O mundo é sujo, opressivo e profundamente desigual, com zonas industriais abandonadas, bairros degradados e uma elite que vive acima de tudo isso. Consigo ver isso num futuro próximo...
A narrativa desenrola-se de forma gradual, sempre apoiada em diálogos, exploração e pequenos acontecimentos secundários que vão enriquecendo o universo ao longo do jogo. Não é uma história que imponha com grandes reviravoltas, prefere apoiar-se num ritmo mais lento e consistente.
O grande mérito deste conto está na forma como liga o conflito interno da IA e demonstra a sua luta entre lógica artificial e emoções humanas enquanto tem de lidar com tudo o que está a acontecer à sua volta.
Confesso que se havia algo que estava desejoso para experimentar em REPLACED era o seu combate e embora não tenha ficado desiludido com ele também não posso dizer que tenha ficado completamente apaixonado. É verdade que ele foi buscar muita inspiração ao combate dos jogos "Arkham", algo muito positivo para mim, pois adoro esse tipo de combate, no entanto acho que evolui pouco com o avançar do jogo e torna-se uma experiência bastante repetitiva. Não é algo que se sinta nos primeiros momentos é sim, algo que começa a pesar mais para as horas finais do jogo.
A componente de "plataforming" do jogo não compromete, embora senti sempre que a saltar e a ultrapassar obstáculos a personagem era pouco ágil, algo que até se pode justificar narrativamente, mas que me deixava sempre a querer que R.E.A.C.H. se despachasse mais depressa do que o fazia. Ao nível de puzzles é tudo muito mais ambiental do que outra coisa qualquer e à base de empurrar obstáculos, ativar botões e pouco mais. Essa experiencia existe mais na forma de curto limpa palato do que de real mecânica de jogo que faça a diferença.
Se há área onde Replaced brilha sem contestação é na sua apresentação visual. O jogo é, pura e simplesmente, deslumbrante. A sua pixel art 2D misturada com os cenários 3D e os efeitos parallax dão uma sensação de profundidade e imersão incrível e a utilização de iluminação dinâmica, reflexos e efeitos atmosféricos dão ao jogo uma identidade muito própria, criando ambientes que nos faz parar apenas e só para observar o cenário.
Se visualmente a atenção ao detalhe é uma evidência, no campo sonoro a banda sonora encaixa na perfeição com o ambiente cyberpunk do jogo e são o que chega para criar uma atmosfera adequada e os efeitos sonoros também são competentes o suficiente e contribuem para a imersão, contudo não são particularmente memoráveis.
Replaced é um daqueles jogos que dificilmente passa despercebido, principalmente pela sua identidade visual distinta, que combina pixel art detalhada com efeitos mais modernos de forma irrepreensível. A direção artística é, sem dúvida, um dos seus maiores trunfos, elevando a experiência e criando uma atmosfera consistente do início ao fim. A narrativa revela maturidade temática, explorando conceitos como identidade e humanidade com uma subtileza que é inexistente em qualquer tipo de fórum social
Mas, nem tudo acompanha esse nível de qualidade. A jogabilidade, apesar de funcional, carece de precisão e impacto, especialmente nos segmentos de plataformas. O combate, embora estiloso e fluido, acaba por não evoluir significativamente ao longo da experiência e os puzzles, raramente surpreendem.
Ainda assim, há uma coerência global que mantém o jogo envolvente. Replaced pode não reinventar a roda, mas também nunca se limita a ser apenas mais um. É um projeto com personalidade, com ambição visível e, acima de tudo, com algo a dizer. Entre falhas e virtudes, consegue afirmar-se como uma experiência boa, ou ainda melhor que isso, conforme se se valoriza atmosfera e direção artística acima de tudo o resto.
Replaced foi lançado no dia 14 de abril de 2026 para Xbox Series X|S e PC e está também incluído, day one, no Xbox Game Pass Ultimate.
Nota: Análise efetuada com base num código final do jogo para PC, adquirido via Xbox Game Pass Ultimate.



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