Exophobia


Ao longo de tantos anos a jogar (e cobrir) videojogos são poucas as vezes em que há um sentimento único, proporcionado pelo modo como fui conhecendo o jogo. Desde os jogos que aguardo desde o seu primeiro teaser às surpresas que surgem do nada, todas as memórias e histórias que tenho com todos estes jogos são diferentes. Apresento-vos Exophobia, o jogo português de José Castanheira com quem, ao longo de tantos anos, juntamente com o Telmo nos fomos cruzando e acompanhando o estado do jogo, seja pelos eventos, “indie corners” onde o ia experimentando e, por várias vezes, trocava algumas palavras e feedback.



Todos nesses momentos ficava empolgado com o jogo, queria ver mais de Exophobia e poder meter as mãos no produto concluído, longe do ruído dos eventos onde não me conseguia envolver com o ambiente do jogo. Essa espera terminou agora recentemente, tendo abraçado o jogo e explorado-o de um modo que, mesmo estando à espera, não estava verdadeiramente preparado para o que se seguia!

Exophobia é uma aventura de ficção científica, onde somos um sobrevivente de uma nave que se encontra num planeta vermelho, inabitável para nós, mas perfeito para uma raça de alienígenas que não parece estar muito feliz com a nossa presença. Munidos com uma simples arma e da nossa perícia como jogadores, exploramos esta grande nave onde são muitas as zonas a explorar e ainda mais as armadilhas e perigos que nos esperam. “O que aconteceu nesta nave” perguntava-me quando comecei o jogo, enquanto disparava contra aliens e via o seu sangue pixelizado voar em todas as direções.


Este é um metroidvania puro, que nos transporta para os “velhos tempos” onde jogávamos Doom nos nossos computadores. É uma fusão desse jogo com Metroid e um toque de referências a vários jogos dos 8 e 16 bits, o que, tendo crescido e entrado no universo dos videojogos nessa altura, trouxe-me uma boa dose de nostalgia que temperou bem o tempo que o passei a jogar! Quer pelo estilo artístico usado, o design dos inimigos, a palete de cores aplicada, os vários elementos presentes nos cenários, tudo isto acompanhado com uma banda sonora que nos coloca bem naquela nave, um bom trabalho feito pelo compositor Pedro Costa, que acompanha perfeitamente os efeitos sonoros retrofuturistas criados por Miguel Cintra.

Os controlos são simples, muito do que se pode esperar de um shooter retro onde controlamos a personagem enquanto apontamos a mira que controlamos apenas horizontalmente, sem qualquer necessidade em apontar a mira na vertical. É simples, mas funciona perfeitamente, sendo que por vezes senti alguma dificuldade a usar determinadas habilidades, algo que com a prática fui desenvolvendo, só que quando temos uma catrefada de coisas a acontecer em simultâneo tornava-se difícil conseguir lidar com tudo ao mesmo tempo. Todos os nossos reflexos são ainda postos à prova, através de bosses que nos fazem explorar as mais recentes melhorias do nosso arsenal, através de combates divertidíssimos!

Tudo o que esperamos de um metroidvania está aqui presente, o que me satisfaz bem como fã. Sejam os bloqueios que surgem logo desde o início do jogo, que sei perfeitamente que mais tarde irei regressar lá assim que desbloquear um upgrade na arma que me permite destruir paredes de ferro, ou os diversos locais inalcançáveis até desbloquear determinada habilidade. A isto junta-se o aumento dos pontos de vida que vamos obtendo, muitos destes escondidos por quebra-cabeças ou enigmas que nos fazem pensar. Nem todos estes puzzles estão bem conseguidos, havendo casos em que os consegui resolver sem perceber bem o que tinha feito.


Espalhadas pela nave também temos imensos CDs, estes que nos vão dando informações sobre os upgrades que recebemos, os inimigos que enfrentamos e, talvez mais importante ainda (pelo menos para mim) a história do jogo. Através destes registos vamos ficando a saber o que aconteceu aqui e o que podemos encontrar na nave, dicas onde algumas são fundamentais se quisermos completar o jogo na sua totalidade, até porque não chega simplesmente terminar o jogo e dá-se por concluída a nossa aventura. Outras das coisas que vamos encontrando são pequenos filtros de cor que desbloqueamos, que nos muda o aspeto do jogo caso preferimos outras paletes de cores. São vários, mas, ainda assim, a minha favorita continua a ser a original.

Mesmo tratando-de se uma simples nave, ela é enorme! São 4 grandes pisos a explorar, cada um deles com um tema distinto e mecânicas diferentes que vão desde ligar fontes de energia a voar cenário fora através de uma corrente. Perdi-me, mais vezes do que aquelas que me orgulho afirmar, muitas vezes andava aos círculos sem qualquer ideia de como progredir, até encontrar o corredor certo que me havia escapado algo e lá continuava eu a matar muitos mais aliens ou bichos estranhos que haviam invadido a nave. Connosco temos um mapa muito útil, mas, num certo toque sobrevivência, há um limite de tempo que o podemos usar, ao que ele vai desvanecer aos poucos até ficarmos sem energia. Tal como os pontos de vida que perdemos, uma visita rápida a um dos vários save points espalhados pela nave restaura tudo. E descansem, pois são mesmo muitos estes locais.


As vezes que me perdia trouxeram benefícios: encontrei muitos, mas muitos segredos! Escondidos através de paredes falsas que nos mostravam salas escondidas, ou o culminar de um enigma que havia resolvido e até mesmo olhando para o cenário e vendo pequenas coisas escondidas. São mesmo muitas as referências, a jogos indies nacionais e internacionais, personagens de séries de animação ou até mesmo homenagens prestadas e pessoas próximas do José Castanheira. Delirei com as referências da nossa cultura popular portuguesa, o uso de certas figuras que só mesmo nós conhecemos podem passar despercebidas para a maioria dos jogadores por esse mundo fora, enquanto que para nós é incrível! Aqui também recomendo mesmo, mesmo muito que joguem Exophobia em português, pois estas referências estendem-se aos achievements que conseguimos no jogo.

Nas cerca de doze horas que passei na campanha principal, onde várias dessas horas foram passadas simplesmente a passear pela nave à procura de tesouros escondidos, nunca me aborreci. Houve altos e baixos nesta aventura, momentos em que andava aos círculos sem foco, subidas repentinas de dificuldade a que não estava preparado, principalmente na fase final do jogo. Ainda assim gostei de todos estes momentos, mesmo que possivelmente crie uma certa aversão a minhocas ou abelhas.


Exophobia é um jogo obrigatório para qualquer fã de videojogos em Portugal! Acreditem que se irão divertir bastante com o jogo, mesmo que não sejam os maiores fãs de shooters na primeira pessoa, metroidvanias ou da fusão de ambos. É um jogo que vou repetir, até porque ainda não o concluí a 100% e quero mesmo ver todos os segredos que o José Castanheira, e o resto da equipa, trouxeram para o jogo!

Por isso, terminando, joguem Exophobia!

O jogo está disponível na Nintendo Switch, PC, PlayStation 4 e 5, Xbox One e Xbox Series!


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para Steam, gentilmente cedido por José Castanheira (Zarc Attack).

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