Comic Con Portugal 2026


Um regresso à Comic Con Portugal (CCPT) é, em parte, um regresso a uma tradição. Um evento com foco na cultura pop e nem tanto virado para o gaming, embora este seja parte fundamental do que é, afinal, essa cultura. Este ano o regresso foi feito num novo local, uma estreia em Santa Maria da Feira no Europarque, ao que regressamos mais uma vez!

Tem sido assim desde 2014, na altura a Nintendo 3DS estava ao rubro e andava tudo com as suas consolas portáteis na ânsia de obter um StreetPass, mecanismo já este esquecido mesmo pela própria Nintendo, mas que fiz questão de levar a minha consola (como sempre, nestes eventos), e não é que... funcionou? É bom ver que, apesar que consola está "esquecida", ainda há quem a traga consigo para estas trocas de StreetPass.


Afinal, a própria Nintendo esteve nesta CCPT com um espaço bastante amplo! Dos jogos mais recentes como Tomodachi Life: Living the Dream a ocupar bastante aquela parte do recinto, a outros jogos que não poderiam faltar como Mario Kart World, ambos os Super Mario Galaxy, Metroid Prime 4: Beyond, Pokémon Legends: Z-A e Pokémon Pokopia, entre outros jogos para a diversão em conjunto como Mario Tennis Fever ou Super Mario Party Jamboree. O espaço estava devidamente carregado com várias Nintendo Switch 2, e as respetivas versões dos jogos, com ainda alguns títulos third-party para muitos poderem experimentar títulos já conhecidos, como Cyberpunk 2077 ou Final Fantasy VII: Remake Integrade, mas a corre nesta consola. Como sempre, voltou o palco com os vários momentos de competição para todos aqueles que queriam mostrar a sua proeza de Mario Kart World, entre outros jogos, a troco de um brinde pela sua prestação.

Mas, é pena que só a Nintendo, das principais distribuidoras de consolas e/ou jogos, tenha sido a única a marcar presença diretamente. Certo, não é um evento de gaming, mas os videojogos fazem muito parte daquilo que é a cultura pop. E acabou por estar presente, por competições já habituais em eventos como de Rocket League, Fortnite ou League of Legends, e conversas sobre Saros, antecipando o seu lançamento. Ficam as saudades dos espaços ocupados também pela PlayStation e Xbox, enchendo os pavilhões, com filas extensas para todos poderem experimentar os jogos. Havia também um espaço dedicado a boardgames, mas mesmo esse era bem pequeno, quando comparado ao que encontramos, por exempo, no Lisboa Games Week.


Não houve grandes marcas, mas tivemos uma boa dose de indies portugueses num espaço para si, partilhado por algumas bancas de artistas que expunham o seu trabalho. Teve presença da Associação de Produtores de Videojogos Portugueses (APVP), títulos como Spectron (ao que chamei do casamento entre Undertale e um twin-stick shooter), Hell Maiden, Bobo e o Baú dos Pesadelos, Infini Space e Vroomity Loops, esteve o Mirai #167, jogo a ser desenvolvido há muito e que podem experimentar a sua demo através da Steam. Um espaço tímido, ainda assim com alguns jogos, mas merecia uma maior presença.

Até porque, em parte, o sentimento que tive com a CCPT este ano é que "merecia mais". É uma sobra daquilo que já foi, e é certo que o local não ajudou, pois, em pleno sábado a adesão estava muito longe à que estava habituado. As filas eram poucas, mesmo para aquelas onde íamos buscar uns brindes, não haviam multidões impacientes. O pavilhão onde concentraram tudo estava composto, mas não cheio, e mesmo a entrada principal onde tínhamos de passar para chegar onde quer que fosse, não tinha a confusão provocada pela enorme quantidade de pessoas que tinham ido ao evento. E sim, um pavilhão, não um conjunto deles que enchiam com as mais variadas atividades, experiências, exibições diversas e muitos produtos a tentarem vender a sua marca, como uma verdadeira feira de entretenimento deve ser. Faltou muito disto, embora tivéssemos alguns espaços a manter essa tradição. O que se manteve bem visível foi o cosplay, durante o evento todo, eram muitos os que voltavam a encarnar famosas personagens!


O sentimento que causou é que, resumidamente, pareceu tudo a meio gás, parecia que estava a começar o evento, que comparando com outras edições pela mesma altura, mal nos podíamos mexer livremente entre os corredores criados pelas várias bancas de merchandising, lojas, artistas e promotores. Mesmo os convidados, ponto fundamental para atrair muitos ao evento não parece ter causado furor, e mesmo as salas onde eram feitas estas conferências ficavam aquém dos enormes espaços improvisados que tínhamos no passado. Tinha uma boa praça de alimentação, exterior que aproveitou bem os dias solarengos, com uma boa diversidade de escolhas que era importante, até porque não havia nada perto do Europarque. E a localização do espaço era boa, junto à autoestrada, mas pecou por uma oferta reduzida de shuttles para procurar usar transportes públicos: ligavam a Espinho e Ovar, mas não diretamente ao Porto que, por si, já é um ponto de ligação entre várias cidades da região.


Deixou-me nostálgico, com saudades dos tempos em que os eventos em Portugal enchiam espaços, tinham convidados de peso que atraíam multidões, tinham espaços enormes dedicados ao gaming, que atraia também muitos, que depois nos reuníamos todos próximos dos jogos (e não só) para meter a conversa em dia. Isto parece ser norma, e não só relativo à CCPT: desde o "fim" da Covid-19 que muitos eventos não são como eram antes, e fica a saudade disso. Certo, os hábitos mudaram e efetivamente estamos numa realidade onde os eventos digitais acabam por ter mais popularidade, mas são acontecimentos como a CCPT que trazem de volta as multidões a estes eventos, e servem de desculpa para velhos reencontros (que, não é preciso eventos para as pessoas se reunirem).

Ignorando os dias da semana, que sempre foram menos populares, foi um fim de semana bem passado? Sim, o tempo passou a voar e deu para ver com atenção o que a Comic Con Portugal tinha para oferecer este ano. Que podia ser melhor? Sem dúvida, e ficam as saudades de eventos passados em que saía de lá de coração cheio. Resta agora ver como será a próxima edição, onde será feita e se marcará o regresso às edições passadas, com pavilhões cheios, muita gente e uma enorme oferta de diferentes atividades a explorar.


Até para a próxima!

Latest in Sports