Xenoblade Chronicles: Definitive Edition


Lançado originalmente para a Wii há 10 anos, Xenoblade Chronicles entrou diretamente para as listas de favoritos de muitos amantes de videojogos JRPG. Agora, chegou a vez da Nintendo Switch o receber, numa versão remasterizada que, além dos visuais em HD, conta com uma série de novidades nesta "Definitive Edition".


Dos criadores de Xenogears e Xenosaga, cujas temáticas habitualmente misturam ficção científica e fantasia com umas doses de filosofia, este foi um sucessor espiritual num mundo completamente novo, composto por duas criaturas colossais: Bionis e Mechonis. Reza a lenda que, no início dos tempos, eram os únicos habitantes no mundo, mas entraram num conflito que durou até que os dois ficassem, para sempre, imobilizados. A vida, porém, continuou o seu caminho, com toda uma diversidade de criaturas biológicas a surgir em Bionis e outras, mecânicas, em Mechonis.

Passaram-se eras, as espécies evoluíram e várias civilizações foram surgindo. O conflito que houve entre duas criaturas, ocorre agora entre as diferentes espécies que as habitam. Em Xenoblade Chronicles, tudo começa com um flashback de há um ano atrás, quando os Homs ("humanos") se confrontam contra os Mechon ("robôs") no campo de batalha que há milénios atrás feriu o Bionis. Graças à Monado, uma espada com poderes especiais, os Homs conseguiram parar os adversários, mas o período de paz que se seguiu não duraria muito tempo.


Residente na Colony 9, um dos últimos redutos onde vivem os Homs, Shulk é um jovem investigador que tenta perceber os verdadeiros poderes da Monado. Uma espada de energia que atinge os adversários de Mechonis, mas incapaz de ferir os habitantes de Bionis, poderá ser a chave para os proteger a todos. Infelizmente, os inimigos não têm tempo a perder e atingem a cidade com o objetivo de a destruir, acabando com uma série de vidas - incluindo a de Fiora, a pessoa mais importante da vida de Shulk.

Assim começa uma jornada que levará o protagonista em busca de respostas para o que está a acontecer, desvendar os mistérios da Monado e, acima de tudo, vingar a perda de Fiora. Mas Shulk não imagina sequer o longo percurso que terá pela frente. Ao longo da jornada, irá conhecer outras personagens e civilizações, fazendo novos aliados, que incluem novas personagens para a equipa, já para não falar da história inesquecível que se irá desenrolar. Passaram dez anos, sim, mas spoilers são spoilers.


O jogo conta com enormes áreas de exploração, diversas regiões ao longo do corpo do Bionis com caraterísticas completamente distintas. Um fantástico mundo de fantasia onde até um oceano pode ser visto no céu, cada área é completamente diferente e supreendente. Embora o jogo seja bastante linear em termos de história principal, o que não falta é conteúdo opcional, que vai desde explorar todos os recantos de cada região em busca de tesouros, a matar criaturas e recolher materiais para ajudar os diversos habitantes que se vai conhecendo. Quanto mais se vai aprofundando a relação entre os heróis e o resto do mundo, melhores são as quests que se vão encontrando, abrindo até as portas dos locais mais secretos.

Com tudo isto, dizer que a história principal pode ser concluída entre 40 a 50 horas de jogo, não é nada em comparação com todo o potencial de exploração. Para os mais obcecados em fazer 100% de um jogo, porém, é importante estar atento a certos avanços na história, quando o próprio jogo pergunta se se tenciona mesmo avançar.


A Edição Definitiva

Ao adaptar este jogo para a Nintendo Switch, a Monolith preocupou-se muito mais do que remasterizar os visuais para uma consola em HD. Os modelos das personagens foram totalmente remodelados, agora com caras bonitas e expressivas, mesmo que as suas animações a caminhar e combater sejam as mesmas de há dez anos.

Já em termos de banda sonora, toda ela foi remasterizada com versões magníficas, ainda mais ricas e envolventes, deixando o jogador completamente imerso naquele mundo. Os nostálgicos ou curiosos, porém, poderão livremente alternar entre as novas versões e as originais.

Visualmente, o jogo ganha muito mais pela sua expressão artística do que propriamente os gráficos em si, o que já era verdade na versão original da Wii. A correr na Nintendo Switch, em Modo TV, os visuais têm um upgrade bastante notável por serem em HD, estando ao nível do Xenoblade Chronicles 2, jogo nativo desta consola. Continuam a ser bem visíveis coisas como a relva dos terrenos, que só aparece uns metros à frente das personagens, especialmente nos cenários mais amplos - coisa que não falta neste título.

Modo TV
Modo Portátil
Já no Modo Portátil, além da natural resolução inferior, o jogo reduz bastante o nível de detalhe tanto nas personagens como os cenários em si. A experiência é ainda mais prejudicada para quem gosta de afastar muito a câmara das personagens, onde estas serão trocadas por modelos de resolução bastante inferior. Ainda assim, comparando com o título original, esta continua a ser uma versão melhorada... e portátil! Apenas nunca fica à altura do Modo TV.

Mais do que os gráficos, no entanto, a grande remasterização vem de toda a interface de jogo, desde os menus ao sistema de combate em si. Desde mudanças de equipamento, upgrades às habilidades, acompanhar os objetivos da história principal e missões secundárias, até aos relacionamentos entre personagens, tudo é bastante mais claro e acessível. Se no original já há uma grande complexidade, nesta versão foi acrescentado ainda um modo "expert", onde o jogador é que irá controlar a distribuição da experiência das personagens, controlando ao máximo o seu desenvolvimento.

Quanto ao sistema de combate, este foi inalterado, mas conta agora com uma visualização mais simples de quais os movimentos recomendados em certos momentos. O jogo mistura uma componente de turnos e ação, sendo que se controla apenas a personagem principal, salvo em ocasiões especiais de ataque em corrente. Certos ataques na sequência certa abrem a oportunidade de facilmente arrasar com os adversários, deixando-os até temporariamente imóveis. Além disso, cada personagem tem um estilo de combate muito diferente, pelo que é bom conhecê-las a todas para decifrar as melhores combinações ao estilo do jogador.


Complicado? Sim, requer alguma aprendizagem, mesmo que depois acabe por se tornar intuitivo. No entanto, a Monolith percebeu as dificuldades que ele pode impôr, especialmente durante as primeiras horas de jogo onde tudo é novidade, e criou por isso mesmo um "Casual Mode". Este simplesmente exige menos perícia em termos de combate, com os adversários comuns a utilizar menos ataques que bloqueiem as personagens da equipa, por exemplo. Isto torna bastante fácil combater as criaturas comuns que vão aparecendo à medida que se avança, mas mesmo assim consegue apresentar algum desafio quando se enfrentam bosses importantes, por exemplo. O melhor disto é que fica à escolha do jogador ligar ou desligar este modo, em qualquer momento da história. Já as criaturas de níveis muito superiores aos da equipa, seja em modo casual ou não, convém sempre evitar!

Por tudo isto, esta é sem dúvida a melhor versão deste clássico da Wii, mas há mais! Além do jogo principal, esta Definitive Edition conta ainda com uma história adicional, com o título de Future Connected.


Xenoblade Chronicles: Future Connected

Future Connected passa-se um ano depois dos eventos da história principal, e também por isso o menu principal do jogo avisa os mais curiosos que convém estarem familiarizados com tudo o que aconteceu até ao fim. Caso contrário, ou não entenderão nada do que se passa... ou sentirão o enorme peso dos spoilers.

Esta é uma espécie de sequela direta, que começa por nos mostrar como estão as coisas na Colony 9 um ano depois de todos os acontecimentos. A aventura, porém, será numa nova área de jogo, onde Melia procura reencontrar o povo da sua espécie. Mas o que seria um reencontro dentro de um videojogo sem problemas pelo meio? Assim começa este pequeno jogo, cuja história principal rondará umas 4 horas de duração, mas com bastantes atividades opcionais pelo meio.


Sendo esta uma área completamente nova, há muito para explorar e descobrir, incluindo sequências de Quiet Moments onde é possível ficar a conhecer melhor cada uma das personagens, incluindo os adoráveis Kino e Nene, filhos de Riki que também querem ser heróis. A maioria são diálogos bastante interessantes, que dizem também muito sobre o mundo deste jogo, mas há também alguns mais humoristas.

O sistema de batalha foi também um pouco alterado, trazendo para o combate todo um exército de criaturas fofas, recrutáveis depois de as ajudar nas respetivas side-quests. Com tudo isto, o conteúdo faz disto mais do que um mero "capítulo adicional", mesmo que não seja suficiente para ser considerado como um pequeno jogo à parte.

Visualmente, consegue também ser um pouco mais bonito que o título principal, à conta de efeitos de partículas e nevoeiro que não fazem parte do original. Além disso, após a conclusão da história, este desbloqueia algumas funcionalidades bónus para o original. Haverá melhor desculpa para se voltar a jogar o principal, agora em "New Game Plus"?


Xenoblade Chronicles é um jogo inesquecível. Passados dez anos do título original, foi um prazer enorme revisitar este mundo, reviver a história de Shulk e os seus companheiros. É também um jogo perfeitamente atual, mesmo que graficamente não vá competir com grandes títulos "AAA" da atualidade. Já a estética, essa, não envelheceu um único dia. Este é, sem sombra de dúvida, um dos melhores RPG lançados na Nintendo Switch, mesmo sendo "apenas" um clássico remasterizado.

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo.
Xenoblade Chronicles: Definitive Edition Xenoblade Chronicles: Definitive Edition Reviewed by Telmo Couto on 27 maio Rating: 5

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