Days Gone


A Bend Studio tem uma ligação já de uns bons anos com a Sony. Tudo começou quando o estúdio foi comprado pela Sony em 2000. Na altura o seu maior feito tinha sido a série Syphon Filter, que durou até à PlayStation Vita. Sendo este o primeiro título original da companhia para a PlayStation após ter trabalhado em adaptações de jogos como Uncharted para a PS Vita, as expectativas são mais que muitas.

Será que a fasquia de Days Gone está demasiado alta após 6 anos em desenvolvimento?

Days Gone apresenta-se como um jogo single player num mundo aberto ou semi-aberto, pós-apocalíptico e repleto de "zombies". Um jogo de sobrevivência que coloca o jogador num mundo sandbox, que permite vasculhar edifícios e carros em busca de mantimentos ou recursos para criar tanto armas como materiais de recuperação de vida.

A história será documentada na pele de Deacon St. John, um motoqueiro caçador de recompensas que se encontra devastado pela morte da sua amada Sarah, em busca de redenção para a sua alma e de mantimentos que o permitam manter-se vivo num mundo devastado por um vírus. A ação decorre numa localização chamada Pacific Northwest, dois anos após um vírus se ter espalhado pelo mundo inteiro, infetando e tornando milhões de pessoas e animais, em criaturas sedentas de carne humana. A bom da verdade, tornando todos os seres humanos em "zombies" ou, como são chamados no mundo de Days Gone, Freakers. O vírus concedeu-lhes força, velocidade e agilidade. Em resultado disto, toda a civilização ruiu e as cidades foram sendo abandonadas em favor de vários acampamentos nas partes selvagens do território.

Existem 3 campos principais e este é de facto o ponto fundamental do desenlace da história, a interação entre grupos. Mark Copeland (zona Peaceful Lake) é o líder de um desses grupos, um caçador experiente que passou grande parte da sua vida a caçar animais selvagens com o seu pai. Acredita firmemente na liberdade individual e, apesar da seu aspeto exterior forte, preocupa-se com cada membro do grupo. O segundo campo que é apresentado é gerido por Ada Tucker (zona Hot Springs), uma ex-supervisora de prisão da ala feminina que obriga cada membro do grupo a trabalhos forçados. Por último, temos o acampamento gerido por Iron Mike (zona Lost Lake), que já conhecia Deacon antes do vírus ter atacado em força, no entanto os ânimos sempre estiveram muito exaltados entre ambos.


Todos os materiais são super escassos, de maneira que a gestão dos mesmos será a opção mais inteligente a tomar para assegurar a sobrevivência.

Cada acampamento apresenta um par de missões diferenciadas entre elas e, a cada missão que Deacon complete, serão fornecidos créditos ou dinheiro para utilizar em melhorias para mota, novas armas ou até mesmo para repor o combustível e reparar a mota. Se os créditos são atribuídos no acampamento do Copeland, os mesmos só podem ser gastos no acampamento do Copeland, tornando cada crédito numa espécie de moeda única dessa região.

Durante estas missões é possível escolher ações. Por exemplo, ajudar o grupo A ou o grupo B com medicamentos, ou enviar o sobrevivente para o acampamento A ou acampamento B. Ainda que não modifique as linhas principais da história, é um toque que dá alguma liberdade de escolha ao jogador, tornando a história um pouco mais imersiva. Para avançar no jogo é necessário por vezes combinar missões de cada acampamento, embora Deacon tente sempre ocultar a ligação entre grupos e não manchar a sua imagem de mercenário, ou "drifter" como é mais comumente chamado em Days Gone.

O que à primeira vista parece ser uma história sem muito conteúdo, ao longo do decorrer dos acontecimentos vai ficando bastante mais interessante.

A certo ponto na história, é apresentada a NERO (National Emergency Response Organization), que é nada mais nada menos que a equipa de de resposta a desastres. Esta organização mantém-se ativa mesmo depois da população ter sido dizimada, fazendo testes em indivíduos afetados, numa tentativa de encontrar uma resposta para este acontecimento apocalíptico. Mas onde entra a interação entre Deacon e esta estranha organização ?

Pois bem, O’Brien, o homem que resgatou Sarah de helicóptero quando esta estava severamente ferida depois do ataque sofrido, está vivo… O que deixa Deacon com esperança de que a sua amada possa ainda estar viva.


Uma história que fica marcada pelas intrigas e desavenças entre personagens, que estão num patamar muito bem conseguido, mas também pelo drama pessoal de Deacon e o seu passado.

A palavra de ordem será acima de tudo a sobrevivência. Assim, a personagem principal passará grande parte do seu tempo em combate contra hordas de Freakers, animais contaminados também pelo vírus e com outras ameaças humanas. É possível encontrar campos inimigos no ativo no meio selvagem, ladrões e assassinos que caçam os mais fracos que dão pelo nome de Marauders, Rippers ou Anarchists.

No que toca a inimigos, dentro dos Freakers é possível enumerar vários tipos:
  • Swarners - Adultos infetados, que compõem a maioria dos Freakers. Sozinhos apresentam uma ameaça bastante pequena, mas na sua generalidade andam em grupos. Se virem uma horda de zombies a correr na vossa direção o melhor mesmo será fugir.
  • Newt – Adolescentes infetados, são geralmente menos activos e apenas irão atacar quando a vida da nosso personagem estiver baixa ou se o mesmo se aproximar demasiado. Sim, há uma linha que separa os Newt do Deacon!
  • Screamer – Capazes de atordoar Deacon e chamar as hordas de zombies. Posto isto, o melhor é mesmo serem abatidos o mais rapidamente possível.
  • Breaker – Freakers super musculados capazes de suportar bastante dano.
Em termos de animais, também eles infetados com o vírus, temos lobos (Runner) são super rápidos e capazes de te puxar da mota, e os ursos que são capazes de suportar bastante dano.

Como os Freakers ainda são seres vivos, apesar de todos os perks que lhes foram dados com o vírus, podem ser abatidos pelos mesmos métodos que os inimigos ainda humanos, ou seja, o jogador poderá disferir ataques stealth onde usará a faca, bastões de basebol ou meras placas de madeira ou, por outro lado, usar armas de fogo. No entanto, como a maioria se desloca em grupo, o melhor mesmo será evitá-los, ou abatê-los individualmente.


Deacon não fica atrás em termos de capacidade de sobrevivência e capacidade de se defender em combate. Foi membro de um moto clube antes do apocalipse, o que o torna num condutor com bastante técnica para evitar ataques de inimigos. É capaz de usar armas de corte como facas e armas como tacos de basebol. Terá a capacidade de usar várias armas de fogo que vão desde pistolas com e sem silenciador, assault riffles (etc..). Um dos apontamentos importantes é a capacidade de fazer tracking a pegadas, descobrindo desta maneira pistas que nos podem guiar a acampamentos ou até em certas missões onde o objetivo é de facto fazer tracking a uma personagem perdida.

Mesmo durante o confronto é possível aceder ao menu de seleção de armas e criação de materiais pressionando o botão R1. O tempo será passado em modo slow motion o que permite ao jogador selecionar a opção pretendida. 

A mota de Deacon (Drifter Bike) serve como principal modo de locomoção e é toda ela customizada para o uso em estrada bem como off-road (campos, areia). Como foi dito por Emmanuel Roth na apresentação do jogo, é de facto um dos pontos principais e que faz com que este se destaque dos restantes títulos de "zombies". Mas há mais ferramentas à disposição:
  • Binóculos – Dão sempre jeito para marcar os nossos inimigos e até para escapar a hordas de zombies que se aproximem.
  • Faca – Deacon tem sempre a sua preciosa faca consigo. Necessária para abrir carros, portas e outro tipo de recipientes que sejam passiveis de conter materiais. Claro está, quando necessária também será usada para combate corpo a corpo.
  • Pistola – Teremos sempre a pistola disponível.
  • Armas pesadas – O nosso personagem poderá equipar e utilizar, Assault Rifle e Carabinas, Shotguns, Sniper Rifle e um Crossbow. O Crossbow é de longe o mais complicado de usar e apenas para close range.
  • Explosivos improvisados – Poderemos ainda fazer explosivos como Molotovs, Bombas de Proximidade e Bombas que atraem zombies.
Os menus estão superintuitivos e mais importante, completos. Nesse mesmo menu é possível usar o touch pad para fazer scroll entre separadores. É possível selecionar o mapa, ver inventário e skills bem como a storyline onde será apresentado traços da história já concluídos, missões ativas colecionáveis e troféus.


É possível usar a habilidade de fazer fast travel, com a nuance de que é necessário usar combustível. Se não houver combustível suficiente no tanque da mota não é possível fazer a deslocação rápida para o ponto pretendido.

Isto tudo será passado num cenário de mundo aberto com grafismos de cortar a respiração, onde a mudança de tempo será uma constante e um ponto também diferenciativo no que toca à jogabilidade. Quando neva ou o chão está molhado da chuva a condução torna-se inevitavelmente mais escorregadia, não que seja uma condução difícil, mas necessita de um pouco mais de atenção.

Graficamente, Days Gone é um mimo, especialmente na PlayStation 4 Pro. O nível de detalhe nas mudanças climatéricas, desde a neve ao detalhe da lama quando chove, passando pelas paisagens verdejantes e a luz ao pôr do sol. As personagens confundem-se com pessoas reais, tal foi o detalhe impresso neste título, desde as cutscenes, às falas mesmo no decorrer da ação, passando pela barba por fazer de Deacon. Todo este aspeto foi muito bem executado.

Importante referir alguns apontamentos menos positivos no que toca à performance na PlayStation 4 "standard". Em certas zonas é possível ver-se um decréscimo de FPS e alguns bugs ocasionais, como por exemplo rochas a flutuarem no topo das montanhas, algo que a atualização de lançamento promete melhorar.


Days Gone é um jogo surpreendente. Uma história centrada nas intrigas entre as personagens, mas que aos poucos vai revelando mais profundidade e deixa qualquer um em suspense, à espera de saber mais. Com uma jogabilidade intuitiva e gráficos de cortar a respiração, é visível a paixão que foi colocada neste jogo, que não poderá faltar na biblioteca de jogos de quem aprecia experiências em mundo aberto e, claro, zombies!

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela SIEE.
Days Gone Days Gone Reviewed by Pedro de Almeida on 25 abril Rating: 5

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