Onimusha: Way of the Sword (Nintendo Switch 2)

Onimusha: Way of the Sword (Capcom)
Vinte anos. Passaram-se duas décadas desde o último capítulo nesta história, onde samurai lutam contra demoníacas criaturas, de nome Genma, que chegam das entranhas mais profundas do inferno, para aterrorizar um Japão antigo. Quer dizer, no terceiro capítulo viajamos para a cidade de Paris moderna, jogo este que conta com a presença de Jean Reno, mas adiante, só queria muito recordar deste facto da história dos videojogos. Neste novo Onimusha voltamos a um Japão antigo com um tom ao bom estilo de terror, com uma nova história onde o conhecimento prévio do resto da série é irrelevante.
Onimusha: Way of the Sword é uma nova oportunidade à série, uma espécie de reboot que pegou nos primeiros jogos, deu um abanão à coisa e modernizou para um jogo de ação atual. Desta vez o protagonista é Musashi, um samurai solitário que parece ter dom para chamar problemas ou meter-se em situações complicadas, e foi assim que ele acabou por morrer, logo nos primeiros momentos do jogo. É às portas do inferno que lhe é dada uma segunda oportunidade, voltar à vida agora equipado com uma Oni Gaunlet, e com uma missão: livrar o Japão dos demoníacos Genma, tornando-se então um Onimusha.
Musashi tem a seu lado uma pequena equipa de personagens que o acompanham, ou vá, os indicam para onde é que ele tem de seguir, para eliminar os problemas que assolam a região. Ao seu lado tem sempre Shizuka, um espectro de uma mulher que habita a Oni Gaunlet, que não só deu bastante companhia à medida que explorava o jogo, como está fortemente ligada aos eventos e história do jogo. Outros aliados são também Takamura, também ele equipado com uma Oni Gaunlet e que vai ensinado muita coisa a Musashi, tal como Okuni, uma pequena dançarina do estilo Kabuki, que nos ajuda recorrentemente. Todas as personagens se desenvolvem bem, e rapidamente ficamos a conhecê-las um pouco melhor. Musashi em particular passa de um samurai trapalhão, muitas vezes um "comic relief" fora de sítio, para um lutador de respeita, aceitando bem a sua missão. Há ainda Ganryu, que tal como Musashi tem uma Oni Gaunlet, mas as suas ações são bem questionáveis.
Onimusha: Way of the Sword (Capcom) — Nintendo Switch 2, modo TV (Meus Jogos)
Visualmente é um jogo incrível, com personagens bem detalhadas, cenários que parece que nos atiram para um clássico Japão rural, e tudo bem acompanhado por uma banda sonora que pode não ser memorável, mas que se enquadra na perfeição. Aliás, foi a música que me fez recordar imensas vezes que estava perante um Onimusha, e sim: mesmo que muitas vezes seja um conjunto de notas musicas e instrumentos que encontramos em milhentos jogos de samurai, ou representam um Japão antigo, são essas as coisas que podemos muito bem esperar de um jogo nesta série da Capcom. Mas, voltando aos visuais, toda esta análise foi feita com base na versão da Nintendo Switch 2, que aprofundo melhor mais à frente.
Primeiro para tirar uma possível dúvida: este não é um souls, nem um soulslike, nem nada do género. Onimusha: Way of the Sword é puramente um jogo de ação, com todo um sistema de dodge e parry para enfrentar tudo o que é inimigo, dos mais básicos aos bosses. Sim, há alguns pontos que nos lembram dos típicos souls, como os inimigos darem reset assim que acedemos a um save point, itens para recuperar a vida que também recuperamos neste reset, ou até mesmo a mecânica de dodge, parry e contra-atacar lembrar um pouco Sekiro, mas é mesmo isto, "lembra um pouco". O que, honestamente, até é uma lufada de ar fresco, pois estamos em 2026 e ainda vários são os jogos que procuram ser o próximo Dark Souls.
Onimusha: Way of the Sword (Capcom) — Nintendo Switch 2, modo TV (Meus Jogos)
Estando (praticamente) apenas equipado com uma katana e um arco, Musashi tem hordas de Genma para combater à medida que explora a desolada região de Quioto, no período de Edo. Consegue ser um jogo tenso, fez-me estar sempre atento aos movimentos dos inimigos para defender ou desviar no momento certo, e houve muita aprendizagem face aos vários inimigos. Desafiante é a palavra certa, mas se isto te intimida há sempre o modo "Story", que facilita bastante através de prompts de botões no ecrã, para indicar que botão temos de premir (mas sem nunca dizer o timing exato). Dito isto, por vezes os timings não eram os melhores, seja pelo tempo de reação ser demasiado curto, ou não se traduziam da melhor maneira com os movimentos dos inimigos. À medida que progredimos também desbloqueamos novas habilidades, e genuinamente por vezes esquecia-me por completo de uma ou outra, até me habituar novamente a usá-las.
Falando em truques são muitas as coisas ao nosso dispor! Dos movimentos com ataques de katana horizontais (mais rápidos) e verticais (mais fortes) às armas Oni que vamos apanhando, todas elas que são ataques especiais que requerem energia, esta que nos é apresentada através de pequenas almas azuis que flutuam, tal e qual como o primeiro Onimusha: Warlords teve. Há almas vermelhas para usar como custo para novas habilidades, ou comprar itens, mas que nunca perdemos quando temos um game over (relembro: isto não é um souls), que estava sempre a usar para comprar itens que melhoravam o equipamento, que resultava em mais vida, mais força e um melhor uso da Oni Gaunlet. Além do arco, que com setas infinitas podemos atacar à distância, interagir com elementos do cenário ou explodir com barris estrategicamente colocados, temos também o Oni Vision que nos permite ver coisas invisíveis, como tesouros escondidos, localização de itens ou umas pequenas aranhas que temos de jogar às escondidinhas com elas, para poder continuar. Há ainda uma transformação especial, o Oni Awakening que por breves momentos nos torna praticamente invencíveis, mais fortes, mas ainda assim vulneráveis a ataques dos inimigos.
Onimusha: Way of the Sword (Capcom) — Nintendo Switch 2, modo portátil (Meus Jogos)
Falando em "tentar ser outros jogos", há uma breve história com Onimusha! À semelhança do que aconteceu com Devil May Cry, Onimusha: Warlords começou por ser uma espécie de Resident Evil no Japão feudal, e isso notou-se bem no jogo de 2001. Dos planos de câmara à ação simples, o uso de recursos e, o mais importante ainda, a resolução de alguns puzzles que nos faziam progredir no jogo. Sempre vi Onimusha como o "Resident Evil com samurai" e, bem, Way of the Sword afasta-se muito da temática. Sim, é certo que em 20 anos Resident Evil mudou muito, mas a estrutura deste novo Onimusha é mais linear, seguimos missão em missão em corredores lineares até ao próximo objetivo, quando não estamos a explorar Quioto. Ainda assim houve uma parte do jogo, e merecíamos ter mais do que um momento assim, em que há uma estrutura mais à Resident Evil tradicional. Uma secção onde abrimos atalhos no mapa, temos alguns puzzles a resolver, e fez-me dizer "Isto sim, é Onimusha", deixando-me com vontade de mais, que quebrou imenso a monotonia da estrutura linear bem assente.
O mundo a explorar é, em grande parte do jogo, uma vila aterrorizada que vamos libertando-a aos poucos da influência e controlo dos Genma, ganhando assim acesso a novas zonas, à medida que também progredimos na história principal. Isto porque há também todo um conjunto de missões secundárias que podemos (e devemos) fazer, de modo a desbloquear novas peças de equipamento bem úteis, para enfrentar tudo o que é desafio. E, pegando neste ponto, este é um jogo bem desafiante! Musashi tem um arsenal de coisas à disposição, e bem precisamos de toda a ajuda! Não só os reflexos nos são colocados à prova como, por vezes, temos de pensar em como usar o cenário para a nossa vantagem, quer nos bosses, quer ao explorar. Ou a variedade de itens que nos dão melhorias durante o combate, que podemos ter vários à disposição em simultâneo, e devemos mesmo usar, principalmente nos combates mais decisivos.
Onimusha: Way of the Sword (Capcom) — Nintendo Switch 2, modo portátil (Meus Jogos)
Há coisas geniais: como exemplo, um dos primeiros bosses temos um grande inimigo que, se nos desviarmos junto a uma parede ele vai ficar com a arma lá presa, abrindo-se assim uma janela, uma mecânica que adorei, mas... parece que ficou meio que esquecida, pois até ver era exclusiva daquele boss em específico, o que é pena. Há outros combates em que suei, e precisei de estar sempre a usar os vários itens para sobreviver à chuva de ataques que, honestamente não conseguia defletir a tempo. Algo que destaco imenso é o design de muitos bosses, absolutamente geniais e fieis ao estilo de Onimusha, tal como os combates em si, marcantes. Posto isto, infelizmente a Capcom parece querer abusar deles em dois pontos: o primeiro é que muitas vezes o jogo parecia ser um "boss rush" com bosses uns atrás de outros em poucos minutos, e outro ponto é que vários foram os bosses que se repetiam sem motivo aparente, quer enquanto exploramos Quioto e me apareciam aleatoriamente, quer nos dos mapas que surgem à medida que progredia.
A exploração de Quioto tem bom ritmo, vamos desbloqueando missões secundárias que nos "roubam" apenas alguns minutos e facilmente viajamos pelo mapa (ou mapas) transportando-nos em segundos através dos save points. Em caso de dúvida de como ir para uma missão ou para algo importante no mapa, indicado através de um ícone, podemos marcá-lo e através do Oni Vision somos guiados até lá, o que é extremamente prático em várias ocasiões, já que o mapa não é assim tão fácil de perceber por vezes, até porque Quioto está transformada com paredes demoníacas que não estavam indicadas no mapa. Ainda assim divertiu-me explorar aquela modesta região, matar uns quantos Genma e ir encontrando adoráveis cães leão, para um dos objetivos do jogo para uma personagem chata que parecia querer escrever fanficts (vão entender, quando lá chegarem).
Onimusha: Way of the Sword (Capcom) — Nintendo Switch 2, modo TV (Meus Jogos)
Quanto à progressão do jogo, é estranha, por assim dizer. Há momentos de história marcantes, uns quantos enchimentos de chouriço habituais, mas que não se prolongam demasiado e, regra geral, resultavam sempre num combate contra um boss. Os momentos marcantes eram intercalados com outros que nada desenvolviam a história, mas do nada surgia algo de urgente e nada relacionado com o que estava a acontecer. O mais estranho foi mesmo o momento final, que repentinamente o jogo dizia chegar ao final e, ao aceitar a missão não havia retorno, e isto surge sem qualquer build-up ou alguma coisa de relevante que nos levasse para aquele momento. A história principal do jogo é dispersa, não são muitos os elos de ligação entre os vários momentos da história, mas, pelo menos, podem contar com muitas e incríveis cutscenes!
Toda esta aventura durou cerca de vinte e poucas horas, embora tenha saltado uma ou outra missão, senti-me que estava mais que pronto para o confronto final. Ou assim pensei, porque levei uma tareia descomunal no boss final que, se procuram um desafio, aqui o têm! Todo este momento foi uma aprendizagem, aprender bem os timings certos para defender, habituar-me às janelas de oportunidade para atacar, e saber reagir sempre de acordo com os vários ataques, que não são poucos, usar os itens que havia guardado para momentos mais decisivos como este. Chegou até mesmo a ser frustrante, mas foi um combate final digno de um jogo que nos diz "sim, usa todos os truques disponíveis".
Onimusha: Way of the Sword (Capcom) — Nintendo Switch 2, modo TV (Meus Jogos)
Mas, como está o jogo na Nintendo Switch 2?
Honestamente, a resposta mais rápida e prática é "incrível", com um jogo que tanto em modo ligado à TV como em modo portátil está idêntico, e sem grandes sacrifícios. A Capcom tem várias vezes demonstrado com o seu RE Engine que sabe fazer impressionantes versões na consola, ao ponto que os lança em simultâneo com as plataformas, sendo esta versão excelente se procuras um grande jogo de ação para levar para qualquer lado. E muita da qualidade visual deve-se não só à direção artística do jogo, como o que o motor consegue fazer, criando cutscenes tão fidedignas que parecem autênticos vídeos pré-renderizados. Tenho de admitir, contudo, que ao fim de longas horas de jogo (digamos, umas seis) ao desligar a consola ela bufava por todos os cantos e estava bem quentinha, mas nada que me surpreenda. Por via das dúvidas recomendo algumas pausas ao fim de umas quantas horas, apesar de tudo.
Os cenários estão lindamente detalhados, o jogo apresenta-se sempre fluído, ao que recomendo desligar o cap dos 30 frames por segundo, pois regra geral só senti quebras de fluidez num par de zonas mais densas ou amplas, e mesmo assim nunca deixou de ser uma experiência boa. Recomendo ainda ajustar as definições de HDR, pois por defeito parece tudo meio deslavado. É relevante aponta que, sendo este um jogo de ação frenética com tempos de reação ao milissegundo, convém que a performance do mesmo esteja no ponto para evitar grandes problemas. Sim, notamos que não é uma versão igual a uma PS5, Xbox Series X ou PC, mas é uma versão que está a par das restantes, e pode muito bem ser a escolha ideal para jogar Onimusha: Way of the Sword, ainda mais se a portabilidade de levar o jogo para qualquer lugar, seja um fator decisivo.
Onimusha: Way of the Sword (Capcom) — Nintendo Switch 2, modo TV (Meus Jogos)
De notar também que esta versão conta com motion controls que são, bem, um gimmick. Ao mover com os Joy-Con podemos atacar na horizontal e vertical, simulado os movimentos respetivos, e ainda premir o ZR para ativar a pontaria por giroscópio, que é algo que senti falta ao usar o Pro Controller. Este foi um comando que me ajudou bastante, tendo os dois botões adicionais para recolher almas num e usar o item de recuperação com outro. Senti, no entanto, falta de poder apontar com o giroscópio deste comando também, para ligeiros ajustes na pontaria sempre que usava o arco, algo que estou bem habituado noutros jogos na Nintendo Switch 2.
Seja que versão for, este é um excelente regresso a uma série há muito esquecida, que sinceramente espero que seja um novo recomeço, podendo contar com novos capítulos na série nos próximos anos, sejam protagonizados por Musashi, por um dos anteriores protagonistas, ou com uma nova personagem em mente. A temática do jogo é simples, embora marcante, e tem muito por onde explorar: além das eras históricas do Japão, com muita mitologia e fantasia à mistura, o potencial continua a ser enorme. E, se já nos atiraram para uma cidade de Paris dos temos modernos, podem fazer tudo, não é?
Onimusha: Way of the Sword é mais que obrigatório para os fãs da série, que certamente já só contam os dias até ao seu lançamento no próximo dia 4 de setembro, mas também é um jogo a não perder para os fãs de ação, ainda mais se gostarem da temática japonesa. Um jogo a não perder, e que como é habitual nos títulos da Capcom, nos convida a voltar ao jogo, mesmo após o terminar!
Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Ecoplay.












