Primeiras impressões de Fire Emblem: Fortune's Weave
Evitando revelar muito (pois quero que as surpresas logo no início se mantenham para todos), a primeira introdução ao jogo foi diferente a série me habituou, mas também muito familiar. Diferente, pois o setting é algo novo, por assim dizer, acompanhando o mundo em ruínas que nos leva a viajar no tempo para tentar remediar tudo. Logo no início da história tão depressa questionava a mudança de tom na série, como era logo atirado às bem familiares batalhas em grelha, com tudo aquilo que gosto em Fire Emblem. E tudo começa com a criação do nosso protagonista, com um papel minimamente curioso, no arranque desta aventura.
Neste primeiro contacto com Fortune's Weave consegui bem explorar os capítulos iniciais dos quatro protagonistas, conhecendo-os um pouco melhor e ficando bem feliz por poder alternar entre eles, sem ter de recomeçar o jogo (que era o meu maior receio). Todos têm histórias bem diferentes, cada um com motivos diferentes que os levam a Dagsion, a capital da região que exploramos aqui, onde estão a decorrer os Heroic Games, onde o seu vencedor terá um desejo concretizado. Até aqui tudo muito familiar, mas a maneira como podemos avançar no jogo, alternando entre personagens, é uma lufada de ar fresco naquilo que é uma série que até é habitual ver trocas de protagonistas, mas não tanto assim.
Passando por cada um deles, Cai acaba por ser o protagonista mais "tradicional", com uma campanha a seguir uma estrutura que intercala narrativa com combates estratégicos. Um jovem herói numa demanda por salvar o seu pai, acompanhado pelos amigos de infância da pequena vila de Ribeira. Já Dietrich tem uma história mais focada na procura constante por combates, este que tem um único propósito neste jogo: satisfazer o seu desejo por sangue. Passando para Theodora, a rainha do reino de Saramis, o seu propósito é honrar a sua deusa e proteger o seu reino, numa história que, em parte, lembrou-me de Three Houses, até porque uma das suas mecânicas que nos é introduzido no início é comandar um grupo de soldados nos combates. Por último temos Leda, uma jovem que procura vingança após ver o seu pai ser morto à sua frente, com uma lista pessoal de alvos a abater (muito ao estilo Kill Bill), enquanto vagueia pela região a mostrar os seus dotes musicais e de dança.
Os combates estratégicos talvez não precisem de muitas apresentações, e tudo o que é familiar na série está de regresso: as vantagens e desvantagens entre diferentes armas ou magias, os ataques à distância, o usar do terreno para assegurar uma vitória mais fácil. Todos os nossos passos devem ser pensados, se não quisermos perder personagens em combate, que podemos ficar definitivamente sem elas se assim optarmos, no sistema Permadeath (ou Classic) que a série tem desde o seu início, agora acompanhado pelo sistema Casual onde as personagens simplesmente regressam no capítulo seguinte. A estratégia é chave, mas tal como me aconteceu em Fire Emblem Engage optei por jogar na dificuldade Hard, pois em Normal já não me apresenta grande desafio. Até porque tendo uma panóplia de coisas e mecânicas, como os ataques especiais e Blaze Arts que trazem uma vantagem imensa nos combates, sinto que estou sempre overpowered face aos inimigos.
E pegando nestas Blaze Arts, funcionam como habilidades especiais exclusivas por um grupo limitado de personagens, todas elas com estratégias diferentes. Do suporte à ofensiva, todas adicionam um certo nível que aprofundam as táticas que encontrei em combate, como, por exemplo pegar fogo ao terreno, limitando os movimentos dos inimigos para poder atacar à distância, conseguir atacar bem à distância com um ataque de longo alcance, ou movimentar pelo terreno, independentemente do que temos pelo caminho. São ataques especiais cujo custo é drenar a vida das personagens, mas devido à sua força ou utilidade, fico curioso se encontrarei combates cuja dificuldade é feita a pensar em tirar o partido máximo destes ataques, pois até ver, não são propriamente habilidades vitais para a vitória.
São nestes momentos slice of life que encontramos e interagimos com personagens secundárias, que podemos juntar à nossa entourage. A mecânica de os recrutar é interessante, tentando apelar ao seu interesse para ficarem convencidos a juntarem-se a nós, e logo nas primeiras horas de jogo encontrei uma boa quantidade de personagens, todas elas diferentes. Dito isto ainda há muito a fazer, não é assim tão fácil juntarem-se à nossa equipa.
Sendo Fortune's Weave um jogo no mesmo universo de Three Houses (até logo no início nos é apresentado de tal forma), há muito desse jogo que regressa. Voltamos a ter algum slice of life, tarefas quotidianas como interagir com outras personagens, sejam elas ou não parte da nossa equipa, para conversar com elas, ou até mesmo levá-las a comer fora. Há missões secundárias a receber, que vão de simplesmente combater contra determinados inimigos, apanhar e entregar itens, ou até mesmo procurar por pessoas em Dagsion. Coisas que nos ocupam o tempo até estarmos prontos para o dia em que avançamos na história, tal como acontecia em Three Houses.
Não querendo despejar já tudo nestas primeiras impressões do jogo (até porque para isso é que temos a análise, certo?), fiquei bastante surpreso, e satisfeito, com o modo como exploramos as masmorras, que podem ser cavernas, fortes, florestas..., que funcionam como pequenos locais a explorar, derrotar inimigos e apanhar toda uma quantidade de itens e tesouros. Além da exploração ser livre, aqui os combates funcionam como uma espécie de RPG por turnos à lá Dragon Quest, Final Fantasy, ou qualquer outro jogo do género que se queiram lembrar. Apesar de não haver muita estratégia envolvida, até porque os combates funcionam muito automaticamente, não queremos ser derrotados, porque ficamos completamente sem energia e lá temos de voltar ao local depois, já com tudo recuperado, e preferencialmente com alguns níveis adicionais nas personagens.
Até ver, o meu primeiro contacto com Fire Emblem: Fortune's Weave está a ser bastante positivo, deixando-me curioso por saber o rumo que a história vai levar, um cenário onde tudo está destruído e nós temos a tarefa de enfrentar Balor, acompanhado pela deusa Fortuna, e nós, o nosso avatar que tem alguma ligação com Sothis, ou pelo menos assim parece. Um jogo que me está a agarrar por completo, e que não vou descansar até terminar a sua história!








