Digimon Story: Time Stranger (Nintendo Switch 2)


O final do ano passado terminou uma longa espera, com o regresso de um novo RPG em condições de Digimon. Tínhamos novamente um jogo mais tradicional, focado na história e em combates por turnos, com uma boa quantidade de monstros digitais para digivoluir, onde podemos encontrar muitos dos favoritos. Um lançamento em grande, mas que deixou uma grande dúvida: então o lançamento na Nintendo Switch? Algo que terminou agora!

Digimon Story: Time Stranger chegou agora não só à Nintendo Switch, como à Nintendo Switch 2, encontrando aqui uma espécie de "casa perfeita", pois é o estilo de jogo ideal para ter sempre disponível numa portátil. Um lançamento que não traz muito de novo comparativamente ao que já tínhamos disponível nas outras plataformas, mas apesar disso ainda trouxe uma surpresa que levou a que o jogo fosse atualizado em todo o lado! Posto isso podem ler a minha análise ao jogo quando o devorei na PlayStation 5, mas agora, este foi um título que me acompanhou muito durante as férias na nova consola da Nintendo.


Este é um RPG tradicional que conta com um misterioso protagonista, que parece estar sempre pronto para uma convenção de cosplay, por parecer um super-herói, isto dito por personagens no próprio jogo. É no meio de vários eventos bizarros que passamos a ter ao nosso lado os Digimon, que terão de combater muitos outros durante uma boa dezena de horas. Das primeiras horas a explorar o mundo real, passamos para as várias aventuras num conjunto de regiões do mundo digital, resolvendo problemas em ambos os lados, levando-nos a conhecer uma boa série de personagens.

Como o nome assim indica, o tempo (ou as viagens no tempo) são um elemento chave de Time Stranger, adensando o mistério em redor da história em muito dúbia no início, mas que nos levam a ligar os pontos todos à medida que avançamos. Honestamente enquanto que a parte inicial do jogo agarrou-me não só a primeira vez que o joguei, como agora na Nintendo Switch 2, a segunda parte é penosa, com uma narrativa mal amanhada, e uma repetição severa que até se sente logo desde as primeiras horas de jogo quando nos levam a explorar os mesmos esgotos mais vezes do que devido. Já conhecendo a história do jogo, houve genuinamente momentos em que saltei os diálogos, pois sabia que aqueles em particular iam ser irrelevantes.

Apesar disso, adorei o jogo: há muito que não tinha um RPG de Digimon que me agarrasse tanto como este, mesmo que não destrone Digimon World 2003 como o meu jogo favorito da franquia, mas foi um jogo que queria jogar novamente mal o anunciaram para ambas as Nintendo Switch. E, posto isto, como está o jogo nestas consolas híbridas?


Digimon agora na Nintendo Switch 2

Embora já o tivesse jogado um pouco na versão de demonstração disponível, saltar para o lançamento em si, foi em grande! O jogo apresenta-se em muito semelhante ao que encontramos nas restantes plataformas, apesar que conta com alguns pontos que visualmente podiam estar melhor trabalhados. Há alguma falta de otimização, deviam ter trabalhado num melhor anti-aliasing para uma merecida polidela, e muito do trabalho de texturas, que já na PS5 havia sentido, agora parecem mais pronunciadas. Coisas estranhas, até porque Time Stranger não é, de todo, um jogo visualmente impressionante ou que peça muito do hardware onde está a correr.

Apesar de ter sido lançado originalmente a 30 frames por segundo, o que na altura levou mesmo muita gente a questionar "porquê?", este lançamento na Nintendo Switch 2 vem com os bem desejados 60 frames por segundos, ou pelo menos assim tenta: por várias ocasiões vi ali um ou outro soluço na performance do jogo, nada que arruinasse a experiência, mas que não deixei de notar, principalmente em zonas mais abertas dos mapas. Novamente, este não é um jogo que pede muito ao nível visual, e merecia um pouco mais de atenção para que a entrega fosse o mais polida possível, apesar de serem coisas mínimas que rapidamente ignorei, ou esquecia-me delas.


E tudo isto tanto jogado na TV, ou como em modo portátil. O jogo está idêntico entre modos, o que é perfeito para a "magia" que é estar a jogar na sala, para pegar na consola e passar a jogar em modo portátil assim que alguém precise da TV, ou nós temos de ir a algum lado e levamos a consola connosco. Digimon Story: Time Stranger, tal como muitos outros RPG tradicionais encontram na Nintendo Switch 2 um sítio perfeito para estar, até porque o grind mais tardio para subir os atributos de determinados Digimon, para obter uma ou outra digivolução que tanto queria, faz-se muito melhor em modo portátil, enquanto estamos a ver outra coisa na TV. Mas, se quisermos a experiência visual mais detalhada, sacrificando a fluidez, podemos sempre jogar no modo de máximo qualidade na TV, com visuais a 4K.

Lamento também que o lançamento não inclua os DLC, com vários conteúdos adicionais já disponíveis na eShop com alguns conteúdos cujos preços são... demasiado caros para o que é. Por muito emocionante que seja ter combates ao som de "Butter-Fly" ou "brave heart" da primeira série de animação, ou "With The Will", das minhas músicas favorita das séries de animação, não me vejo a pagar 19,99 € para tal. E o mesmo digo de vários outros DLC cosméticos, estes com a agravante que temos algum conteúdo bloqueado, que podia bem pertencer ao jogo em si. Não é uma prática assim tão fora de comum, mas bem que podiam ter incluído vários destes conteúdos no lançamento para a Nintendo Switch 2, de forma a aliciar melhor o double-dip ao para muitos fãs, e caso queiram ter a experiência completa de Time Stranger, preparem-se para pagar mais do dobro do preço do jogo base.


Mas, e na Nintendo Switch original?

Talvez a maior surpresa deste lançamento é o jogo estar disponível na Nintendo Switch de 2017, e o resultado é bem positivo! É um jogo visualmente consistente, nos 30 frames por segundo o que oferece uma experiência em muito semelhante ao que encontrei originalmente na PS5, apesar que na Nintendo Switch conta com uma resolução inferior, e uma forte compressão nas texturas. Compromissos visuais mais que expectáveis, mas que demonstram que o jogo consegue estar perfeitamente nesta consola, acompanhando as restantes plataformas.

Torna-se assim muito fácil de o recomendar, caso ainda não o tenham jogado, sabendo que vão encontrar um jogo que não está tão visualmente aprimorado como o encontram numa PS5, mas sabendo que o vão poder jogar em qualquer lado. Há ainda outra vantagem, pois caso mais tarde façam o upgrade para a Nintendo Switch 2, o jogo tem uma atualização gratuita. Mas, infelizmente, e numa decisão que me ultrapassa, não dá para continuar o save da primeira Nintendo Switch para a segunda, o que é bem infeliz.

E aqui surge a minha principal crítica a este lançamento, de não ser uma "Nintendo Switch 2 Edition". O formato existe, está mais que presente não só nos lançamentos first-party da Nintendo, como muitas outras editoras usufruem de uma única versão correr em ambas as consolas, com as melhorias presentes na Nintendo Switch 2 e um save partilhado. Isso e evitava-se que o jogo na nova consola fosse um Game Key Card, que honestamente me levou a adquirir o jogo para a primeira consola, por saber que ele se encontra presente no cartucho.


E concluindo

O regresso a Digimon Story: Time Stranger foi tão bom como a primeira vez que o joguei, admitindo novamente que dei algum skip a sequências onde sabia que minutos de conversa me levavam a determinado sítio, só para regressar e nada de relevante acontecia. E o mesmo digo dos combates: usem e abusem da velocidade dos mesmos, pois por muito giro que seja ver os ataques especiais de cada uma das criaturas, ao fim de 20 ou 30 horas (ou mais) já passou do cansativo, e no meio de combates para o eventual grind quase que obrigatório, já só queria passar os combates à velocidade da luz.

Também como na primeira vez que o joguei, encontrei ali histórias que podiam ser melhor aproveitadas, a presença de determinadas personagens que contribuem muito pouco e um enchimento de chouriço desproporcional na segunda parte do jogo, principalmente nas missões secundárias que temos de fazer, se queremos avançar no jogo como deve ser com o rank de agente alto o suficiente, para obter determinados Digimon, como resultado de digivoluções.


Mas, isto ainda não é o fim desta aventura pelo mundo digital, pois há todo um novo "Expansion DLC" em desenvolvimento, ou seja, mais conteúdos adicionais para prolongar a história! A data ainda está por definir, sendo apenas para 2027, e este novo lançamento do jogo nas consolas da Nintendo podia bem ter sido a oportunidade perfeita para o lançar também, mas adiante. Até porque este lançamento veio também atualizar as restantes versões, com a fluidez a 60 frames por segundo disponível, o modo de fotografia, poder consultar mais facilmente a Digifarm (onde deixamos os nossos Digimon a treinar) e acrescentaram o Terriermon Assistant, bastante popular entre os fãs, no Japão.

Posto isto, 2027 vai-me fazer regressar novamente ao jogo, assim que os novos conteúdos foram adicionados, que vou estar marcado no dia do lançamento para o explorar. Até porque, como resultado de um inquérito, Gammamon surgia como o Digimon mais popular entre os fãs, e por sua vez pedido para ver a sua inclusão, o que sempre foi estranho não estar presente neste jogo sabendo que ele protagoniza Digimon Ghost Game, lançado em 2021.


Agora sim, terminando, se forem como eu e vêm a Nintendo Switch 2 (ou a primeira) como o sítio perfeito para jogar Digimon Story: Time Stranger, devido à versatilidade do formato híbrido da consola, e andam há muito a ponderar uma segunda volta ao jogo, esta versão é mais que recomendada!


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela playnxt. E com base numa cópia do jogo para a Nintendo Switch, adquirida pelo autor do artigo.

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