Fire Emblem: Fortune's Weave

Se há série da Nintendo que olho agora para trás e penso na reviravolta que deu, é Fire Emblem. Da sua “última oportunidade” com Awakening, que teve tanto sucesso que garantiu a continuidade da mesma, com jogos novos a cada três, quatro anos (ignorando remakes, remasters e afins). O que para mim, é excelente: desde que conheci a série na Game Boy Advance, tenho-a jogado religiosamente a cada lançamento. Agora? Tenho à minha frente um capítulo que promete, que veio tornar-se na minha vida nos últimos tempos, com uma grandiosidade que nunca havia visto na série. E prepara-te, tenho mesmo muito para falar do jogo!

Após Fire Emblem Engage, que surge como uma celebração da série como um todo (com summons de heróis passados e tudo), queria um jogo novamente mais sério, nos moldes mais tradicionais, ficando assim empolgado para Fire Emblem: Fortune’s Weave, que parecia prometer exatamente isso. Algo como Awakening ou Path of Radiance, ou ainda, como Three Houses, calhou que este novo capítulo é um sucessor deste último, partilhando o mesmo universo e até mesmo personagens, agora num mapa mais a sul. Sequela? Prequela? Uma história que se passa em paralelo? Deixo o mistério em aberto, e digo apenas: não é relevante, é uma história contida em si mesma, e podemos jogar sem qualquer conhecimento adicional. Mesmo a presença de Sothis é praticamente inexistente, passando o foco para Fortuna, a deusa que nos acompanha nesta aventura.

Para quem não conhece, Fire Emblem é uma série com umas boas décadas em cima já, um RPG tático com um mecanismo de pedra-papel-tesoura aplicado às armas, entre ataques à distância, usar o terreno para a nossa vantagem, entre as suas origens onde uma personagem morta em combate desaparecia de vez, ou simplesmente não lutava mais. À semelhança dos jogos recentes, este permadeath é opcional, mas sinto que não estou a jogar Fire Emblem se não tiver consequências das minhas ações, levando-me a recomeçar o combate, embora agora temos o mecanismo de voltar atrás no tempo uns turnos para corrigir certas asneiras. É um meio termo que uso, e recomendo! A estratégia é chave, mesmo antes do combate começar, com as personagens bem equipadas, à posição que colocamos cada uma no seu turno, certificando que não são mortas num par de ataques. Há elementos ainda mais ricos, como coisas como a chuva afetar o resultado do ataque, algo que passa despercebido até nos lembrar-mos que tudo, no campo de batalha, é importante.

Olhamos para a região a sul de Fódlan, mapa dos eventos de Three Houses e local por várias vezes referido entre as personagens. O grande palco é a capital, Dagsion, que está em plena época de celebração! São os Heroic Games, um grande torneio que convida guerreiros de todos os cantos da região num grande acontecimento, com a promessa de ver um desejo concretizado. É algo que chama à atenção de praticamente todas as personagens do jogo, que à semelhança de Three Houses temos diferentes histórias a seguir, mas agora com uma grande diferença: podemos alternar entre histórias a qualquer momento, sem ficarmos agarrados apenas a uma. Quatro protagonistas, quatro histórias diferentes, e muito para desvendar em cada uma delas!

Ambicioso? Talvez, já Three Houses contava com três histórias sólidas, um jogo que se estendia bem se estivéssemos para aí virados. É um certo alívio poder ver as histórias todas numa só run, sem precisar de repetir o jogo para ver todos os pontos de vistas, de histórias que mudam ligeiramente dependendo do capítulo escolhido, e como se não bastassem três, temos quatro pontos de vista. O resultado? Um jogo… enorme, e quando digo enorme, digo a uma escala que não só nunca vi na série, como não é nada habitual encontrar. Na realidade, temos uma espécie de quatro jogos “diferentes” num só, com histórias, músicas, personagens (que inclui inimigos) e até mesmo mecânicas exclusivas de cada capítulo.

Mecânicas estas que podemos explorar tanto em Dagsion como à medida que exploramos o mapa, em que cada personagem tem coisas diferentes para fazer. Quanto às personagens secundárias, embora estejam praticamente todas disponíveis para serem recrutadas, todas acabam sempre por ser mais fáceis de adicionar ao nosso exército dependendo do protagonista que escolhemos para o momento. Um dos pilares fundamentais da série são as classes, e em Fortune’s Weave temos total liberdade de mudar a personagem para o que quisermos, mas elas acabam por vir já preparadas para uma em mente, mesmo que não seja impedimento algum, em algo bem familiar para os fãs da série, ou quem a vai acompanhando.

Ao nível técnico, este é um jogo muito seguro, com a direção artística que temos vindo a conhecer da série, sem tomar grandes riscos. Não tem uma performance por aí além, mostrando-se idêntico quer em formato portátil, como ligado à TV, e dei por mim a investir muitas horas entre modos. Estranho ser um jogo a 30 frames por segundo, até porque encontramos na Nintendo Switch 2 jogos bem mais exigentes com uma fluidez bem superior, e apesar disso não arruinar de todo a experiência, podia ter sido aquele extra bem convidativo. Inicialmente também pensei que o jogo não mudava muito quando comparado com Three Houses ou Engage, até os colocar lado a lado e notar que, efetivamente, há uma evolução! E que já estamos num ponto em que os visuais do jogo são quase idênticos às cutscenes de Fire Emblem Awakening. Há novidades como o modo de rato, que embora prático dei por mim a usar o esquema de controlo mais tradicional. Talvez seja por estar mais habituado assim, embora tenha gostado dos controlos através deste novo modo, o que na prática, é em muito semelhante ao que a série já havia tentado nas consolas portáteis anteriores, da Nintendo.

Encontrei aqui uma banda sonora viciante, que me ficou no ouvido (e provavelmente na memória), com temas de combate que mudam dependendo da personagem, tanto no combate como enquanto exploramos o mundo. O voice acting, tanto em inglês como japonês, está tal como a série nos habituou, tanto em inglês como em japonês, e aqui digo que tenho uma certa preferência a jogar com as vozes em inglês, talvez por me fazer mais sentido, talvez porque não estou habituado a jogar Fire Emblem em japonês, o que provavelmente é estranho. Bem, seja como for a opção está lá, e só peca pela falta de localização dos textos em português, que podia bem ser um convite para muitos entrarem na série.

Apesar da sua dimensão e ambição, este é um jogo bem estruturado e familiar para os fãs, mesmo a questão de ter vários protagonistas no mesmo jogo é algo bastante comum no histórico de Fire Emblem. Aqui a grande diferença é mesmo a liberdade de alternar entre elas, não deixa de ser um jogo linear ao nível narrativo, mas como o decidimos jogar é connosco. A sua estrutura é uma espécie de mistura entre Three Houses e o resto da série: numas partes temos um calendário, onde podemos ocupar os dias com as mais variadas atividades até ao momento decisivo onde acontece sempre um combate, enquanto que noutras temos momentos seguidos de história sem grande coisa a fazer. Comparando com Three Houses, temos mais liberdade em como investimos o tempo, e senti menos a pressão de escolher a opção certa, no momento exato!

Seja que personagem for, dentro do tempo limite prepáramo-nos para um determinado acontecimento, regra geral é mais um combate nos Heroic Games, e até lá fazia o que bem me apetecia, ao meu ritmo. Entre aceitar e concluir missões secundárias, enfrentar rápidos combates no mapas, explorar as diferentes masmorras para subir de nível e obter vários itens e equipamento. Houve uma vez que me distraí, não fui para o sítio certo assim que o tempo terminou e levei com um Game Over que me obrigou a repetir o capítulo (que durou cerca de hora e meia), mas aqui foi pura distração: o jogo constantemente avisa-nos do que temos para fazer, ainda assim podia ter a opção de regressar um pouco atrás nesses capítulos, até porque o habitual é ser transportado para o combate e não temos de nos preocupar em estar em certo local. Aliada ao desenrolar da história, a progressão do jogo tem como uma das principais bases um rank de reputação que vamos subindo à medida que avançamos na história, ou fazemos todo um conjunto de diferentes tarefas para cair nas graças da população de Dagsion, com coisas especiais dependendo da personagem com quem jogamos. Tudo acaba por funcionar bastante bem, dei por mim a atingir o rank máximo em todas as personagens, pois só com rank mais altos é que consegui recrutar determinadas personagens.

Mas, volto um pouco antes, mesmo antes de poder explorar cada uma das quatro personagens do jogo. A história começa num mundo desolado vários anos no futuro, destruído, sem grande salvação. É aqui que criamos a nossa personagem principal, personalizando ligeiramente Eshmel (ou com o nome que quisermos) como Fire Emblem já o veio fazer umas quantas vezes. O setting desta parte é… bem, digo apenas que não contava nada com algo tão diferente, mesmo quando já havia alguns breves momentos em jogos passados que piscavam o olho a algo menos medieval, ou de fantasia. Dito isto, não é de todo relevante para o tom do jogo, pois de volta aos Heroic Games praticamente tudo é tal e qual o que estamos habituados à série, que entre viagens no tempo e usar as “almas” de heróis passados, já explorou muito.

Quando digo que o jogo é enorme, não estou a brincar: se forem como eu e querem explorar o jogo “como deve ser”, preparem-se para umas boas dezenas de horas… aliás, dezenas? Quando concluir a história das quatro personagens, estava a rondar as 90 e poucas horas, estando finalmente pronto para continuar a história que se trata este jogo. Mas aqui, um aviso: eu gosto de ver as animações dos combates, ver naquele momento se um ataque é normal, se falha ou se é crítico. Os Heroic Games são fundamentalmente para nos preparar, desenvolver as nossas personagens, recrutar muitas mais, explorar tudo o que são classes, mecânicas e habilidades para depois moldar cada um ao nosso gosto. Se fores como eu, vais querer esmiuçar cada mecânica, treinar e desenvolver cada personagem ao mais ínfimo pormenor, e quando deres por ela vais facilmente chegar quase às 100 horas quando ainda se está na primeira parte. Andei sempre a reconfigurar os itens, mudar as habilidades de cada personagem ao fim de uns quantos level ups, ou mudanças de classes.

E aqui o jogo tem um bom mecanismo que nos ajuda, podendo equipar as personagens todas com um só botão, otimizando os itens, e fazer o mesmo com as habilidades e outras mecânicas. São várias as coisas que podemos automatizar, excelentes para o grind ou para quem não tiver paciência em lidar com combates menores. Podemos meter as personagens a agir automaticamente, com ações de investida, avançar, defender ou recuar, e regra geral o jogo até faz bem as coisas, embora quando usava este auto battle via umas quantas decisões questionáveis que, muitas vezes, resultaram na morte de personagens. O que me leva a recomendar a não usar isto em combates com alguma escala, mesmo que não sejam as batalhas mais decisivas. Prático para o grind, mas dei por mim a voltar atrás no combate, para corrigir muitas ações automáticas, porque não faziam mesmo sentido algum.


Cai, o rapaz de Ribeira

Como disse, cada personagem é uma espécie de jogo diferente, e há mesmo muito a dizer sobre cada um deles. Começo por Cai, aquele sendo o protagonista mais convencional, ao estilo que estou habituado a ver em Fire Emblem, embora não tenha propriamente uma ligação à realeza, com uma história simples sobre salvar o seu pai. Foi a minha primeira escolha, e foi aquela que mais se desenvolveu! Num grupo com personagens com histórias dramáticas, Cai acaba por ter a história que mais evolui, que em poucos capítulos o nosso jovem de Ribeira, a pequena vila de onde vem, torna-se num guerreiro respeitado por todos.

Tem umas quantas mecânicas associadas, desde o cuidar de mounts para desbloquear habilidades, ou um sistema de mentoria onde falamos com personagens que nos ensinam alguns truques. Enquanto exploramos o mundo podemos cultivar, para depois usar esses itens para trocar por outros, mecânica que nem pensei ser nada por aí além, até me aperceber ser exclusiva do Cai e sentir a falta dela nos restantes capítulos. Também é mais focado em missões secundárias, que me levavam a explorar os vários cantos do império Dagdan a derrotar inimigos, falar com personagens ou apanhar determinados itens, para ser recompensado com diferentes equipamentos, itens especiais ou, mais importante, subir o rank de reputação.


Theodora, a rainha de Saramis

Enquanto que Cai tinha uma estrutura mais clássica, Theodora acaba por ter um jogo mais ao estilo Three Houses, onde uma das principais mecânicas é recrutar soldados para formar pequenos exércitos, que podemos usar em combate como um ataque especial, e fora e combate podemos deixar estes mini exércitos a farmar os mais variados sítios, mapa fora, para receber itens e materiais. Foi a segunda personagem que escolhi, com uma história com umas surpresas bem… surpreendentes, que expandiram bem melhor o mundo do jogo, bem mais do que havia visto em Cai.

Acabou por ser o capítulo mais rápido, com muitas menos missões secundárias para fazer, onde a reputação dela subia mais enviando itens de volta a Saramis, e não tanto a “perder tempo” viajando pelo mundo fora para as mais variadas tarefas. Foi interessante porque, logo com ela, vi o quão diferente cada uma das histórias conseguia ser, mesmo com partes que eram praticamente iguais, várias coisas mudaram devido ao ponto de vista de cada personagem.


Dietrich, sedento de sangue

Aquele que provavelmente é o favorito de todos, pelo seu estilo muito Castlevania (ou vá, mais sério), avancei com Dietrich e já ia numas saudáveis 40 e poucas horas. Honestamente? Teve a história que mais me surpreendeu, por revelar coisas sobre o mundo do jogo, e nem tanto pela personagem em si: ele tem uma espada especial e uma vontade de combater impossível de saciar. Algo que passa também para as mecânicas do jogo, exclusivamente com ele podemos melhorar as skills das armas das personagens, algo que tinha dado mesmo jeito nos restantes capítulos.

Ao nível da jogabilidade, foi penoso. O principal modo de subir a reputação é através de combates, um grind constante a andar pelo mapa a chamar por combates, subindo ligeiramente o nível de reputação em cada vitória. Com duas personagens já com a reputação no máximo não ia deixar que Dietrich também não o tivesse, e aqui foi quando fui às opções do jogo para retirar as animações de combate, para tornar o grind mais fluído, e reativar essas animações apenas em combates mais marcantes, como os do fim de cada capítulo.


Leda, da lista de vingança

Aquela que viria ser a minha personagem favorita, Leda traça bem a sua história logo no início. Ela tem uma vingança a cumprir, uma lista de alvos a matar (estilo Kill Bill) e não poupa nas palavras quando fala do assunto, conseguindo passar de sede de sangue para uma conversa banal sobre o grupo que a acompanha. Uma história pessoal, que ao contrário de outras nem desenvolve assim tanto o mundo, mas mostrou bem a escrita mais séria, mais aprofundada que deram a Fortune’s Weave, muito ao estilo Three Houses.

Quanto às mecânicas exclusivas, Leda tinha como objetivo principal para ocupar o tempo entre combates nos Heroic Games para espalhar os seus dotes por Dagdan, dançando entre cidades da região, cumprindo o objetivo e regressando a Dagsion para recolher os frutos. A sua reputação crescia de acordo, e enquanto explorava o mapa ia recebendo vários itens, entre eles alguns que podia transformar em bebidas especiais, para usar depois em combate para melhorar atributos no momento, fosse para me salvar de situações mais complicadas.


Um jogo grande, com muito sumo

Se até agora pensas “bem, tanto texto” é, em parte, um reflexo do que passei com o jogo. Estava próximo da marca das 100 horas, já tinha explorado muito, mas ainda não tinha saído da primeira parte! O melhor? É que, honestamente, não dei pela passagem das horas, não me aborreceu, mesmo com combates que demoravam o tempo habitual, que a série sempre trouxe. Não era só os combates, mesmo a exploração pelo mapa levava-me a dungeons, estas cheias de tesouros e inimigos, estes que nos combates tinha uma espécie de RPG por turnos, onde simplesmente escolhia que personagem atacava, com melhor ou pior desempenho dependendo do adversário.

Também cada capítulo passava-se melhor que o anterior! O jogo conta com uma mecânica de achievements com recompensas no jogo, que me dava uma espécie de moeda para comprar bonificações que faziam de tudo: descontos na compra de itens, nas diferentes atividades, mais experiência recebida em combate ou na proficiência que as personagens tinham a usar diferentes armas, ou magias. Seja que personagem fosse, havia sempre muito a fazer no jogo também. Eram as missões, os combates mapa fora, eram as visitas ao templos para cair nas graças dos diferentes deuses, para depois usarmos as suas habilidades em combate. Foram habilidades que me deram mesmo muito jeito, melhorando a pontaria ou o dano que as personagens recebiam, entre outras coisas, que mesmo a jogar em Normal dei por mim a usar esses benefícios sempre. Comecei a jogar em Hard, mas como estava a ver que o tempo passado com o jogo ia ser extenso, mudei para Normal a pensar numa vez futura, em que jogarei Fire Emblem: Fortune’s Weave novamente, mas com mais desafio!

Há também o nível de relação a ter com as personagens, estas não só para melhorar o trabalho em equipa entre aquelas que usamos, como também para criar confiança nas que ainda não conseguimos recrutar, até as conseguirmos convencer a juntarem-se à nossa equipa. Aqui destaco as sequências em que estas personagens interagem entre si, que como já é habitual na série atingindo certo nível temos direito a uma cutscene especial. A escrita e a relação entre personagens está incrível, deixando-me curioso por saber o que ia acontecer em cada uma das breves histórias que se iam construindo aos poucos! Não há romance, mas mesmo Eshmel, que assume a forma de um pássaro em grande parte do jogo, pode interagir com as personagens numa espécie de jogo da adivinha, com base em escolhas do texto.


Um por todos, todos pelo seu caminho

Aquilo que eram quatro histórias separadas, continuavam depois por uma segunda parte que me deixava pegar nas personagens que havia escolhido no início, mas agora com uma só história com (muito) ligeiras diferenças dependendo da nossa história. Esta segunda parte foi mais nos moldes clássicos de Fire Emblem: temos um momento narrativo, podem surgir cutscenes e temos um combate de larga escala que nos vai ocupar bastante tempo. Uma segunda parte… estranha, pareceu-me apressada, com eventos importantes que são apenas mencionados num bloco de texto, acompanhado por uma imagem. Depois de uma primeira parte rica em sequências, muita história e bem desenvolvida.

O pior? É ser extremamente repetitiva caso optemos por jogar esta parte com todas as personagens, o que me levou a simplesmente avançar sem prestar grande atenção, ou até mesmo a saltar sequências pois já as tinha visto duas vezes. Digo isto, mas houve aqui sequências que mais me chocaram, e que sei o quão vão ser faladas entre os fãs da série, provavelmente incrédulos com o que foi apresentado. Esta segunda parte é completamente opcional, mas porque havia eu de saltar, quando há uma recompensa se a jogar na íntegra? Então assim o fiz, e dei por mim a passar a marca das 130 horas, em troca do mérito por o ter feito, e sentir-me melhor preparado para o que viria a seguir.


O resultado de todo o esforço

Honestamente, senti-me muito, mas muito recompensado pelo tempo que dediquei ao jogo, assim que terminei esta segunda parte. Estava já com mais horas do que aquelas que gostava de admitir, e o jogo transforma-se, surge um jogo algo diferente do que havia feito até então, como se o jogo se virasse para mim e afirma-se “ora então, pega aqui um novo jogo em cima do jogo que já estavas a jogar”. Aqui tinha o culminar de todo o meu esforço de todas as minhas decisões, das personagens que recrutei em todos os capítulos, de todo o grind que fiz! Além da junção de todas as mecânicas, aqui surgem ainda outras novas, que exploram bem a bela quantidade de personagens disponíveis, marcando o regresso do calendário numa versão mais direta, onde o foco é simplesmente vencer combates decisivos. E, bem, se o sentimento não foi excelente!

Curiosamente, esta parte pode ser logo acedida no início do jogo, somos convidados a aceitar logo o desafio de “derrotar o boss final”, em pouco semelhante ao que The Legend of Zelda fez com Breath of the Wild. Um convite, só, que por curiosidade fui explorar, apenas para ser derrotado em poucos minutos. Embora não o tenha feito, sei que é aqui que surgem as principais mudanças caso tenhamos (ou não) jogado com todos os protagonistas, mas, sinceramente? O jogo parece-me incompleto se pensar que não concluímos os capítulos individuais que marcaram o seu início.

O mais curioso é que este é um jogo sobre quatro personagens principais, mas agora digo: podiam ser o dobro. Além destas quatro, há outras personagens com quem nos cruzamos, também elas com histórias próprias que se desenvolvem em paralelo, à medida que avançamos no jogo. Dei por mim a pensar o que seria este jogo se também elas fossem principais, e fiquei assustado com a minha própria resposta, que se transformava num jogo com, potencialmente, o dobro do tempo que lhe dediquei. Até porque algo que destaco em Fire Emblem: Fortune’s Weave é o quão incríveis praticamente todas as personagens são, e nunca me senti tão indeciso na série como agora, nos momentos em que escolhia as minhas equipas. Digo plural, pois nas (dezenas de) horas finais do jogo temos várias equipas para comandar, enviando-as para diferentes partes do mapa para enfrentar tudo o que é desafio, e ainda bem: assim consigo ter uma maior quantidade de personagens sempre disponíveis, sempre a lutar, e eu sempre com elas. 


Concluindo

De uma história que me absorveu, a uma jogabilidade que me agarrou por completo, Fire Emblem: Fortune’s Weave acaba por ser o jogo mais ambicioso que a série nos trouxe, nem tanto por ser arrojado ou experimentar coisas novas, mas sim pela colossal escala que explora, e com sucesso entrega. Há momentos que podiam estar melhor desenvolvidos, ao nível técnico o jogo podia ter ido um pouco mais além, mas se fores como eu tens aqui um jogo para ocupar muito tempo, o que, atendendo o panorama de lançamentos dos próximos tempos, é uma decisão bem complicada. Ou simplesmente é o que se espera de um Fire Emblem, que nos absorve por dezenas de horas, e temos aqui algo que realmente nos agarra.

Agora num ponto mais pessoal, como fã da série, após tudo o que disse e as horas que dediquei ao jogo, este tornou-se sem dúvida alguma o meu Fire Emblem favorito! As personagens, a história cativante, o mundo tal como a sua história, e o desenrolar dos acontecimentos. Os vários momentos que me deixaram a olhar de lado para o ecrã, a questionar o que estava a ver, deixando-me ainda mais curioso com o desenrolar da história até chegar à sua grande conclusão. É um jogo sério, com o peso da guerra bem assente na região, com a relação das personagens a receber o devido valor do início ao fim. Surpreendeu do início ao fim, deixou-me com vontade de mais, apesar das horas que lhe dediquei.

Agora já só penso na próxima vez que vou jogar Fire Emblem: Fortune’s Weave novamente do início, com uma compreensão mais aprofundada das mecânicas que fui aprendendo ao longo do jogo, abraçando um nível de dificuldade superior ao Normal, para sentir ainda mais impacto nas escolhas dos ataques, do desenvolvimento de cada personagem, enquanto ambiciono por recrutar literalmente todas as personagens possíveis, tarefa essa que não consegui à primeira, pois a minha intenção era simplesmente de seguir com a história.

Posto isto, se fores fã de Fire Emblem, este é sem dúvida um jogo para ti, e encontras um excelente jogo para abraçar e dedicar o seu devido tempo! Pode não ser o melhor jogo para começar a série, sinceramente é um ponto que questiono, devido à grande quantidade de mecânicas que pode deixar qualquer um com ansiedade sem saber o que fazer, quando ainda está a aprender como é um Fire Emblem. Mas, também, se procuras a experiência mais completa que a série alguma vez trouxe, este é mesmo o título a jogar!


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Nintendo.

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