Gunboat God

Desenvolvido pela Janson RAD e publicado pela Fireshine Games, Gunboat God chegou ao PC a 13 de abril de 2026. Um shooter 2D side scroller, com mecânicas de twin-stick shooter, muita progressão e uma ainda maior quantidade de pequenas missões. 

O jogador assume o papel de um humano considerado inapto, por isso mesmo, foi expulso da Citadel, uma cidade suspensa nos céus e apresentada como um dos últimos vestígios de civilização. Depois da queda, o protagonista acaba por sobreviver de uma forma pouco provável, aterrando em cima de um barco a motor que pertence a Yeti, um crocodilo que é responsável pela construção e aperfeiçoamento daquela geringonça náutica. A partir daí, estabelece-se uma espécie de parceria improvável. O jogador ajuda Yeti a recuperar peças e a melhorar o barco enquanto utiliza a embarcação para atravessar o mundo inundado e procurar uma forma de regressar à Citadel.

Sendo o protagonista principal pouco expressivo é Yeti, o crocodilo tagarela, quem acaba por assumir grande parte do diálogo, funcionando como companheiro, mecânico e guia, utilizando o humor para ir comentando aquilo que vamos fazendo e, sobretudo, para dar alguma personalidade aos intervalos entre os níveis.

Aqui a história existe para estabelecer o mundo, motivar a progressão e conduzir o jogador de região em região sem apresentar uma narrativa particularmente complexa. Nem seria necessário que tal acontecesse, pois o foco, desde os primeiros instantes, está na sua jogabilidade.

Enquanto Yeti vai melhorando a embarcação e fornecendo novas possibilidades de progressão, a relação entre o protagonista e o crocodilo ajuda a dar alguma personalidade a uma aventura que, sem essa nuance, poderia facilmente transformar-se numa simples sucessão interminável de arenas. Faz isso com tremendo sucesso? Seria desonesto dizer que sim, mas não mascara totalmente esse sentimento de repetição.

Gunboat God é, acima de tudo, um jogo de ação onde a sua matriz principal se baseia no movimento. O barco desloca-se horizontalmente à superfície da água, mas o jogador pode fazê-lo saltar e mergulhar. O analógico direito permite apontar a arma livremente em 360 graus, enquanto a velocidade e o controlo da embarcação vão aumentando à medida que mantemos o combate o mais constante possível.

Eliminar inimigos permite encher o medidor de impulso, aumentando a velocidade do barco, a altura dos saltos, a profundidade dos mergulhos e a cadência de tiro. Parar de atacar faz com que esse ritmo diminua, obrigando-nos a manter a pressão sobre os adversários. O resultado é um sistema que transforma o combate numa espécie de dança constante entre atacar, movimentar e evitar levar dano excessivo.

Existem oito armas diferentes, cada uma com a sua própria skill tree. Existem também mais de dez habilidades, modificadores e poderes que alteram a forma como nos movimentamos e enfrentamos os inimigos. A maior parte destes perks acrescenta poder, alcance ou duração de efeito. Basicamente progredir na skill tree significa amplificar as dinâmicas já existentes e não introduz nada de novo em termos de jogabilidade

Os níveis são relativamente curtos e apresentam objetivos diferentes e cada nível possui ainda um sistema de classificação por estrelas e podem ser repetidos para melhorar o resultado, tornando a procura pela pontuação máxima numa parte importante (ou não) da experiência, dependendo do jogador. O único problema é que, apesar da variedade de objetivos, a estrutura acaba inevitavelmente por regressar ao mesmo ciclo: mover, disparar, esquivar e voltar a disparar. Para quem aprecia este tipo de ação arcade, é uma fórmula extremamente eficaz, mas para os restantes comuns mortais, poderá tornar-se repetitivo ao fim de muito pouco tempo.

Visualmente, Gunboat God é um jogo altamente reconhecível, muito por culpa da sua estética. A Janson RAD optou por uma combinação um pouco estranha, embora resulte. Os elementos que estão em primeiro plano aparecem frequentemente representados por silhuetas negras, enquanto os cenários que estão em segundo plano sobressaem no ecrã através das suas cores vivas e vibrantes.

É uma direção artística consciente e que dá ao jogo uma identidade muito própria e evita que seja confundido com centenas de outros shooters que andam por aí aos magotes na Steam. Vale a pena enaltecer que um género onde o ecrã pode rapidamente transformar-se numa confusão de projéteis, inimigos e efeitos, a diferenciação visual existente ajuda, na maior parte do tempo, a manter algum discernimento sobre aquilo que está a acontecer no ecrã. Um ponto bastante positivo.

Ao nível sonoro, nada de relevante acontece neste jogo. Não compromete, mas não eleva a experiência.

Gunboat God tem quase tudo aquilo que eu acho que um shooter 2D side scroller deve de ter. Tem desafio, tem margem de manobra para progressão, boa jogabilidade, muitas missões, variedade de armas e habilidades para descobrir e desbloquear. Além disso, tem uma arte visual que achei bastante apelativa, vibrante, colorida e onde o contraste é o aspeto diferenciador.

Pena que não consiga entregar a experiência total durante toda a sua duração. Torna-se rapidamente repetitivo, pois as pequenas nuances que vai introduzindo ao longo do tempo não chegam para quebrar a rotina que se instala quer nos níveis apresentados, quer na jogabilidade que oferece ao jogador.

Mesmo assim, os níveis na sua maioria são rápidos de ultrapassar e Gunboat God torna-se assim ótimo para jogadores com curtos períodos de tempo para jogar ao longo do dia ou qque gostam de tornar as suas idas à casa de banho um bocadinho mais demoradas.


Gunboat God saiu no dia 13 de abril de 2026 para PS5, Xbox Series X|S, PC.

Nota: Análise efetuada com base no código final do jogo para PC, adquirido pelo autor do artigo.

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