Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition


Por vezes há jogos que me apanham completamente desprevenido, que logo desde o primeiro trailer o meu pensamento passa a ser "preciso deste jogo já". Foi assim com Clair Obscur: Expedition 33, mas, muito antes disso, a Nintendo havia lançado um curioso trailer do jogo Monado: Beginning of the World. Passa-se algum tempo, o jogo mudava de nome para Xenoblade Chronicles e em 2010 foi um jogo que me agarrou, tendo a minha Nintendo Wii dedicada ao jogo dias a fim, passando bem mais que uma centena de horas.


Foi jogo que recebia diferentes iterações: o seu lançamento em exclusivo para a New Nintendo 3DS, para depois o revisitar novamente na Nintendo Switch, que alargava a história do jogo com mais conteúdo. Mas, ainda assim não estávamos satisfeitos, desde a revelação da Nintendo Switch 2, muitos foram aqueles que pediam uma atualização para a série inteira, na tentativa de eliminar as limitações técnicas da consola anterior. Para mim? Qualquer desculpa é válida para voltar a pegar em Xenoblade! É das minhas séries favoritas que a Nintendo nos apresentou nas últimas décadas, e agora parece que me lançaram o desafio improvável de a jogar novamente, na sua totalidade, até ao fim do ano.

No mais recente Nintendo Direct vimos o anúncio destas versões definitivas para a série, largando de surpresa Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition ficando logo disponível, com uma edição física a caminho, que vou adicionar à minha coleção no seu lançamento! O mais curioso destas reedições é trazerem novo conteúdo, novos modos de jogo, deixando-me a questionar se a Monolith Software não tem mais nada para fazer, até porque estão a trabalhar em Xenoblade Genesis, com lançamento para 2027. Ainda assim, é conteúdo mais que bem-vindo porque me levou imediatamente a carregar o meu save (já em New Game +) e ir de imediato ver o que havia de novo.


Mas, falemos um pouco de Xenoblade Chronicles: este marcou o início de uma nova saga, que continuou o legado de Xenogears e Xenosaga, ambas séries que há muito pedem por um simples relançamento, que já ficava bem feliz! Foi um jogo que marcou uma geração, numa altura que os videojogos exploravam os visuais em HD, a Nintendo à sua boa maneira de fazer o que lhe apetece, trazia um jogo com um open world colossal, deixando muitos a pensar como raio a pequena Nintendo Wii conseguia tal feito. Uma aventura com uma história marcante, repleta de surpresas em todos os capítulos, que pelas longas horas de jogo deixou-me sempre a querer saber o que aconteceria em seguida.

O combate não é simples de nos habituarmos logo, embora fácil de usar (e abusar) se prestarmos atenção a tudo: a posição da nossa personagem é vital para tirar melhor partido da luta, os buffs e debuffs são mais que bem vindos, e basta decorar a combinação Break, Toople e Daze, por esta ordem, para colocar os nossos inimigos sem resposta, mesmo nos combates mais decisivos. Juro que não precisam de saber muito mais que isto, o resto são ataques especiais que provocam dano adicional. Agora, para quem procura de definir os atributos ao maior detalhe, tirar o máximo partido de tudo o que são mecânicas, há todo um mundo a explorar, se assim quiserem.


Recebi extremamente bem o lançamento da Definitive Edition na Nintendo Switch em 2020, recordo que estávamos confinados às nossas casas em plena pandemia COVID-19 e um RPG extenso assim foi excelente para mim! Uma revisão muito visual, dando toda uma nova vida aos vastos cenários e principalmente às personagens, agora com caras bem definidas, abandonando as texturas "coladas" da versão original. Com ele vinha o novo capítulo Future Connected, com foco em Shulk e Melia, que honestamente não foi propriamente incrível. Há umas referências curiosas com Xenosaga, pouco fez em interligar os Xenoblade e em muito pareceu um filler episode de uma série de animação, que mesmo hoje depois do lançamento de Xenoblade Chronicles 3, continuamos com dúvidas. Apesar disso, foi conteúdo muito bem vindo!

São tudo coisas que podemos explorar agora na Nintendo Switch 2, com visuais ainda mais detalhados com os 60 frames por segundo sempre fluídos, tirando numa ou outra ocasião. Há também o salto na resolução, que nem precisamos de ter uma TV 4K para tirar partido deles, pois até mesmo no modo portátil tudo está mais definido, quando comparando com o lançamento anterior. O mundo ganha toda uma nova vida, mais imersivo de explorar, e sem os ajustes estranhos que Xenoblade Chronicles X recebeu há uns meses com um upscale duvidoso, que até ver não foi corrigido. Outra coisa que talvez não precise de quaisquer apresentações é a banda sonora, das músicas de combate que nos marcam ao icónico tema que arranca mal entramos em Gaur Plains pela primeira vez, momento esse ainda marcante nos dias de hoje. Tudo isto contribui para uma experiência refinada agora nesta nova versão, que me levou facilmente a explorar o jogo novamente.


Falemos, então, da principal novidade, ou novidades que o jogo recebe agora na Nintendo Switch 2. Explorar os grandes mapas do jogo torna-se agora bem mais fácil com o novo veículo Ether Jet, que em poucos segundos conseguimos explorar caminho que dantes demorávamos alguns minutos! Uma adição curiosa, que a par do teletransporte entre regiões faz com que explorar o jogo seja bem mais prático, principalmente quando temos imensas missões secundárias que nos levam a andar para a frente e para trás. Estes Ether Jet trazem consigo, também, um minijogo onde temos de enfrentar os restantes membros da equipa em frenéticas corridas por mapas já familiares, ou lutar por uma pontuação e tempo.

Estas corridas são... estranhas. Não que sejam más em si, mas claramente os mapas do jogo não foram pensados para se tornarem em circuitos de corridas velozes, pois ficava constantemente preso a elementos no cenário, levando-me a recomeçar a corrida por frustração. Há dois modos: o primeiro temos de obter um número mínimo de pontos, obtidos através de cristais que apanhamos no mapa. O segundo, temos de correr contra as restantes personagens, lutando pelo primeiro lugar. Tanto um como o outro contam com roupas que desbloqueamos ao cumprir o objetivo, o que me levou a repetir as mesmas corridas com as personagens todas, até desbloquear tudo. Ambos os modos também nos dão uma moeda especial, podendo com ela comprar equipamento que já havia sido adicionado na Definitive Edition, mas sempre é um método adicional.


Aquilo que foi a adição que mais gostei foi a adição de vozes em muitos dos diálogos já existentes, nas cenas de conversas entre personagens, os Heart to Heart. Era preciso todo este trabalho extra? Não, mas fico bastante feliz com a sua adição, até porque dá uma nova vida a estes momentos entre personagens, enquanto demonstra bem a dedicação que a equipa gosta de dar à série. Tudo isto são coisas que contribuem para me fazer querer, novamente, jogar Xenoblade Chronicles pela enésima vez, ao mesmo tempo que se torna bem mais convidativo para aqueles que nunca entraram no jogo, terem agora uma nova oportunidade! Aqui há coisas que podiam ter aproveitado para melhorar, como indicar se um Heart to Heart é ou não possível, por exemplo, para não estar constantemente a ver se "já dá".

Acreditem, têm aqui um bom jogo para vos ocupar durante o verão, que tanto podem terminar com cerca de 40, 50 horas (agora bem ajudadas pelo Ether Jet) se o foco for apenas a história principal, bem acessível, podendo duplicar ou triplicar o número de horas se incluirmos o Future Connected e tudo o que são missões secundárias, que aparecem no mapa a torto e a direito, ainda mais pelas diferentes horas do dia no jogo. Talvez a tarefa mais complexa será conseguir acabar o jogo até ao relançamento de Xenoblade Chronicles 2, este que precisava e merecia mesmo uma atualização visual, bem mais que os restantes jogos da série na Nintendo Switch.


Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition com o seu extenso nome, este parece perfeito para simbolizar a imensidão de coisas que podemos fazer num jogo já, por si, fantástico. Se nunca entraram na série, ou até mesmo se nunca jogaram este primeiro título, esta é mesmo a altura perfeita para o fazerem, e quem sabe: não será o vosso RPG de verão deste ano, tal como o jogo o foi para mim na Nintendo Wii, em 2010? Agora, que venha a reedição do segundo capítulo!

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Nintendo.

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