Rhythm Paradise Groove
É já com a Nintendo Switch 2 a fazer um ano de vida que surge Rhythm Paradise Groove, um jogo para a consola anterior (que obviamente é compatível com a nova), que me fez regressar aos minijogos de ritmo viciantes, que popularizou a série. A premissa é a mesma: com praticamente um botão, em alguns casos com botões extra, temos de o(s) premir no momento certo, indicado pelo ritmo. É tão simples como isto! Acompanhando esse ritmo temos uma música, juntamente com animações e os visuais bem reconhecíveis pela série, em muito semelhantes aos de Wario Ware.
Seja abrir e fechar um guarda-chuva, saltar por um arco, acelerar ou travar com o nosso pequeno (e adorável) carro, esmagar latas, salvar ou destruir coisas, fugir de trovões, usar os músculos num malabarismo com frutas, saltar e rebolar ao ritmo das instruções, atacar criaturas com bolas de ténis, demonstrar os nossos dotes futebolísticos, preparar comida, encarnar todo um conjunto de coloridas personagens nas ações mais banais, mas com um certo twist... todos os minijogos são peculiares, enquadrando-se perfeitamente no jogo. Foram dezenas, várias dezenas de breves jogos que desafiaram o meu ritmo, e por vezes reflexos, sempre acompanhado por uma banda sonora que me ficou gravada na memória.
Rhythm Paradise Groove está dividido por níveis, à semelhança do resto da série: cada conjunto deles conta com quatro níveis onde temos um dos peculiares minijogos que descrevi agora mesmo. O último, por sua vez o grande destaque, é um remix que junta todos os minijogos numa música, em que temos de aplicar os ritmos que aprendemos em cada um dos outros níveis. É o verdadeiro desafio, é aqui que entram as músicas memoráveis, e por sua vez, os níveis que mais me divertem!
Mas, aqui entra aquela que é a minha principal crítica ao jogo. Estes níveis Remix, um medley dos jogos anteriores, eram celebrados com os mesmos minijogos, agora com um twist visual. Isto... não acontece em Rhythm Paradise Groove, ou vá, não acontece com a mesma frequência que encontrei em jogos anteriores da série. Juro que celebrei a primeira vez que vi um Remix que efetivamente mudou alguma coisa nos visuais, mesmo que ligeiramente, mas era aquilo que eu mais gostava na série. Até então estava apenas a repetir exatamente os mesmos minijogos, com os mesmos visuais, em conjunto e numa música diferente. Só que a série é bem mais que isto, pelo menos para mim. A esta acrescento uma outra crítica: a ausência de localização para português, que era muito bem recebida, até porque é um jogo perfeito para os mais novos!
É que, além das músicas viciantes, os visuais agarram-me! Adoro a direção artística do jogo, simples, bem animada, com personagens divertidas. Há um ou outro nível que exploram estilos diferentes, mas que se enquadram perfeitamente com o resto do jogo, e funciona. Dito isto, e um pouco que corrigindo a minha crítica anterior, existem efetivamente mudanças visuais nos níveis que já conhecíamos, mas estes eram apenas em níveis em si diferentes, mas usando o mesmo minijogo. Acaba por trazer alguma diversidade para que não sinta estar a repetir o mesmo jogo ad eternum, não que me queixasse, até porque gosto de repetir níveis passados.
Porquê? Há a promessa do desafio, que me levou a tentar conseguir concluir cada um dos níveis na perfeição, isto para ter um badge especial ali presente no nível, para demonstra o meu feito. Digo isto e não sou uma pessoa de procurar achievements, nem me dedico a eles, mas neste jogo... dá-me gozo! São dezenas, e mais dezenas de níveis a concluir, cada um deles que concluímos em poucos minutos, e todos eles acompanhados por um breve tutorial para entrar no ritmo.
Além desta espécie de campanha principal há umas quantas adições, como níveis para serem jogados de dois a quatro jogadores, seja para testar o nosso ritmo em conjunto, ou comprovar o jogador que não só tem o ritmo mais afinado, com os reflexos mais apurados! Não é um jogo pensado no multijogador, ainda assim, são minijogos para nos desafia em conjunto, sendo igualmente viciantes e divertidos, como o jogo principal! Mas, a novidade que mais me agarrou foi uma espécie de modo de campanha para um jogador, que dá uns certos toques de "RPG" com combates rítmicos contra vários inimigos que surgem em cadeia. Aqui temos de usar um ritmo específico (que nos é apresentado no ecrã), seja para ataques variados, seja para nos curar, e só tenha pena que sejam poucos os níveis que temos disponíveis neste modo. Honestamente? Transformava isto num modo de campanha extenso, para umas boas horas, e divertia-me à grande!
Até porque Rhythm Paradise Groove é um jogo divertido para todos os jogadores, independentemente da sua idade, e aqui reforço mesmo a palavra todos! Numa era em que a acessibilidade em videojogos é cada vez mais relevante, permitindo a que vários jogadores possam usufruir dos jogos. Esta nova entrada na série conta com uma assistente que podemos ter totalmente ativa, parcialmente ou desativar, e nesta última opção o jogo fica tal e qual como conhecemos da série. Mas, quando a ativamos na sua totalidade ela vai-nos ler tudo o que temos no ecrã: os textos, as dicas visuais, os botões que temos de premir. Esta é uma série que já há longos anos pode ser jogada por jogadores invisuais, e esta ferramenta faz com que também eles o possam jogar na sua totalidade! Isto, aliado às dicas auditivas em que conseguimos perceber em que direção vem o som, dando uma nova atenção a um grupo de jogadores que já abraçavam por completo o jogo, em títulos anteriores.
Foram longos anos à espera de uma nova entrada na série, e Rhythm Paradise Groove vem encher um espaço que estava bem marcado na Nintendo Switch. Pode, também, ser a entrada perfeita para muitos novos jogadores ficarem a conhecer esta curiosa série, na sua verdade muito "japonesa", com músicas que não têm qualquer questão em se apresentarem na língua, sendo mesmo muito bem recebidas! Agora? Só não quero esperar por mais uma década até receber o próximo jogo da série!
Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo.









