Análise ao Scuf Omega: um comando profissional
Lançado recentemente, o SCUF Omega surge como um produto oficial e licenciado pela própria PlayStation, o que é curioso: a Sony já tem o seu próprio DualSense Edge para o mercado de comandos de elite, totalmente configuráveis para jogar na PS5 e PC, mas não encontra aqui algo que lhe vai retirar atenção ao seu próprio produto, mas sim uma alternativa até algo diferente, com coisas extra e outras a menos. Este que me chegou às mãos e, um par de centenas de horas de jogo depois sei que tenho aqui o comando perfeito para umas quantas ocasiões na consola, e de eleição no PC.
A minha primeira reação com o comando é que ele encaixou perfeitamente nas mãos, com o peso ideal para um conforto que me agradou, o que ergonomicamente falando resulta num produto que consigo usar horas a fio sem qualquer desconforto ou ter de mudar de posição do modo como seguro o comando. Os materiais são robustos, as pegas em borracha, tal como as texturas de alguns botões e dos analógicos gritam premium, o feedback ao premir cada botão é satisfatório, bem mais do que quando comparando com o padrão. E, sim, sei que não devemos jogar horas seguidas o dia todo, mas isso é uma questão que não é para aqui chamada.
Além dos botões a que estamos habituados, este conta com seis adicionais, totalmente configuráveis para serem alternativas a outros, combinações ou até servirem para outros inputs totalmente diferentes, este último caso particularmente útil no PC. O mais curioso são os botões S1 e S2, colocados na lateral do comando que não é habitual encontrar, de todo, mas o seu uso era natural, e nunca os premi acidentalmente, por muito intensas que estivessem a ser as sessões de jogo! Mesmo que isto me incomodasse, podia simplesmente retirar para não estorvar, sem precisar de quaisquer ferramentas adicionais!
Temos diferentes perfis que podemos associar, com as suas próprias configurações que podemos alternar com o simples premir de um botão, uma personalização a definir através de uma aplicação no telemóvel. Que honestamente, inicialmente estava cético por ser "mais uma coisa necessária", mas ao fim de alguns minutos já estava convencido e não trouxe qualquer entraves, muito pelo contrário: o uso da aplicação é simples e imediata, permitiu-me rapidamente alterar coisas a meio de uma sessão de jogo. Há uns quantos atalhos adicionais, como controlar o volume, além de outros configuráveis, que me foram úteis no PC em situações em que precisava de atalhos específicos.
Uma personalização que não é exclusiva das configurações dos botões em si, mas vai muito além disso! A capa frontal do SCUF Omega é removível, e basta levantar a mesma para expor o seu interior, onde temos dois switches com configurações extra — um para alternar entre modo PS5 e PC, e outro na ligação que o comando faz, quer por wireless, ligado ao conector incluído ou via Bluetooth. Mas, espera, como assim levantar a capa? Ela está presa por ímanes, por sua vez bastante fortes e em ponto algum ela mexeu-se durante as minhas sessões de jogo! Tal como ela, os botões frontais também estão presos por ímanes e podem ser alterados por outros, o que é um ganho imenso! Com este comando não precisamos de pensar "tenho de comprar aquela outra cor" ou um outro design alternativo: basta apenas adquirir novas peças e os botões que temos um "novo" comando, numa personalização simples e que já não me lembrava de a ter, desde as capas alteráveis da New Nintendo 3DS (na sua versão não XL).
Dito isto, o design padrão do comando em si já é muito bom, sendo que me passou pelas mãos o SCUF Omega Smoke com a parte frontal translúcida, o que não só nos permite "espreitar" sempre para o que está dentro do comando, como responde a um pedido feito por muitos, com um apelo à nostalgia, numa tendência há muito "esquecida", mas que vai regressando aos poucos. Dito isto, sou mais fã das coisas não transparentes, mas isso é uma questão de trocar depois por outra capa que seja do meu agrado, quando possível. O design é pensado ao pormenor, da bolsa que transporta o SCUF Omega para podermos andar com o comando para todo o lado, ao próprio embalamento do produto, causando boa impressão desde o primeiro segundo!
Olhando para os controlos analógicos, ambos os joysticks contam com a tecnologia TMR, esta pensada a evitar ao máximo o fatídico drift ao prevenir que haja um gasto físico dos analógicos, isto enquanto nos dá uma sensação de controlo absoluta e uma imensa precisão nos controlos. Também ajustáveis são os triggers traseiros (L2 e R2), algo que aprecio imenso, honestamente nunca fui o maior fã de controlo analógico neles, sendo a única exceção os jogos de corrida (ou de ação, em que haja condução) para controlar a velocidade. Aqui posso usá-los como um simples premir, o que é prefeito para jogos de ação ou luta em que me interessa ter um controlo preciso e imediato! Posso afirmar que jogos como Street Fighter 6 ou Tekken 8, preferi de longe usar este comando, não só por estes triggers como também pelos botões adicionais, permitindo-me ter atalhos como combinações de botões num só botão na parte detrás do comando, de fácil acesso.
Mas, não seria uma experiência com um hardware minha se não usasse o meu benchmark pessoal: Final Fantasy XIV. No PC, este comando não só é perfeito, como aquele que recomendo muito para usar, caso estejam a considerar um para depositar centenas ou milhares de horas no jogo. Todo o jogo é possível de controlar com os botões base do DualSense da PS5, mas todos os botões extra permitiram-me configurar atalhos do teclado para ações adicionais que, na prática seriam uma mistura de usar o comando e o teclado em simultâneo. O número de inputs imediatos possíveis sempre foi o meu grande problema a usar o comando neste jogo (optando sempre por teclado e rato), e aqui praticamente triplico o número de ações sempre possíveis, usando os quatro botões na parte detrás do comando, como os dois nas laterais, tudo totalmente configurável.
Talvez a minha maior crítica é a posição do analógico esquerdo, que faz sentido por ser o layout da PS5 e torna tudo muito mais familiar, mas prefiro sempre o analógico no lugar do D-pad, por ser mais ergonómico atendendo que a maioria dos jogos hoje em dia são todos controlados pelo joystick. Digo talvez, pois efetivamente a minha maior crítica ao comando é a total ausência de vibração, o que percebo no ponto de vista de tornar o comando economicamente mais acessível, mas quando procuramos ser um comando "Pro", devíamos mesmo ter tudo. Os jogos que tiram partido do haptic feedback do DualSense, por exemplo, criam toda uma experiência sensorial inexistente no SCUF Omega, onde além da visão e audição temos o tacto para ganhar uma nova camada de jogo. Sim, são cada vez menos os jogos que tiram partido deste rumble, e sim, pode ser distrativo, mas aqui bastava ter um botão para inativar a vibração.
Voltando aos pontos positivos, este é um comando com bastante bateria, onde entre as minhas estimativas devo ter passado entre 15 a 17 horas sem o precisar de carregar novamente, bem mais do que estou habituado com o DualSense que sinto que o tenho de estar sempre a carregar, embora esse tenha a vantagem de poder simplesmente colocar na base de carregamento e não me tenha de preocupar. E mesmo deixando o comando "abandonado" um par de dias, em ponto algum, a bateria foi drenando, estando sempre pronto a usar a qualquer momento. Ainda assim não é um salto extremo, quando há comandos como o Pro Controller das consolas da Nintendo, que parecem ter centrais nucleares no seu interior.
Claro que, quando procuramos um comando de uma gama mais profissional temos de ter em conta o preço pedido, e o SCUF Omega não está muito atrás do habitual. Sendo preço presente na loja oficial de 239,99 € pode torna-se difícil justificar o investimento num comando, principalmente quando fica ligeiramente mais caro do que a oferta da própria Sony. Ainda assim, temos uma maior versatilidade quando comparando com o comando "pro" da PS5, dos botões extra, a troca fácil e imediata entre perfis e a configuração dos mesmos, torna o SCUF Omega um comando bem mais apetecível, isto atendendo que sacrificamos a vibração e o haptic feedback.
O que me leva a uma conclusão: o SCUF Omega vem para complementar os restantes comandos na PS5, de modo a usar em jogos que tirem partido de tudo o que o comando oferece, principalmente no PC. Se até agora não tinha um comando que fosse o de eleição neste ecossistema, agora tenho, podendo reformar o meu comando da Xbox One que havia comprado para essa função. Atendendo a longevidade da bateria, saber que tenho uma tecnologia que previne o drift dos analógicos, e mesmo se acontecer posso simplesmente trocar peças, é um comando que tem uma duração extensa, e aqui o investimento compensou bem.
Tudo se resume a isto: o SCUF Omega é um comando excelente, satisfatório de usar, confortável e com um "feel" premium, do click dos botões à personalização fácil do mesmo. Com um design bem pensado, do ponto de vista estético ao funcionamento do comando, e a facilidade que é alternar entre o seu uso da PlayStation 5 ao PC, mesmo provavelmente não vá substituir o uso principal na consola da Sony na generalidade dos casos. Dito isto, se o SCUF Omega substitui o DualSense na PS5, quando estou num jogo de luta ou ação? Sem dúvida!
Vantagens:
- Ergonomia exemplar, do peso aos materiais, sendo muito satisfatório de usar;
- Tecnologia TMR nos analógicos, que previne o joystick drift;
- Fácil acesso aos perfis e configurações dos mesmos;
- Design bem pensado, com uma personalização exemplar;
Desvantagens:
- Ausência de vibração e haptic feedback, característico da PlayStation 5;
- Posição do analógico esquerdo ser o mesmo do DualSense, e não o novo "standard" geral;
- O preço elevado, típico dos comandos "profissionais", podem afastar muitos;
O SCUF Omega da Scuf Gaming está disponível na loja oficial, com preços de 239,99 €.
Nota: Análise e teste do produto efetuado através do acesso ao mesmo, gentilmente cedido pela Scuf Gaming.








