Tales of Arise - Beyond the Dawn Edition (Nintendo Switch 2)


Se há série que acompanho desde há longas décadas é Tales of, uma curiosa série que surgia na Super Famicom no Japão em 1995, que demorou o seu tempo até chegar à Europa, mesmo após ter sido lançada na América do Norte. Como quase todas teve os seus altos e baixos, com alguns capítulos que ainda hoje adoro, entre outros que honestamente não sou fã, mas independentemente disso vou sempre tentando acompanhar cada lançamento! Uma série que ainda recentemente celebrava os seus 30 anos, que me deixou curioso por ver o que surgirá deste acontecimento.


A mais recente aventura, isto ignorando os remasters que saem todos os anos, foi Tales of Arise lançado em 2021, que apostava numa vertente um pouco mais RPG de ação, embora mantivesse muita da génese que popularizou a série, onde os combates sempre foram orientados para a ação e não por turnos. Mas, Tales of Arise abordou mesmo o jogo com mais ação, através dos seus combates onde o foco são prevenir que os inimigos consigam contra-atacar, enquanto vamos ganhando mais energia para usar ataques especiais.

Um jogo que chegou agora à Nintendo Switch 2, o que me deixou particularmente curioso como seria tratado o jogo. Até porque ele saiu originalmente na PlayStation 4 e Xbox One, ao mesmo tempo que recebia melhorias nas respetivas consolas sucessoras, na prática, até se apresentou como um jogo muito possível na nova consola da Nintendo sem quaisquer problemas. Ainda assim, atendendo os remasters que chegavam à Nintendo Switch com um desempenho que deixava sempre um pouco a desejar, fiquei curioso o que fariam com Tales of Arise.


Tales of Arise - Beyond the Dawn Edition é uma versão definitiva, que traz o DLC que nos leva ao capítulo adicional que expande a história original, num epílogo focado na nova personagem Nazamil, e tudo a que rodeia. Ainda é um capítulo extenso, que prolonga aquele que nem é um RPG assim tão longo, que terminei com cerca de 40 horas, onde acrescento quase metade desse tempo para o capítulo adicional. É uma aventura com um arranque lento, com muito andar para a frente e para trás, que só no fim do primeiro capítulo é que realmente arranca. Depois, são eventos uns atrás de outros, sempre com foco na missão principal que anda a bom ritmo, onde as possíveis distrações são missões secundárias que podemos ignorar, caso não estejamos para aí virados.

A narrativa centra-se em redor de Alphen e Shionne, o primeiro que não sente qualquer dor e a segunda que provoca uma dor intensa quando tocada, e convenhamos: eles construiram as personagens à volta disto. São também de civilizações distintas, uma que oprime e escraviza a outra, de modo a sugar-lhes, literalmente, a vida, o que até podia ser um enredo bastante pesado, só que sinceramente nunca senti qualquer impacto, até porque tudo estava bem mais centrado nas personagens que seguimos. Uma equipa que cresce rapidamente, com a chegada da maga Rinwell e o lutador Law, e no capítulo seguinte Dohalim e Kisara, que só quando a equipa já estava preenchida é que senti começar verdadeiramente o jogo, embora já tivesse avançado consideravelmente nele.


Acontece que Shionne tem o propósito de derrotar os cinco grandes Lords de cada região do mundo, que escravizam a população de cada de modo. Estes Lords tentam adquirir o máximo de energia possível, e consagrar-se o vencedor do Crown Contest, numa espécie de luta pelo trono e isso não cai muito bem com Shionne, nem com Alphen, este que embora se esteja a marimbar para o Crown Contest, quer libertar a raça oprimida. É uma história simples... talvez demasiado simples em certa parte, com algumas surpresas pelo meio e personagens que claramente se destacam do resto do jogo. Quanto ao resto dos membros da equipa? Bem, têm um objetivo claro, mas mais parece que apenas se juntam porque procuram uma aventura, mesmo que o seu propósito seja dado por concluído.

Honestamente? Nunca fui o maior fã de Tales of Arise: a história não me fascinou, não sou particularmente fã de nenhuma das personagens principais, nem dos antagonistas, embora tenha gostado bastante do jogo! Não está no top 5 dos meus favoritos da série, mas também não está no fundo da lista, pois apesar de tudo ainda é um jogo que me agarrou, deixava-me sempre curioso com o que acontecia depois e não o parei até ver os créditos. Isto em 2021 e... o mais curioso? O mesmo aconteceu agora na Nintendo Switch 2, que até gostei mais da sensação de o jogar agora do que na altura, por um simples motivo: poder jogá-lo confortavelmente em modo portátil, entre viagens e longe da TV, que muitas vezes não tenho energia para estar em frente a um grande ecrã, depois de um dia de trabalho.


Um jogo que está bastante bem conseguido na Nintendo Switch 2, apesar de ter alguns compromissos que acho... peculiares. O jogo retém o detalhe e a qualidade do que temos na PS5 ou XBOX Series X, apesar de por vezes tem uns quantos elementos que aparecem do nada ou texturas que demorar mais do que deviam a carregar. É praticamente a versão da PS4, colocando assim num exemplo mais concreto, mas com uma exceção: as sequências de história e mesmo alguns ataques especiais correm a 60 frames por segundo, o que me deixou a pensar... até que ponto não conseguem trabalhar no jogo, para atingir essa fluidez em todo ele? Em parte é estranho ver quanta fluidez em momentos específicos, voltando para os habituais 30 frames por segundo estáveis nas sequências de gameplay.

Talvez não seja uma experiência memorável no modo ligado à TV, quando temos o jogo numa PS5, mas jogando-o em modo portátil é um jogo que não consegui largar, e que recomendo vivamente se procuram um RPG simples, que não rouba assim tanto tempo, com uma história segura e sem grandes confusões! É particularmente especial para os fãs de Tales of, que talvez não o tenham jogado num outro sistema, e esta pode (finalmente) ser a oportunidade para o fazerem, caso tenham uma Nintendo Switch 2. Só tem um pequeno, e bizarro detalhe: esta é a versão definitiva do jogo, contudo há conteúdos adicionais que não estão presentes no jogo base, como uma boa quantidade de fatos, músicas de outros jogos da série para os combates e a colaboração com Sword Art Online. Devia mesmo ser a versão com tudo incluído, mas infelizmente não me surpreende, atendendo que Tales of e conceito de DLCs costumam andar muito de mãos dadas.


E acreditem, o salto de qualidade entre jogar na TV e passar para o modo portátil é inexistente, todo o detalhe que vêm num grande ecrã transporta-se para o ecrã da Nintendo Switch 2 sem grandes sacrifícios, ou pelo menos não dei por ela. Isto quero nos combates, como na exploração dos vários mapas do jogo, ou nas sequências de história, visualmente bem conseguidas e com uma imagem fluída. Estranhamente é um jogo que não conta com muitas sequências anime, como a série habituou-me, mas isso é algo que já havia estranhado quando o joguei anteriormente.


Tales of Arise - Beyond the Dawn Edition é, sem dúvida, um bom título a considerar se procuram um RPG para a Nintendo Switch 2 que vos vá consumir algum tempo, ou vá: eu sinto que o jogo é pequeno, mas eu estou habituado, e gosto dos meus RPGs mais longos. Pelo preço que é pedido, também, é uma boa oportunidade e podem muito bem ignorar os DLCs, estes que ainda assim deviam estar incluídos no jogo, e só tenho pena que tenha sido lançado em formato Game Key Card, pois facilmente o juntava à minha coleção, apesar de já o ter em formato físico noutra consola. Foi um jogo que adorei revisitar novamente, apesar das críticas que lhe teço, e que encaixou lindamente no formato híbrido da consola!


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Playnxt.

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