Indiana Jones and the Great Circle (Nintendo Switch 2)


Todos os anos temos aquela correria para "qual é que vai ser o GOTY", jogos que nos acompanharam o ano todo que geram muitas discussões sobre qual foi melhor. Em parte é emocionante, mas em parte frustrante, por vezes surgem sempre surpresas no fim do ano que já não são válidas para a corrida ao prémio, e facilmente são esquecidas no ano que se segue. Indiana Jones and the Great Circle foi um destes casos, lançado mesmo no final de 2024 e, para muitos, foi mesmo o seu jogo do ano!


Um jogo que já conta com a análise do nosso Gonçalo Martins e que o marcou, que podem ler aqui! Aventura essa que chegou agora à Nintendo Switch 2 numa versão que desde o seu anúncio sempre ficou a mesma dúvida: como correria isso na consola da Nintendo? Até porque é uma aventura imensamente realista, desde os cenários às personagens, onde aqui contamos com o eterno Harrison Ford que "dá" novamente a cara à personagem, embora a sua performance conte com a voz de Troy Baker.

Começo, talvez, com o que mais interessa desta versão: sim, o jogo na Nintendo Switch 2 é um port extremamente bem conseguido, enquadrando-se com o lançamento do jogo nas outras plataformas, embora mais tardio. Há compromissos óbvios, que notamos mal arrancamos a aventura, e alguns até mesmo visualmente distrativos, embora não impactem a aventura e a emoção que dela surge. Exploramos diferentes locais do mundo, e estamos sempre a saltitar de sítio em sítio quer em memória, quer em viagens que Indy terá de levar para desvendar todos os segredos que o jogo tem.


O nosso primeiro local é uma densa selva, onde arriscamos a vida à procura de um tesouro sagrado, e logo aqui surgem os tais elementos que nos distraem, ou chamam à atenção: o jogo conta com uma boa dose de pop-ins, ou seja, elementos que surgem do nada ou alteram o seu aspeto assim que nos aproximamos, algo que curiosamente está mais presente nos primeiros minutos muito porque estamos a percorrer uma selva, e praticamente inexistentes assim que chegamos ao primeiro local que nos faz passar um bom par de horas, o Vaticano. Também as sombras sofrem de uma resolução baixa, perdendo muito do detalhe que temos bem presente nas restantes versões do jogo, compromissos que seriam mais que expectável.

Contudo, estes compromissos conseguem funcionar com um propósito: o jogo corre sempre a 30 frames por segundo, independentemente se estamos numa zona recheada de detalhes, ou em locais mais simples com menos coisas no ecrã. Mesmo ao nível das texturas o jogo é rico, detalhado, principalmente nas personagens que mantém muito do fotorrealismo que o jogo persegue, em que comparando com o jogo na PlayStation 5 (por exemplo), notamos uma detalhe ligeiramente inferior, mas é preciso comparar mesmo lado a lado.


Quero ligado à TV, quer em modo portátil, Indiana Jones and the Great Circle apresenta uma excelente aventura recheada de ação, muita história, imensas surpresas umas atrás de outras, criadas por um bom leque de personagens que me fez sentir novamente criança, quando via os filmes na minha velhinha televisão. O acting está excelente, os momentos de ação muito bem conseguidos e as sequências de história tal e qual encontramos nos filmes, com até umas quantas referências, umas mais óbvias que outras, a tomar protagonismo. É uma aventura toda na primeira pessoa, com a exceção das cutscenes mais cinemáticas, e para alguém como eu que nem é assim tão fã de first-person shooters, esta aventura maravilhou-me!

Sonoramente é tal e qual o que já vimos do jogo noutros lados, com uma banda sonora equiparável aos filmes, tal como o voice acting que me transportou de novo aos anos 80, aos memoráveis filmes como Os Salteadores da Arca Perdida ou o Templo Perdido. É uma recriação quase perfeita dos filmes, em formato videojogo, que satisfaz tantos os fãs de velha data, como aqueles agora curiosos com o porquê de Indiana Jones ser tão querido entre muitos. Há momentos de tensão enquanto tentamos avançar despercebidos, seja nas sombras da noite às claras em pleno dia, e em todos os momentos temos de lidar com as consequências das nossas ações!


A história agarrou-me, que aliada à exploração mesmo que linear, tornou-se uma aventura memorável que não chega às 20 horas, sem grandes enchimentos de chouriço. Pegando mesmo nas palavras do Gonçalo:

Indiana Jones and the Great Circle tem uma história bastante simples e direta, sem ser necessário da parte do jogador algum tipo de esforço adicional de raciocínio, bebendo muito da essência que já havíamos assistido no grande ecrã. Nem sempre é necessário criar uma trama com ramificações infinitas num jogo de uma franquia onde a simplicidade acaba por dar relevo a outros predicados ainda para mais sendo a escrita sólida e a construção das personagens e do mundo um dos pontos mais fortes.

E é precisamente neste ponto em específico da construção das personagens que Indiana Jones and the Great Circle, para mim, na sua maior força. Bem definidos, com intenções credíveis, personalidades fortes, mas maleáveis e em sintonia com o ambiente que as rodeia. Para isso contribuiu e muito Todd Howard que, sendo um grande fã de Indiana Jones, conseguiu com sucesso estar na génese de todo este projeto e escolher as pessoas certas para o desenvolver.

Entre esse grupo de pessoas certas encontram-se os atores que dão corpo e voz a tudo isto. Troy Baker encarna o Indiana Jones de Harrison Ford de forma irrepreensível quer na voz, quer nos seus maneirismos, Alessandra Mastronardi como Gina Lombardi brilha com o seu papel de mulher forte e independente, o grande e saudoso Tony Todd (paz à sua alma) como Locus está imponente e não nos podemos esquecer de Marios Gavrilis que acerta em cheio com a sua performance encarnando a personagem de Emmerich Voss.


Foi uma aventura com alguns altos e baixos, não minto: alguns momentos de ação foram mais entediantes, ou até mesmo confusos sem ser claro o que podia ou não fazer. Nos próprios momentos de ação muitos foram os momentos que gostava que fossem mais refinados, desde os movimentos do chicote muitas vezes imprecisos, ou ao combate corpo a corpo que pareciam meio... estranhos, como se estivéssemos a lutar contra bonecos, e não personagens. Coisas que não estragam o jogo, atenção, tal como os compromissos visuais, a aventura continua excelente, sendo ainda mais incrível poder ter tudo isto em qualquer lado, na Nintendo Switch 2.


E, aqui, surge um ponto que (pelo menos para mim), é delicioso! Em muito se fala do formato físico, que com a Nitendo Switch 2 surge mais um tema que são o Game Key Cards, que não têm nada no cartucho, por assim dizer, e requerem um download. Sinto uma certa ironia que a única plataforma que tem o jogo em formato físico é precisamente esta, sem downloads e logo tudo disponível no cartucho. Irónico porque o mesmo não acontece na PlayStation 5 e Xbox Series X, que obrigam um download para poder ser jogado, o que acaba por ser hábito nos jogos da Bethesda, mesmo que esta tenha sido apenas a distribuidora. Não é, de todo, relevante para a qualidade do jogo, mas faz-me pensar se o jogo será "obrigatório" para muitos que querem ter os jogos em formato físico na Nintendo Switch 2.


Até porque Indiana Jones and the Great Circle é um excelente jogo, seja em que plataforma for, e honestamente obrigatório para quem tenha a Nintendo Switch 2 e nunca o tenha jogado, tendo agora uma grande oportunidade de o fazer! Resumindo: há compromissos visuais que fazem com que esta versão do jogo não atinja a qualidade notória numa PlayStation 5, Xbox Series X (não S) ou num PC com bom hardware, mas se a nova consola da Nintendo for a vossa única consola, ou até mesmo ser aquela com quem querem passar mais tempo, têm aqui uma grande adição ao catálogo!


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Nintendo.

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