Dragon Spira


Dragon Spira surge-nos pela mão da Exe-Create e de uma velha conhecida dos nossos leitores, a nesta altura especialista do género dos RPGs, a Kemco. Um lançamento multi-plataforma que, como muitas outras ofertas deste estúdio, assenta como uma luva na Ninteendo Switch!


Dragon Spira traz-nos um mundo criado por um ser chamado Divine. Este ser omnisciente foi também o responsável pela criação de seis ovos, cada um deles ostentando uma criatura mística de considerável poder, as Spiritual Beasts. Ele enviou-as para diferentes partes do recém-criado planeta, onde elas viveriam junto de outra das suas criações, a Humanidade. Contudo, as Spiritual Beasts vão revoltar-se contra o seu criador e após uma intensa batalha, na qual irão terminar como derrotadas, as Beasts serão aprisionadas no interior de um vulcão. O Divine abandonará o mundo de seguida, com a Humanidade a ficar entregue aos seus próprios desígnios. Mil anos mais tarde, a história do nosso jogo propriamente dito tem início, com um misterioso tremor de terra proveniente do vulcão no qual as Beasts se encontravam aprisionadas. Por mero acaso, aqueles que seriam os protagonistas do jogo são membros de uma guilda e estão destacados para uma missão perto daquele local, mais propriamente numa tal de Kurai Forest. São eles o espadachim silencioso, Fal, e a corajosa curandeira Mian. Esta missão será o ponto de partida para uma aventura muito maior que nos levará a adicionar novos elementos à nossa party inicial de dois, assim como ao encontro com poderosos adversários.

Para além da história principal, Dragon Spira conta com dois tipos distintos de sidequests, aquelas que nos são dadas pela guild e as que resultam de pedidos provenientes dos muitos NPCs que iremos encontrar pelo caminho. Cada uma delas oferecem diferentes tipos de recompensas. Uma delas são as chamadas Kaishin Stones. Estas esmeraldas são uma forma de obter itens valiosos. Elas podem ser usada na Shop, uma área acessível a qualquer altura no nosso menu principal. Esta loja interna, mais do que as existentes nos diferentes povoados que iremos visitar in game, serão a nossa principal fonte de obtenção de equipamento no jogo, isto apesar de também ser possível obter bom equipamento nos muitos baús existentes no jogo (estando eles presentes em masmorras, vilarejos, áreas escondidas ou na posse de inimigos vencidos). Contudo, é nesta Shop que nos será possível trocar essas gemas por itens valiosos, tentar a nossa sorte na roda (e com isso obter uma raridade), criar novas armas ou aceder ao Secret Room. Tudo isto, particularmente o sistema da roda, tendo por base um sistema de Gacha muito comum nos jogos da Kemco. De salientar, que o Secret Room funciona como um Cheat Room, uma vez que nos irá possibilitar alterar certos parâmetros do jogo, facilitando o mesmo.
 

Dragon Spira tem um sistema de trabalhos, com cada um desses a ter um limite máximo de classe que assenta no nível 25. Fal, por exemplo, começa como guerreiro, mas nada nos impede de mudar-nos de profissão a qualquer altura, não necessitando de esperar atingir o nível máximo dos mesmos de forma a efetuar essa transição (embora tal não seja aconselhável). Outros trabalhos disponíveis de início são as carreiras de caçador, mago e sacerdote. Cada uma delas permite ao jogador desbloquear diferentes habilidades, físicas ou mágicas, que podem depois ser usadas no campo de batalha. Existem outros trabalhos, os chamados Master Jobs, que podem ser desbloqueados consoante a nossa progressão pelo jogo. Para além das habilidades que iremos obter via os trabalhos escolhidos, teremos ainda outras habilidades únicas para cada uma das nossas personagens. Grande parte delas, únicas ou não, irão transitar connosco aquando da eventual mudança de trabalho.
 
Spira vê-nos usar esse sistema e o que daí advém para explorar o vasto mapa mundo que se irá apresentar diante de nós. Será com ele que iremos tentar superar os múltiplos adversários que surgirão diante do nosso caminho, quer seja ele feito entre deslocações, quer seja ele feito na exploração das masmorras propriamente ditas, as quais irão culminar, como seria de se esperar, em árduas batalhas com um boss final. Daí irá advir grande parte da experiência que usaremos para subir o nível das nossas personagens, quer seja o seu base, quer seja o do seu trabalho atual.



Para além das personagens "normais", temos uma quinta personagem, qual Tamagochi, que surge na categoria de assistente e que irá nos auxiliar com ataques que podem muito bem mudar o rumo da batalha. Esse ser, que começa como um ovo, irá evoluir não apenas durante as batalhas, mas também durante a fase de exploração, com essa evolução a ser feita de uma forma diferente daquela disponível para as restantes personagens. Este quinto elemento tira a sua experiência de frutas com diferentes cores e diferentes efeitos.

Outra forma de ganhar experiência pode ser obtida com o recurso a um jogo no jogo, naquele que é um dos grandes chamarizes de Dragon Spira. Mediante a acumulação de pontos RP, obtidos em lutas nas masmorras, o jogador pode aceder a um jogo de tabuleiro, o Sugoroku. Aqui iremos fazer girar uma roleta, enquanto tivermos RP disponível, para fazer o nosso grupo progredir no tabuleiro e chegar ao seu final, recolhendo o prémio por essa respetiva ação. No Sugoroku, que pode ser repetido, vê-nos ter que lidar com alguns adversários, que vão ter como principal objetivo o de roubar-nos os múltiplos bónus existentes no tabuleiro. Este modo pode ser acedido a qualquer altura, desde que haja RP para o fazer, algo que não é muito difícil de obter.

 
A forma tradicional de acumular experiência reside nas batalhas nas masmorras. Estas são normalmente muito lineares, mas à medida que formos avançando vão se tornar mais longas, com mais zonas secretas para explorar e com alguns puzzles ambientais para resolver de forma a progredir. O principal perigo das masmorras reside nos inimigos que vão surgir diante de nós. Para além dos adversários regulares, pode ocorrer o aparecimento de inimigos Mighty ou Speed, isto é: adversários mais fortes fisicamente do que o costume ou com capacidade de reação aprimorada. Para além, é claro do sempre difícil boss final. Cada inimigo conta com uma determinada afinidade a um dos quatro elementos. Esse é um facto que pode e deve ser explorado de forma a conseguirmos dar-lhes danos extra e com isso encerrarmos as contendas de forma mais célere.

A travessia das masmorras é facilitada por checkpoints e pontos de teletransporte, que reduzem o aborrecimento de andar sempre para trás e para a frente, assim como a possibilidade de ajustar o caudal de lutas na mesma, via o uso da chama presente no início de cada masmorra. Esse sistema, comum nos jogos da Kemco, extende-se à travessia no mapa mundo e permitirá ao jogador acelerar o seu progresso de forma considerável. Visualmente e sonoramente, Dragon Spira é um nod aos RPGs do início de vida da SNES. Longe está a arte presente noutros jogos da companhia. Em Spira tudo nos é apresentado com sprites de jogo, algo que não dimimui o seu valor, mas antes acrescenta no aspecto nostálgico.

 

Um jogo que pode ser desafiante e viciante, Dragon Spira é, a meu ver, a pérola reluzente do vasto portofólio de jogos da Kemco. Uma pérola que nos dará entre 40 a 50 horas de jogo sem dar-mos por isso!

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Kemco.

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