Star Fox
Star Fox é um remake do jogo lançado na Nintendo 64, reformulado e adaptado aos dias de hoje, com algumas funcionalidades extra que a Nintendo Switch 2 traz. Não é um remake exatamente igual, pois inclui novo conteúdo, novas funcionalidades entre outras surpresas, mas no que se trata da estrutura principal do jogo, ele é tal e qual o de 1997. Sabemos que o jogo foi reformulado logo no início, com uma pequena abertura que expande um pouco a história da série, mostrando o que acontece a James McCloud, pai do nosso protagonista.
E logo aqui temos aquela que é, talvez, a maior diferença: este é um jogo muito mais cinematográfico do que o original, ou até mesmo o remake (ou remaster) lançado na Nintendo 3DS. Vemos isto logo no arranque, que grita sem qualquer timidez "Star Wars", onde o exemplo mais gritante é no início do jogo quando vemos um ligeiro aproximar do planeta Corneria, e um breve som de uma flauta (ou um pífaro?) ecoa, lançando-nos para o início da campanha. Entre as diferentes missões, ou níveis, há pequenos momentos de história que desenvolvem melhor as personagens, história essa que muda ligeiramente dependendo do trajeto que escolhemos à medida que avançamos nível a nível. Todas estas sequências estão bem interligadas, evoluindo mais um jogo que era, simplesmente, uma espécie de shooter arcade.
Para os que não conhecem, ou talvez esta seja a primeira vez que o vão jogar, Star Fox é um shooter de naves cheio de ação, onde pilotamos Star Fox, líder de um grupo de mercenários que tem como objetivo salvar o sistema Lylat das garras de Dr. Andross. Um jogo onde avançamos de planeta em planeta, passando por uma cintura de asteroides, zonas de espaço livre ou até mesmo sobrevoar uma estrela estranhamente habitada. Não é, de todo, tentar aplicar muita lógica: é ficção científica onde os seres vivos são todos animais antropomórficos. Os perigos são constantes, a nossa tripulação está sempre em apuros e podemos até mesmo acabar sozinhos na missão, caso não ajudemos as restantes personagens, o que nos deixa numa situação mais complexa e sem qualquer auxílio!
Visualmente é um jogo bem detalhado, com cenários cheios de coisas, num jogo sempre fluído. Não é o estilo de jogo onde paramos para desfrutar do ambiente, mas a passagem por cada nível foi muito enriquecida neste remake. Cada planeta, região do sistema ou estações dos adversários é apresentada de forma distinta, muito mais do que a série conseguiu até agora! A sensação que me trouxe é que há aqui potencial para expandirem bem o universo de Star Fox, com jogos que podem resultar em níveis mais longos, pois há uma boa vontade de poder explorar aquele espaço. Dito isto, por favor, não aproveitem o motor para um remake do Star Fox Adventure, jogo esse que podiam aproveitar agora para o lançar no catálogo da Nintendo Switch Online.
Apesar de simples há umas quantas maneiras diferentes de jogar. A principal, e que nos acompanha em mais missões é um clássico on-rails shooter no espaço onde controlamos a nossa fiel Airwing à prova, disparando contra inimigos, atirando bombas, fazer altas acrobacias como o icónico Barrel Roll, tudo isto enquanto vamos melhorando a nave pelos power-ups que apanhamos pelo caminho. Por vezes surgem combates ou missões em All-Range Mode, onde temos um controlo mais tridimensional da nave, fugindo ao estilo de jogo mais linear. O terceiro modo de jogo surge muito pontualmente a bordo do Landmaster, um tanque de guerra em muito semelhante às Airwings, mas este preso ao chão e onde o controlo da mira é precioso para uma missão bem sucedida, isto enquanto tentamos sobreviver aos imensos inimigos que surgem pelo caminho.
É um jogo um quanto desafiante, e toda a dificuldade do original está bem presente neste remake, isto se estivermos a jogar em Normal. Para quem procura algo mais relaxante pode muito bem jogar no modo Fácil que é bastante mais "simpático". Também para quem procura algum desafio adicional há algo a pensar em nós, e acreditem: há níveis que vão suar bem! O melhor? Há todo um conjunto de desafios adicionais em cada nível, o que me levou a querer repetir os mesmos níveis até concluir todos os objetivos, onde muitos foram aqueles que me tiraram do sério, ou fizeram-me reiniciar o mesmo nível... e isto logo desde Corneria, o primeiro nível! Não senti qualquer obrigação nisto, mas estava lá e queria abraçar esse desafio, prolongando bem o tempo que passei com o jogo, que podia abandonar logo após concluir a campanha na totalidade, algo que demora muito pouco, até. Fui recompensando por estes desafios, algo que não quero entrar em muito detalhe para deixar a surpresa, mas digo: há bom conteúdo para aqueles que procuram algo difícil.
Desafiante, curiosamente bem técnico, pois entre os desvios constantes de tiros adversários, evitar que a nossa nave vá contra o cenário, os controlos são extremamente precisos e temos de saber bem controlar a nossa Airwing, principalmente no modo de dificuldade mais elevada. Temos de saber proteger a nossa nave, se por acaso uma das asas for danificada os controlos tornam-se mais imprecisos, e temos de estar constantemente a ajustar a posição da Airwing. Um pequeno detalhe preservado que me deu um gozo experienciar novamente, mas agora com detalhes visuais que nos indicam que: sim, destruíram a(s) nossa(s) asa(s) e temos de lidar com isso.
Foi feito para ser jogado várias vezes, mesmo no modo campanha, pois não conseguimos ver tudo apenas numa run e somos convidados a repeti-la, seja para visitar locais que tivemos de descartar em prol de outros, ou até mesmo para cumprir determinados objetivos em níveis para poder ver outras partes dos mesmos. A nossa prestação é também relevante: num exemplo, caso não ajudemos um dos membros da tripulação, a sua nave tem de ficar em reparação e ele não se junta na missão seguinte. Tripulação essa composta por Fox, o seu rival Falco, o técnico Slippy e aquele que é a voz da razão da equipa, Peppy. Há uma interação constante entre todos, da troca de bocas, elogios, os pedidos de ajuda e até mesmo algumas dicas para tomar atenção ao que se segue.
Tudo isto apoiado com um voice acting está bem presente do início ao fim, todos os diálogos foram gravados novamente e há muitos outros que foram acrescentados, evoluindo aquele que já era um jogo marcante! Conhecendo o original na Nintendo 64 de cor, foi estranho habituar-me às novas vozes, mas sinceramente foi coisa que passado umas horas já tinha absorvido. Isto tanto nas personagens principais como tudo o que é inimigo que nos aparece pelo caminho entre missões, num bastante grande leque de personagens em que a maioria surge apenas uma vez. Há também a total localização para português do Brasil, seguindo a tendência dos restantes jogos da Nintendo na nova consola, língua esta que pode ser mudada no próprio jogo, que agradeço imenso! Só lamento a falta de português de Portugal, fico curioso com as vozes que dariam vida às personagens, que podia ser o regresso de Rodrigo Tomás à voz de Fox McCloud, depois da sua presença no filme do Super Mario?
Talvez a maior alteração, e também cerne de controvérsia é o novo estilo artístico do jogo: mais realista, mais próximo dos animais de cada personagem e, por sua vez, também mais próximos dos fantoches que há um par de décadas serviam para publicitar o jogo (e as capas dele). Algo que, honestamente, após ver as personagens em ação encaixa perfeitamente num jogo que aposta num estilo mais cinematográfico, até mesmo realista, onde todos os cenários dos níveis são extremamente detalhados e belíssimos. As próprias personagens estão muito bem animadas, com pequenos "tiques" em cada, nas sequências de história, desde os ligeiros mover de orelhas a outras reações que dão uma nova vida a cada um, sem exageros. E, para quem nunca foi grande fã da direção artística de Star Fox Adventures ou Assault, esta foi uma boa lufada de ar fresco.
Entre as novidades surge um modo competitivo local ou online, para enfrentar outros jogadores em rápidas partidas aonde voam muitos tiros! É, talvez, um jogo feito a pensar na comunicação entre jogadores, tirando partido do GameChat habitualmente ignorado, mas aqui ganha um novo gimmick: ligando a câmara, podemos encarnar uma personagem que surge em vez da nossa cara, o que me leva a pensar se com Star Fox, a Nintendo não estará a piscar os olhos aos VTubers. Algo que não consegui experimentar a sério, pois não o joguei online, mas certamente estou curioso por ver como vai isto funcionar.
Há outros gimmicks pensados para a Nintendo Switch 2, como poder jogá-lo através do modo rato do Joy-Con 2, onde usamos a mira com o rato o que facilita imenso, mas admito: a habituação não foi nada imediata. Entre a vista no cockpit a controlar a nave com a mira, ao mesmo tempo que tentamos apontar para os inimigos todos ainda custou um pouco a habituar-me, mas já estando confortável, é um modo excelente! O mais curioso é possivelmente o modo cooperativo, onde um jogador controla a nave com um Joy-Con 2 e o outro usando o modo rato, algo que era o grande foco em Star Fox Zero, que não foi muito longe, mas aqui surge como um modo adicional. Para quem procura um toque mais nostálgico pode ainda jogar com o comando da Nintendo 64, que o jogo está bem pensado para tirar partido dele! Só é pena não o poder jogar usando os Joy-Con 2 em separado, um para mira e outro para controlar a nave, no conforto do sofá.
Um jogo que ainda não larguei, honestamente tenho a certeza que só o vou pousar assim que completar todas as missões do jogo, até porque tinha saudades de um Star Fox e este remake veio encher as medidas. Podiam era ter dado um passo extra, acrescentar mais níveis, criar uma campanha adicional para prolongar ainda mais o tempo que passamos com o regresso à série, porque mesmo que seja para repetir a campanha por várias vezes, em parte não deixa de saber a pouco para quem já conhece o jogo de cor. Agora? Que aproveitem o motor do jogo e façam um novo Star Fox, porque se há série que merece sair do desconhecimento é esta, e estamos a precisar de uma nova aventura para Fox McCloud e companhia.
Aliado aos cenários impressionantes, a uma banda sonora memorável e a experiência mais cinematográfica, foi um regresso bom, acompanhando o protagonismo de Fox na mais recente aventura no cinema de Super Mario, é a ocasião perfeita para muitos matarem saudades da personagem, e muitos outros (principalmente os mais novos) descobrirem quem é a raposa piloto do filme. Pode ser que seja um novo início, que novas aventuras surjam do sistema Lylat e expandam este pequeno universo da Nintendo. E, se assim for, cá estou ansioso por jogar as novas aventuras de Star Fox!
Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch 2, gentilmente cedido pela Nintendo.












