Mouse: P.I. For Hire


Mouse: P.I. For Hire é o que acontece quando alguém numa sala de reuniões decide dar a sua ideia mais fora da caixa e esta acaba por ser aprovada. O resultado? Um first-person shooter noir ao estilo de um desenho animado dos anos 30 num mundo onde as pessoas são ratos e há um mistério para desvendar. Na pele, ou devo dizer, na gabardine de Jack Pepper, um detetive privado que é, claro, um rato com a voz de Troy Baker, cabe-te a ti desvendar a conspiração por detrás do desaparecimento de um mágico na cidade de Mouseburg.

Aquilo que provavelmente capturou imediatamente a atenção de todos quando vimos Mouse pela primeira vez foi o seu estilo artístico. O jogo é totalmente a preto e branco e tudo é 2D, desde as personagens, às armas e todos os restantes objetos com que podemos interagir, muito ao estilo dos desenhos animados dos anos 20 e 30. E isto é verdadeiramente o aspeto mais distinto do jogo e contribuiu bastante para lhe conferir grande parte da sua personalidade.


Apesar de toda a atmosfera e narrativa noir, Mouse nunca é demasiado sério para deixar de ser divertido, muitas vezes à custa de si próprio, nunca perdendo noção do quão ridículo o conceito de um jogo como este é. O que não falta ao longo da história, que leva Jack num caminho pela ópera, esgotos, festas em barcos, um dirigível e muito mais, são trocadilhos sobre queijo. Porque, obviamente, ratos. Mouse atinge um delicado equilíbrio entre noir e cartoon, e esse equilíbrio é 90% da razão pela qual todo o jogo funciona tão bem.

Jack Pepper passa a maior parte do tempo no meio de tiroteios com polícias corruptos, cultistas e, em certas ocasiões, crocodilos gigantes com metralhadoras... Felizmente para nós, Jack tem ao seu dispor uma variedade de armas e Mouse é um competente shooter, ainda que não vá deixar ninguém boquiaberto. Não é o shooter mais rápido ou fluído — certamente não é o próximo Doom — mas é exatamente bom o suficiente para nunca deixar de ser divertido de jogar. Foram poucas as situações em que me senti compelido a correr por uma área enquanto rebentava cabeças, muito porque os ambientes de Mouse são muito mais contidos, o que obrigou muitos dos meus encontros com inimigos a resumirem-se a disparar de longe, tentando manter distância dos inimigos com armas corpo a corpo, que são particularmente agressivos.


Um detetive não vive simplesmente de ação e tiroteios, no entanto. O jogo estrutura-se por níveis, cada um deles numa localização diferente, e conta também com uma espécie de hub area, que contém o gabinete de Jack, uma loja para armas e munição, entre outros pontos de interesse. Seja falar com NPCs, arrombar um cofre (mais difícil do que parece) ou parar para ler uma das notas ou vinhetas de BD colecionáveis, Mouse: P.I. For Hire tem pausas na ação mais do que suficientes, conferindo à narrativa o tempo que esta precisa para respirar.

A progressão no jogo desbloqueia novas armas e habilidades. Seja o duplo salto ou correr na parede, que não têm muita aplicação em combate, ou uma arma que retira a tinta dos inimigos, deixando apenas os seus esqueletos, sendo bastante útil em combate, há sempre algo novo para descobrir à medida que desvendamos o mistério por detrás do desaparecimento que despoleta a narrativa. Mouse peca apenas por não haver uma variedade maior de armas. Aliás, as primeiras três que desbloqueamos são uma pistola, uma caçadeira e uma metralhadora — longe de serem as armas mais originais. Para além de armas e habilidades, há também um conjunto de colecionáveis que exigem um olho atento para não ficarem perdidos ao longo dos níveis.


Para lá da sua premissa original, Mouse: P.I. For Hire não faz nada que vá surpreender ou testar qualquer pessoa que já tenha jogado um first person shooter. No entanto, isto não só significa que este é um jogo muito mais acessível que a maioria dos outros shooters para jogares com menos experiência, Mouse é também um jogo que vale a pena jogar simplesmente pelo quão divertido é. Desde o brilhante estilo artístico, às expressivas personagens tão cheias de vida, à música jazz e efeitos sonoros e, claro, os inúmeros trocadilhos sobre queijo, Mouse: P.I. For Hire aproveita ao máximo uma premissa interessante que poderia facilmente não passar disso; ao invés, trata-se de um jogo no qual é possível ver toda a paixão e compromisso da equipa que lhe deu vida.

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para PlayStation 5, gentilmente cedido pela PlaySide via Keymailer.

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