Final Fantasy XIV: Shadowbringers


Estamos de volta a Final Fantasy XIV (FFXIV) na mais recente expansão Shadowbringers, que nos meses anteriores ao seu lançamento deixou os seus jogadores bastante entusiasmados pelo lançamento! Terminamos os eventos de Stormblood, deixamos uma guerra a meio e somos "retirados" do mundo para outro desconhecido, chegando a todo um novo conjunto de problemas que, aparentemente, só nós podemos resolver.

Após os eventos de Stormblood somos enviados para Norvrandt, também conhecido como "The First", o primeiro de 13 Shards que simbolizam o conjunto de mundos que formam o universo de FFXIV. Neste novo mundo deparámos-nos com um cenário onde é sempre dia, onde os elementos da Luz triunfaram mas o resultado é um autêntico pesadelo, onde demónios (conhecidos como Sin Eaters) consomem os vivos e todo um mar cristalino rodeia a última zona habitável. Este mundo é uma réplica de Hydealyn, que temos vindo a conhecer cada vez mais desde 2010, mas o que exploramos é muito diferente.


Rapidamente somos levados para a primeira e mais importante cidade do jogo Crystarium, a frente de combate face aos Sin Eaters, mas talvez o mais espantoso nela é terem aproveitado a arquitetura que usaram no primeiro teaser trailer que FFXIV alguma vez teve, que nunca havia sido utilizado. Há uma forte sensação de recomeço nesta expansão, o mundo é novo mas em vários pontos bastante familiar. A estrutura é semelhante ao que temos vindo a receber a cada nova expansão: progredimos na história, desbloqueamos novas áreas e respetivas dungeons e bosses, mas todos os momentos são genuinamente únicos, recheados de surpresas umas atrás de outras com tanta história a ser revelada a cada momento. É aqui onde Shadowbringers mais surpreende, na sua história, mas falemos disso mais e diante.

A jogabilidade sofreu várias mudanças: os Jobs de Tank tiveram toda uma limpeza de habilidades e agora focam-se exclusivamente no seu trabalho, sem ter de sacrificar o dano dado mesmo enquanto usamos a "Tank Stance", e junta-se ainda ao leque Gunbreaker, inspirado em Squall de FFVIII. Os Healers, mesmo não recebendo um novo Job, tiveram imensos ajustes para que o seu trabalho seja facilitado, e ainda os DPSs, também com a nova adição de Dancer, receberam ajustes o que levaram a alguma habituação, juntamente com um conjunto de novas habilidades.

As novas classes trouxeram algo de novo ao jogo: como Gunbreaker vamos ganhando e gastando balas, resultando numa combinação de ataques bastante fluída, e enquanto Dancer temos um papel de suporte onde escolhemos um parceiro de dança e ambos têm bónus nas estatísticas. Foram adições bem recebidas, não sendo de estranhar ver várias pessoas a usarem-nos como classes principais.


Tal como Gunbreaker e outros surpresas, há muito de Final Fantasy VIII a marcar presença nesta expansão, como é o caso da nova Raid da Guardian Force Eden onde encontramos um bom leque de remixes de músicas de FFVIII. Curiosamente este foi, talvez, um dos pontos que menos gostei da expansão: sem entrar em detalhes, a Raid começa bastante bem, mas a meio parece perder o gás e torna-se completamente desinteressante e sem desenvolver muito. Entretanto com o lançamento do primeiro grande update da expansão surge a Raid onde 24 jogadores tomam de assalto à mesma, agora explorando o universo de NieR Automata, mas também este parece ter tido um rumo morno: parece ter sido despejado em FFXIV e ficamos por aí. Ainda assim são conteúdos ótimos de explorar, que deixaram os fãs de ambos os jogos bastante entusiasmado, e não são apenas as músicas de FFVIII e NieR Automata que nos deixam empolgados: toda a banda sonora desta expansão está incrível, com temas bastante diversos e, fora um ou outra música, o resultado é bastante épico.

Houve várias melhorias na estrutura do jogo, áreas enormes para explorar e dungeons com um ritmo e músicas bastante melhores do que podíamos encontrar há vários anos no jogo. O novo sistema de Trust veio ainda ajudar os jogadores que preferem explorar o conteúdo sozinhos, colocando NPCs no papel de outros jogadores nas dungeons (mas não nos bosses). Um dos pontos mais mais positivos no lançamento da expansão foi a inexistência de tempo de espera para entrar no jogo, ou seja, as filas de espera eram quase inexistentes, resultando numa experiência extremamente satisfatória, onde no máximo esperámos 10, 15 minutos para entrar (e não fatídicas horas como aconteceu em Stormblood). Tivemos uma separação dos servidores europeus em dois grupos, mas o retorno foi bastante positivo.


Como referi a história deste capítulo é, sem dúvida, o melhor que FFXIV veio a oferecer nos seus quase 10 anos de existência! Sem entrar em spoilers, à medida que avançamos e reencontramos os personagens principais do jogo (os Scions), somos acompanhados por Emet-Selch, um dos principais vilões do jogo, onde cai constantemente uma desconfiança enorme embora ele não tenha muito a esconder. Pelo contrário: por motivos que nos são alheios ele decide-nos ajudar sempre que estamos com problemas, é ele que nos conta pontos fundamentais sobre a origem do mundo de FFXIV, uma história ancestral que nos vai fazendo pensar várias vezes sobre os acontecimentos que estão para trás. O resultado é uma história incrível, só possível ao acompanhar o jogo durante todos estes anos, e Emet-Selch torna-se num dos personagens mais surpreendentes do jogo. Ver os créditos faz-nos pensar no que viria a seguir, e mesmo ao saltar para o update mais recente vemos desenvolvimentos, mas ficamos sempre a pensar naqueles últimos momentos passados no "final" de Shadowbringers.

Final Fantasy XIV não seria o que é sem os seus jogadores e, no decorrer deste último ano temos assistido a um aumento saudável de jogadores novos, muitos deles provenientes de outros jogos como World of Warcraft, entre outros. É ótimo pois novos jogadores que queiram conhecer o mundo de FFXIV têm aqui uma boa oportunidade para pegar no jogo, pois assim facilmente encontram outros jogadores com quem partilhar as dungeons e bosses que vão aparecendo. Todas as cidades estão bastante vivas, os próprios cenários têm sempre outros jogadores que se ajudam a progredir nas áreas, tornando o jogo bastante saudável a nível de população. Mas nem tudo correu tão bem como se esperava: surgem duas novas raças, as Viera e os Hrothgar, cada um deles apenas com um sexo e com muito poucas opções de costumisação, tornando-se incompletos ainda hoje com alguns problemas graves. É bom pois temos duas novas raças a habitar o First, mas ao mesmo tempo como jogadores temos algo um bocado despontante, ainda à espera por novas atualizações.


Se há algo que Shadowbringers conseguiu ser foi memorável, uma expansão que, quando anunciada, parecia um episódio filler que nos levava a um mundo novo que em nada tinha a ver com o restante jogo, mas este apresenta-se de tal modo ligado com o que tivemos vindo a assistir com o desenrolar da história que a expansão anterior, Stormblood, fica muito a desejar em comparação. FFXIV está bastante vivo, saudável e mais que recomendável, sendo uma ótima entrada para quem queira explorar um MMORPG. Shadowbringers reforça ainda mais essa recomendação e agora só nos resta esperar, pois esperam-nos ainda 4 grandes updates durante o próximo ano e meio, deixando-nos ansiosos por ver a conclusão deste capítulo!


Nota: Artigo efetuado com base em código final do jogo para PC, adquirido pelo autor.
Final Fantasy XIV: Shadowbringers Final Fantasy XIV: Shadowbringers Reviewed by Nuno Mendes on 18 novembro Rating: 5

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