GRIS


Cinzento. Seria a tradução literal do título deste jogo desenvolvido em Barcelona. No entanto, cinzento será tudo menos aquilo que se leva da experiência.

Jogo de estreia do Nomada Studio, GRIS foi desenvolvido com o intuito de reunir "game developers" experientes juntamente com artistas talentosos de forma a trazer a sua arte ao mundo dos videojogos. Uma aposta certeira, pois o jogo acaba de chegar com grande impacto ao PC (via Steam) e à Nintendo Switch, causado principalmente pela sua extraordinária direção artística. A reação foi praticamente unânime: este é um título especial.


Com uma história abstrata, GRIS apresenta-nos uma protagonista que perdeu a sua voz e todas as suas forças - cada jogador levará daqui a sua interpretação, à medida que a conduz ao longo de uma profunda jornada emocional. Tudo começa cinzento mas, aos poucos, novos sentimentos se vão manifestando, à medida que novas cores vão dando vida a este mundo. É difícil descrever a jornada sem impôr um visão, pelo que me vou abster de o fazer. Direi apenas que pelo meio dos altos e baixos, há momentos de catarse absolutamente extraordinários, sem igual no mundo dos videojogos.

Este é um jogo de plataformas cujo principal foco é a jornada, a viagem emocional. Não há morte ou situações frustrantes de jogabilidade, embora existam desafios opcionais para os jogadores mais aventureiros. Pelo meio, há um grande conjunto de puzzles leves, mas interessantes, onde é possível constatar que a grandiosidade dos níveis não está apenas na sua arte. Os níveis são realmente fascinantes de se explorar, os puzzles e as novas mecânicas apresentam-se de forma natural - intuitiva, até. Não estamos perante um jogo apenas muito bonito, ele está também muito bem feito.

Não é um jogo muito extenso, podendo terminar-se em 3 ou 4 horas. Depois disso, desbloqueia-se o acesso a todos os níveis do jogo, onde será possível tentar resolver os desafios opcionais, alguns deles mesmo muito bem escondidos. Mas não é a longevidade que importa aqui. É, sim, o tempo que o jogo irá ficar na memória de cada um.


Jogar GRIS evoca emoções semelhantes à de títulos como Journey, mesmo sendo uma experiência de jogo totalmente diferente. A arte do catalão Conrad Roset permeia todo o jogo desde o primeiro ao último momento. Parece um exagero mas, praticamente, qualquer que seja o frame apresentado no ecrã daria um magnífico wallpaper. É um jogo visualmente deslumbrante, desde os momentos mais negros aos mais vibrantes da jornada desta personagem.

Mas não é só das ilustrações e animações que isto se trata. A banda sonora, da autoria dos Berlinist, é por vezes subtil e etérea, por vezes completamente arrebatadora. Pontuando na perfeição tudo o que acontece ao longo do jogo, som e imagem tornam-se um só nas emoções que GRIS pretende transmitir.

Poderia isto ser apenas um filme? Nunca seria o mesmo. Os saltos, os mergulhos, os puzzles, a escolha dos caminhos, é a interatividade que faz a diferença. O jogador é a personagem, a jornada é sua. A interpretação também.


GRIS é um jogo indie com uma qualidade extraordinária, desde toda a sua direção artística até à sua jogabilidade. Acima de tudo, é uma experiência memorável que dificilmente será esquecida por quem o jogar. Sem dúvida, um dos melhores jogos lançados neste ano de 2018.

Referências:
Conrad Roset (ilustração) - website | instagram
Berlinist (banda sonora) - website | spotify

Nota: Esta análise foi efetuada com base numa cópia do jogo para a Nintendo Switch adquirida pelo autor do artigo através da Nintendo eShop.
GRIS GRIS Reviewed by Telmo Couto on 17 dezembro Rating: 5

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