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17 de janeiro de 2018

Assassin's Creed Origins


A nova aventura open world da Ubisoft transporta-nos para a região do crescente fértil, local onde se iniciou a civilização como nós a conhecemos. Desta vez o nosso herói é Bayek, um Medjay egípcio, protetor dos residentes na região. Os vilões são uma série de intervenientes na linha principal da história, cujas recorrentes metáforas a animais e a cargos sociais remetem a narrativa para um presente bem vívido.

O rigor histórico mantém-se, sendo já uma marca da saga, que nos força a aprender História sem nós querermos ou darmos conta. As paisagens são demarcadamente populadas pelas plantações de cereais, com os afluentes do Rio Nilo, que têm um papel importante na condução da trama, como o tiveram no desenvolvimento da população na época. Outras figuras incontornáveis serão Cleópatra e Júlio César, fundamentais para a derradeira volta final no jogo.

Claro que era impossível fazer um jogo baseado no Egito que não incluísse as famosas pirâmides de Gizé. Estas podem ser inclusive exploradas, num desafiante segmento de sidequests. As diversas missões exploratórias aos marcos históricos do Egito fazem-nos querer voltar e investigar cada centímetro deste mapa gigantesco, que parece nunca mais acabar.


Em suma, a história está bem conseguida, capaz de nos transportar para a época, parecendo que estamos a assistir a uma série bem realizada e com um bom diretor de fotografia. É cativante e mantém o jogador ansioso por descobrir mais dela.

A principal mecânica incluída neste jogo é a nossa parceira águia, Senu, que está à distância de um botão. Com ela podemos ter uma vista aérea da área e procurar, encontrar e marcar locais de interesse ou objetivos de missões. A Senu, à semelhança da nossa personagem, vai evoluindo ao longo do jogo, com a conquista dos famosos Pontos de Sincronização, marca da série, que facilitam a descoberta de inimigos, marcando-os com o seu nível, animais para caçar e a sua recompensa, tesouros e a sua localização e objetivos das missões. Com o acumular de viewpoints, a nossa águia fica cada vez mais perspicaz e rápida no reconhecimento do terreno, o que nos dá um propósito para, realmente, caçarmos estes pontos estratégicos, ao contrário do que se verificava neste franchise. Bom trabalho neste aspeto, Ubisoft!

O escalonamento do progresso no jogo por níveis também é uma nova adição ao jogo, que ajuda a planear a ordem das missões, atribuindo-lhe um nível recomendado (e advindo daí, uma progressão cronológica). Com este mecanismo, não se limita o caráter exploratório do jogo, sem perder a linha contínua do jogo. Para os jogadores que gostam de maiores desafios, é ainda possível subir o nível de inimigos mais fracos, equiparando-os ao nível do jogador. As missões principais têm uma ordem clara, mas foi uma jogada inteligente para o jogador não se perder nas missões secundárias. Além disso, o jogador sente a necessidade de continuar a evoluir, querendo sempre voltar ao jogo.


Como estamos num mapa com muita água, a nossa personagem pode nadar, à superfície e na profundidade, ou ainda andar de canoa. Os controlos para estes ambientes são intuitivos. Além destes, é possível andar de cavalo, com um padrão que nos permite seguir o caminho da estrada no sentido pretendido. Neste jogo, dá gosto explorar o fundo dos cursos de água, por norma cheios de tesouros e de objetos para “roubar”.

Ainda neste campo, algumas missões incluem dirigir um barco de combate (à semelhança de jogos anteriores do franchise), cujos controlos são precisos, não fazendo com que estas missões sejam aborrecidas ou que removam o jogador da mística e do ambiente até então criado.

Relembrando que estamos num jogo de assassinos que fazem parkour, é possível chegar a qualquer lado utilizando as mecânicas de escalada, que desde o primeiro jogo da franquia cativaram o público.

Um jogo de assassinos tem, obrigatoriamente, de primar a sua faceta de combate. Estamos perante um motor sólido, que nos permite ter duas armas de combate corpo-a-corpo e duas armas à distância, dos mais variados tipos. Além disso, tem uma árvore de habilidades, que ao longo do jogo nos vai permitindo evoluir secções. Numa delas, em particular, podemos desbloquear ferramentas específicas, como dardos tranquilizantes e neurotoxinas que deixam os nossos adversários um pouco confusos, podendo inclusive aliar-se à causa dos Assassinos por breves momentos. Talvez marcado por jogos anteriores da franquia, tentei passar o jogo de modo incógnito, exceto quando estritamente necessário, como por exemplo uma personagem aliada desata à batatada em plena rua e lá o temos de ir salvar. Gostei de ser recompensado pelo combo de assassinatos incógnitos, onde o jogo mostrou valorizar os desafios que o jogador a si incita.


Sem entrar em pormenores, existe uma a árvore de habilidade é constituída por três secções, Guerreiro, Lutador e Observador, podendo o jogador adquirir mais ou menos habilidades de cada secção e pela ordem que quiser. Durante o meu tempo com o jogo, planeei com cuidado as habilidades que gostaria de adquirir e com o evoluir da personagem, fui melhorando as habilidades que mais prazer me davam. Descobri que, no fim, adquiri muitas que não contava mas que me ajudaram a ultrapassar desafios e a manter-me fiel à minha maneira de o jogar.

Uma outra função que já tem vindo a ser verificada noutros jogos semelhantes é a capacidade de tirar fotografias dentro do jogo, colocando algumas fotografias de outros jogadores no sítio onde foram tiradas no mapa in-game. Um pormenor interessante!

Um jogo à larga escala tem sempre uns pequenos glitches visuais interessantes. Não afetando diretamente o jogo, algumas hitboxes não estão definidas na totalidade dos objetos às quais estão afetos, podendo ser possível o nosso cavalo ter a cabeça a atravessar uma parede ou podermos andar no meio de um crocodilo.


Assassin’s Creed Origins é um dos jogos de mundo aberto de referência. Com a sua fidelidade gráfica capaz de suster a respiração aos jogadores, ainda para mais na sua versão para PS4 Pro, o jogo é viciante e incita o jogador a voltar, a fim de explorar todos os metros daquele mundo de fantasia que acaba sempre por nos ensinar um pouco mais de História.

Com as suas quests diárias e de eventos, os jogadores terão razões redobradas para não largarem o comando. Para terminar a história principal, o jogador contará com cerca de 35-40 horas de jogo, facilmente extensíveis para 60-80 se quiserem completar todas as missões secundárias e visitarem todos os pontos de sincronização.

Com este jogo fiquei a saber por que razão se escrevem tantos livros sobre o romance entre Cleópatra e Júlio César, por que razão houve o declínio da primeira grande potência mundial e de que maneira a nossa sociedade contemporânea continua a ser influenciada pelo passado. Assassin’s Creed Origins merece cada minuto que passamos com o jogo, sorvendo toda a cultura egípcia que ele tem para nos oferecer.

Nota: Esta análise foi efetuada com base numa cópia adquirida pelo autor do artigo, para a PlayStation 4.