Neva: Prologue
Este DLC, lançado a 19 de fevereiro de 2026, apresenta-se como um prólogo narrativo que se situa temporalmente antes dos acontecimentos de Neva, mas, curiosamente, foi concebido para ser jogado após o final da campanha original, oferecendo assim uma espécie de sobremesa para quem gostou do prato principal. Novamente com os holofotes apontados naquilo que sempre foi o mais importante, o elo emocional entre Alba e Neva, em Neva: Prologue acompanhamos Alba numa jornada pelas profundezas de terras corrompidas, guiada por um rasto de borboletas brancas que a conduzem a um local esquecido por muitos. É aí que, pela primeira vez, interagimos com a pequena loba e o início da relação começa a dar os primeiros passos.
À medida que vamos progredindo por este prólogo, começamos a ver que o estúdio Nomada continua, de forma segura, por caminhos por onde já passou anteriormente, entregando uma narrativa que é essencialmente visual e emocional, onde os momentos de tranquilidade têm tanta importância quanto os encontros com inimigos. Tal como na experiência original que suporta este DLC, a ausência de diálogos é compensada por imagens, música e eventos "scriptados" que fazem de nós, espetadores privilegiados de um acontecimento que despoleta e define tudo o que aconteceu no jogo original.
Neva foi uma experiência mais ampla, assente em ciclos sazonais que funcionavam como estações do ano e onde havia uma progressão clara, tanto mecânica como emocional. Este Prologue, por sua vez, é obrigatoriamente mais compacto e com uma narrativa mais direta.

No jogo base, a jogabilidade evolui de forma orgânica e progressivamente ganhamos novas possibilidades de interação e combate, existindo um sentimento claro de progressão. Neste DLC não temos nada disso, não há grande evolução estrutural porque isso irá ocorrer, narrativamente, no jogo original. Em vez disso, a aposta é em pequenas variações ambientais e desafios mais concentrados.
Essa concentração apura o combate, pois achei estar mais preciso e até um pouco mais difícil. Uma maneira airosa de rapidamente inteirar do jogador da jogabilidade. O prólogo é mais focado e ligeiramente mais exigente no imediato e essa decisão é compreensível e mete rapidamente o jogador em cima dos acontecimentos cineticamente falando.
Visualmente, Prologue mantém a identidade da casa mãe e ambos partilham a mesmo intuito.
Um mundo pintado à mão onde a natureza é simultaneamente bela e decadente e onde a paleta de cores continua a desempenhar o papel narrativo de afirmar o tom mais leve ou pesado que o jogo vai ter em determinadas partes. Trabalho absolutamente divino, como sempre tem sido. A banda sonora mantém o minimalismo atmosférico que já conhecido e que continua a fazer de espaço negativo, contrastando com os silêncios que costumam fazer-se ouvir neste jogo e trazem consigo grande carga emocional.
Para quem costuma seguir aquilo que escrevo ou falo sobre videojogos não é surpresa a minha opinião sobre Neva. Foi o meu GOTY de 2024 e estoicamente mantenho essa minha opinião. Este Prologue, apesar de achar que estaria melhor como episódio "standalone" do que como DLC do próprio jogo, justifica plenamente a sua compra, mantém a linhagem prístina e faz lembrar o bom que é regressar a esta criação sublime do estúdio espanhol Nomada.
Temos o combate (melhorado neste DLC), os puzzles e o "platforming" que fizeram brilhar Neva em 2024 durante mais 2 horas de jogo e mantém o contar de história a que este estúdio já nos habituou a um preço bastante acessível.
Nada mais a declarar a não ser o seguinte... joguem Neva, comprem o Prologue e sejam felizes.


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