Forza Horizon 6


Não é todos os dias que me empolgo com um simulador de condução. Sim, cresci com o lançamento de Gran Turismo na PlayStation em 1998, tal como a sequela dois anos depois, que muito joguei a sua demo, num daqueles CDs "totalmente" pretos que acompanhavam as revistas da altura. Apesar disso nunca foi, nem continua a ser, um estilo de jogo que me atrai… exceto, quando há algo fundamental que me puxe e nisso sou fácil: convidam-me para umas voltas no Japão agora com Forza Horizon 6, e estive logo lá batido!


Recuo um pouco, até porque ao longo dos tempos fui experimentando um ou outro Forza Horizon e foram jogos onde me diverti. Isto porque eles se afastam, em parte, dos Forza Motorport ao trazerem uma sensação de condução mais arcade, com foco nas corridas rápidas em extensos mapas, ou desafios que duram breves minutos, e não tanto as partidas em circuitos fechados onde é o fine-tuning minuciosamente detalhado do nosso veículo, que nos abre caminho para a vitória. Forza Horizon sempre apostou numa corrida mais casual, desafiante pela exigência das pistas ou cenários, aliados a uma condução onde tudo conta, cada curva, cada reta a dar o máximo possível, cada ultrapassagem sem embates, para não reduzir a velocidade.

Depois da sua passagem pela Austrália, Grã-Bretanha e pela zona do México, nos últimos três Forza Horizon, viajamos para aquele que é, talvez, das regiões mais pedidas pelos fãs: o Japão. E que bela viagem aqui temos! Um mapa gigantesco a explorar, onde me perdia facilmente em tudo o que era estrada, conduzindo pelo simples bel-prazer de andar por aquela região, ao som de boa música. Das grandes planícies com pequenas vilas, às estradas com curvas apertadas montanha fora, da zona cheia de neve às enormes praias, tudo recriou o Japão na perfeição. A grande malha urbana de Tóquio é o grande centro que tantas vezes cruzava, porque todas as estradas pareciam lá chegar, embora que pessoalmente gostasse que a cidade fosse ainda mais extensa. A própria transição entre biomas é natural, realista, o que por muitas vezes me levou a simplesmente "passear" pelo mapa à procura de coisas, e simplesmente conduzir por aqueles cenários foi uma boa experiência. Mesmo os locais de festival, os estádios transformados em autênticos circuitos, em nada destoam com o resto da região, que procura estar o mais fiel possível à realidade, sem a copiar tal e qual.


Mas, tudo está tão bem representado, as longas autoestradas em que via sempre Tóquio ao longe, ou ainda mais afastado o icónico Monte Fuji bem ao longe, parecia mesmo estar a viajar por lá, nesta representação do país mais famoso (e quem sabe, adorado) da Ásia. E tudo isto ao som de rádios que absorvem a cultura nipónica, com bastantes músicas japonesas, onde passei longas horas a ouvir Gacha City Radio, e todo o conjunto de músicas J-pop, e não só. Aqui a Playground Games juntamente com a Turn 10 estão de muitos parabéns, pois souberam absorver e apresentar a cultura japonesa perfeitamente, respeitando-a muita tal como a região em si, onde talvez só sinta a falta de algum Eurobeat, muito por causa da bem conhecida série de animação Initial D. Shibuya está brilhante, todas as ruas que nos levam lá estão detalhadas, mesmo aquelas apertadas onde não é suposto passarem carros, cortando caminho entre os muito característicos prédios que vêm sempre que um jogo se passa no Japão.

Porque até aqui eles souberam espelhar bem a cultura da condução japonesa! A qualquer momento partíamos para mais uma corrida, onde bastava chegar e partir, escolhendo o carro ideal para o efeito. As corridas Touge (ou Tōge), corridas de rua que Inital D sempre tão bem representou tem o seu devido destaque em Forza Horizon 6, colocando-nos numa corrida contra adversários que colocavam toda a nossa perícia à prova, muitas vezes por estradas montanhosas, recheadas de curvas e perigos. E, sim, podem as fazer ao volante de um Toyota Sprinter Trueno GT Apex, se quiserem simular ainda mais as corridas da mítica série de animação.


São muitos os veículos a colecionar, algumas centenas para ir comprando (sem exageros, o dinheiro não se ganha facilmente aqui) ou simplesmente ganhando. Podemos refinar cada um dos veículos ao nosso gosto, onde aqui ainda explorei aqueles detalhes de simulação que nunca foram a minha praia, e que nem eram bem necessários, mas por vezes queria melhorar um ou outro ponto dos carros que tinha em mãos. Há de tudo, dos carros mais citadinos aos grandes topos de gama desportivos, dos veículos a todo-o-terreno de diferentes tamanhos para gostos distintos. Sobre todos eles encontramos uma progressão, pequenas habilidades que vamos desbloqueando que nos dá pontos de experiência extra, pontuações nas atividades, entre outras coisas que nos recompensam bem pela nossa condução.

Acreditem, são mesmo muitas as coisas que pude fazer Japão fora, troços de estrada que testavam a minha velocidade, zonas de drift para pontuar, saltos radicais que levou o meu carro a voar entre montanhas, radares para tentar quebrar recordes de velocidade. Isto além dos habituais circuitos ditos normais, pistas que exploram bem o mapa, pistas de drag onde ganha quem tiver melhor aceleração ou velocidade de ponta, sessões de contrarrelógio para obter o melhor tempo, circuitos de rally com terrenos incertos… Muita, mas muita coisa sempre a acontecer, ao ponto que muitas vezes sentia estar mais num RPG de mundo aberto repleto de missões secundárias, onde facilmente me distraía com diferentes coisas que apareciam no mapa, esquecendo-me do que ia fazer.


Há também muita condução tranquila, pequenos momentos para mostrar alguns truques, sessões relaxantes de condução calma para ficar a conhecer melhor a região do Japão e a sua cultura, até mesmo missões de entrega de comida! Também pelo mapa temos várias mascotes para atropelar encontrar, placas para destruir e muita, mas mesmo muita estrada para descobrir. E aqui, tal como em muitos outros desafios surgia sempre a pontuação, ou a quantidade de coisas que os nossos amigos já haviam feito. Constantemente o jogo congratulou-me por fazer determinadas coisas, apenas para em seguida mostrar que alguém entre os amigos já havia feito mais, ou melhor, onde aqui como exemplo aponto o dedo ao David Fialho (Echo Boomer) que me estava sempre a aparecer quando havia feito algo, numa espécie de bullying que me levava a tentar derrotar a sua "pontuação", só para depois ver a minha prestação novamente destruída por alguém, o que honestamente: dá pica!

E, sim, à semelhança de outros jogos da série, os nossos amigos "aparecem" em tudo o que é corrida, veículos conduzidos pelo jogo, mas que pedem emprestado o nome daqueles que conhecemos, resultando num jogo bastante social mesmo que não estejamos constantemente lá presentes. São muitas as atividades disponíveis para enfrentar outros jogadores, e a qualquer momento podemos desafiar quem se cruza na estrada connosco, ou mesmo antes disso, combinar umas boas sessões com amigos ou rivais, para umas partidas. Há ainda uma valorização pelo que fazemos no jogo, os eventos que criamos, disponíveis para o público, a zona no mapa que podemos construir o que nos apetecer, os designs para os veículos que podemos personalizar com vinis e pinturas, que se forem populares recebemos créditos para recompensar a nossa criatividade.


É incrível a quantidade de horas que depositei no jogo sem que desse conta do tempo a passar. Nunca em ponto algum senti que estava a ser repetitivo, todos os circuitos, todos os desafios exploravam coisas diferentes, em regiões diferentes de um mapa tão rico em detalhe, como apresenta uma diversidade de cenário tão rico como o detalhe em todos os pontos. Isto entre as diferentes estações, pois não podia ser um jogo no Japão, sem as paisagens cobertas pelas cerejeiras nos seus bem conhecidos tons de rosa. E nem fiz tudo, há todo um modo de construção onde tinha à disposição um enorme mapa para construir o que me apetecer (por assim dizer), que honestamente ignorei grande parte do tempo que passei com o jogo, mas ainda hei de criar ali uma pequena vila cheia de pistas. Podemos ainda criar circuitos, eventos que referi ainda há pouco, que podemos pegar no mapa do jogo e colocar os mais diversos itens para tornar as estradas bem diferentes das que o jogo oferece, para depois desafiar os restantes jogadores. Com tanta coisa que pude fazer no jogo, era muito fácil distrair, sendo difícil é largar o comando num jogo que soube respeitar o meu tempo, apesar de eu estar totalmente agarrado.

Tudo se resume a uma coisa: o jogo é divertido que dói! A sensação de condução está excelente, mesmo sendo um jogo mais arcade, mais "Need For Speed" e menos Forza Motorsport ou Gran Turismo, há uma sensação mecânica, real na condução dos carros, onde aprendia a conduzir mais e melhor, quase como se me ajustasse à personalidade de cada veículo, por assim dizer. É um jogo físico, bem físico, onde todos os toques dados aos adversários contam, onde queremos evitar raspar as paredes ou galgar passeios, apesar do nosso carro ser indestrutível, ou não parecer ser afetado pelo que lhe acontece. Os drifts apertados têm de ser calculados, a nossa reação conta e a minha atenção a tudo era constantemente colocada em prova. Tanto eu adaptei-me à condução como o jogo se adaptava a mim, com um sistema de dificuldade que sugeria ser aumentava se eu estivesse a ganhar muito, como me baixava a mesma quando perdia vezes seguidas. Mesmo para aqueles que não estão tão confortáveis com simuladores, ou jogos de corrida em geral, o jogo é extremamente acessível, com controlos simples e o poder rebobinar a qualquer momento, sem consequências. Além disso, é um título localizado em português, tanto de Portugal como do Brasil, sendo fácil para qualquer jogador, de qualquer idade entre as recomendadas, pegarem no jogo!


E tudo isto aliado a um belo sistema de progressão, onde tanto avancei no jogo ao descobrir mais sobre a região, como a progressão normal foi feita através de pulseiras que definiam o meu rank. Ao fazer tudo para subir de rank era recompensado com um grande evento de festival onde aconteciam sempre os momentos mais emocionantes da condução, apesar que aquele que foi dos momentos que me marcaram no jogo foi logo num dos festivais iniciais, numa corrida contra um, bem, vamos chamar de veículo. Ao subir de rank ganhava uma nova pulseira, que desbloqueava novos circuitos, atividades e até zonas inacessíveis, levando-me a explorar ainda mais o mapa. Tudo facilitava ao adquirir casas espalhadas pelo mapa, cuja principal função para mim, foi poderem servir de teletransporte, para rapidamente ir para desafios ou novos circuitos, que surgiam em locais distantes no mapa.

Com isto traço também um convite: se porventura o tema do Japão fascina-vos imenso, e até gostam de jogos de condução, mas os simuladores de corrida não vos atraem, dêm mesmo uma oportunidade a Forza Horizon 6. É a entrada mais acessível ao género que me vem à memória, é divertido com imenso para fazer, e podem ter grandes corridas a cortar Tóquio dentro ao som de bandas como Creepy Nuts, KANA-BOOM, a bem conhecida Utada Hikaru, YOASOBI, ou se preferirem algo mais puxado, podem contar com Babymetal para umas batidas mais fortes. E podem-no fazer ao volante de bons carros japoneses, embora como sou alguém de hábitos fortes, não consegui dizer que não aos meus Lamborghini de eleição.


Forza Horizon 6 foi uma excelente surpresa, apesar de saber do quão bem aclamados eram os jogos da série, não contava ficar tão agarrado ao jogo como fiquei. É condução pura, num jogo puramente divertido com uma enorme quantidade de coisas que podem fazer. Seja jogando a sós, cruzando-se com outros jogadores que estejam a passear por este Japão, seja a sessões com amigos há mesmo muito para fazer. E ainda mais para desbloquear, convidando-nos sempre a fazer "só mais uma coisa", que quando damos por ela já passamos umas valentes horas agarrados ao volante!


Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Xbox Series X|S, gentilmente cedido pela Xbox, via Asesores.

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