Monster Hunter: World


"Será que é desta que Monster Hunter pega no Ocidente?" De tantas vezes ouvir esta pergunta a cada nova geração da série, habituei-me à ideia de que Monster Hunter nunca haveria de mudar muito. As mudanças foram-se notando, a preocupação com a acessibilidade também. Mas nunca as coisas haviam mudado tanto como agora: mais do que o grafismo ou as criaturas, mudou a experiência de jogo. Bem-vindos ao novo mundo de Monster Hunter: World!


Desenvolvido ao longo de 4 anos para a PlayStation 4 e Xbox One, este Monster Hunter: World é a prova de que a Capcom tem estado atenta às maiores dificuldades de aceitação da franquia no Ocidente. Não é que tenha sido propriamente um fracasso até agora, simplesmente nunca atingiu os loucos níveis de popularidade observados no Japão. Qual o motivo? O tremendo volume de informação a absorver para se aprender a jogar, o "grind" sem fim para se progredir na aventura e subir de rank, os menus complicados, etc. - fatores não faltam.

Desta vez, optaram por simplificar e focar tudo naquilo que efetivamente vende o jogo: caçar monstros. A maior diferença que os veteranos da série irão notar é que agora não é preciso uma picareta para recolher pedras ou uma rede para apanhar insectos; basta ir recolhendo os ingredientes para os combinar automaticamente em artigos melhores; é possível ver no ferreiro a árvore completa de upgrades para qualquer arma e adicionar a uma wishlist os itens em falta... Os novos jogadores nunca sentirão o impacto destas melhorias.

Neste jogo, somos um novo caçador que partiu em direção ao Novo Mundo, com o objetivo de estudar a migração dos Dragões Ancestrais. Logo no início, deparámo-nos com o colossal Zorah Magdaros, o mais recente a dirigir-se para este continente. Astera é a cidade que nos acolhe e funciona como o hub central para jogo, de onde partimos para as nossas missões a solo ou online. Ao contrário do que acontecia em jogos anteriores, agora é possível jogar quase todo o conteúdo em qualquer um destes modos - apenas algumas missões que avançam a história irão obrigar a jogar sozinho. A transição é simples: ou iniciamos sessão e temos até 16 jogadores na cidade, ou fechamos e voltamos a estar sozinhos. É possível criar e procurar sessões com requisitos específicos, como por exemplo apenas jogadores novatos ou apenas experientes. Tudo isto com a possibilidade de comunicação por voz que, convenhamos, dá imenso jeito para as caçadas.



Sejam lobos solitários ou prefiram caçar em grupo, terão sempre de se preparar antes de fazer uma missão. Melhorar o equipamento, ou trocar por um mais adequado ao cenário e criaturas que nele se podem encontrar, verificar o stock de poções e armadilhas e visitar o restaurante para uma refeição que vos melhore algumas estatísticas. Os menus são bastante detalhados e, na sua maioria, bastante explícitos, embora nem sempre de fácil leitura devido ao tamanho do tipo de letra. Feitos os preparativos, é tempo de deixar Astera e partir para uma das regiões disponíveis, seja para realizar as missões ou para seguir em expedição. Esta última opção é uma espécie de modo livre, sem tempo limite, ideal para explorar as diferentes zonas e recolher diversos recursos. Já as missões terão objetivos definidos, que quase sempre implicam defrontar os monstros.

Apesar de enormes diferenças neste jogo, tudo continua bastante familiar. Ao visitar uma região, deixamos de ter loadings entre as diferentes áreas, num impressionante mundo aberto cheio de detalhes e segredos para descobrir. Isto significa que, se um monstro nos fugir, poderemos simplesmente seguir em perseguição e até seguir as suas pegadas - os monstros deixaram de se "teleportar" para pontos distantes no mapa. Para nos ajudar, temos uma espécie de insectos luminosos que vão acendendo pontos de interesse, como recursos para apanhar, ou até mesmo servir de GPS para qualquer ponto que decidamos assinalar, incluindo a localização de um monstro. Por um lado, podemos alegar que isto é uma forma de "estupidificar" o jogo, anulando a necessidade de exploração. Por outro lado, também é inegável que é uma funcionalidade extremamente conveniente. Podemos até marcar outro jogador como referência para o tal "GPS", permitindo-nos ir ter mais rapidamente com alguém que esteja a precisar de ajuda.

Há seis regiões diferentes para explorar e cada uma tem o seu próprio ecossistema, algo que a série sempre tentou recriar fielmente mas agora atinge um novo patamar. É fácil encontrar uma série de interações entre diferentes criaturas, podemos até estudá-las e utilizá-las a nosso favor, como monstros rivais que podem distrair aquele que estamos a combater, dando uma boa pausa para curar. Eventualmente o outro também poderá ser um problema com que teremos de lidar... é assim um mundo onde o Homem não está no topo da cadeia alimentar. O melhor da série sempre foi observar e aprender o comportamento dos diferentes monstros, sentir a evolução à medida que cada combate contra a mesma criatura vai ficando mais fácil. Tudo isso continua presente e agora com muito mais profundidade.


Morre-se muito, sim. Especialmente à medida que se vai subindo de rank, as missões vão ficando cada vez mais difíceis com monstros mais poderosos no terreno e não só aqueles que precisamos de matar para o sucesso. É necessário ter uma boa estratégia, mas nada feito se não tivermos bom equipamento. É aqui que entram as expedições e a repetição de missões, matar o mesmo monstro repetidamente até se conseguir uma boa armadura com as caraterísticas ideais para combater o tal outro monstro que ainda não conseguimos passar. Se é para repetir missões, nada como ir ajudar alguém que tenha enviado um pedido de SOS para a Internet, à procura de jogadores para conseguir completar a sua missão - não só ajudamos alguém como também recebemos as recompensas. Pois é, neste jogo é possível entrar a meio de uma missão onde ainda haja espaço para jogadores. Desde que não tenha sido mesmo perto do final, o último a entrar tem tanto direito a recompensas como os restantes.

Terminada uma missão,  regressa-se a Astera e assim se completa um ciclo. Está na hora de visitar o ferreiro, verificar o inventário, escolher a próxima missão. Um ciclo quase sem fim, devido ao imenso "replay value" que se ganha tanto pelo "grinding" como pela diversão de jogar em equipa, online, e ajudar outros jogadores. Jogabilidade a ficar repetitiva? Nada como experimentar uma nova arma e tentar dominá-la. Por enquanto, fico-me com o bom velho SwitchAxe.

Escusado será dizer que, visualmente, este é o jogo mais bonito da série até hoje - especialmente porque sucede a Monster Hunter Generations na 3DS, jogo esse que teve direito a uma versão "definitiva" para a Nintendo Switch mas não chegou a ser editado no Ocidente. É um jogo que está à altura dos standards da geração atual de consolas, que impressiona especialmente pela qualidade (e tamanho) dos monstros, com excelentes animações que fazem deste um mundo rico e realista como nunca antes visto. Um aspeto importante a referir é a localização, que inclui legendas em Português do Brasil mas cuja tradução, especialmente ao nível dos nomes de itens e monstros, é bastante dúbia, sendo assim preferível jogar com legendas em Inglês.


Haveria imenso para dizer acerca deste jogo, especialmente sendo o mais recente de uma saga que acompanho há quase uma década. A lista de melhorias que fui encontrando é enorme, mas a maioria delas resumem-se a mais qualidade de vida para o jogador. O que já era bom, entretanto, ficou ainda melhor: perseguir os monstros, dominá-los e arrasá-los. Épico! A maioria deles são novos, mas obviamente alguns favoritos também estão de regresso, como a dupla Rathian e Rathalos, por exemplo.

Monster Hunter: World é um grande avanço para a série, uma melhoria que há muito os fãs pediam e mereciam. Um mundo rico, detalhado e empolgante para descobrir num jogo que efetivamente sabe a novo, graças a uma reinvenção da saga que soube focar-se naquilo em que sempre foi a melhor. Caçar monstros nunca mais será a mesma coisa depois disto!

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela Ecoplay.
Monster Hunter: World Monster Hunter: World Reviewed by Telmo Couto on 02 fevereiro Rating: 5

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