Future Knight

TUTO TUTO TUUTO TUTORIALE!!! É isto que tenho a dizer já assim de rajada sobre Future Knight - El caballero del futuro (leiam isto mesmo com aquele sotaque espanholão fortíssimo). Mais! Poderia começar por dizer que este é mais um jogo que saiu das furnas do magnífico estúdio espanhol Studio Koba, que desenvolveu o Narita Boy e o Haneda Girl (ambos fantásticos!), cada um com os seus próprios méritos.

Poderia também referir de imediato que este jogo saiu no dia 13 de agosto de 2026 para tudo o que é plataforma... MAS NÃO... até antes sequer de passar para a parte mais opinativa desta análise, temos de comtemplar coletivamente o tutorial deste jogo. É imperativo fazê-lo porque a música do tutorial de Future Knight não me sai da cabeça... Já fui ao MEO Kalorama, já vim, ouvi Deftones, ouvi Turnstile (UAU!), mas mesmo assim ela resiste estoicamente na minha caixinha dos pirolitos.

Deixo aqui esta obra de arte criada por Salvinsky, que teve a seu cargo, há uns anos, a OST de Narita Boy:

Pronto! Penso que já exorcizei este demónio que tinha no corpo... siga!

Desenvolvido através de uma colaboração entre o Studio Koba e a Aeternum Game Studios, Future Knight recupera uma memória que muitos de nós (mais os gen X do que outra coisa...) já tínhamos arrumado na caixinha do antigamente mesmo antigo... os velhinhos jogos electrónicos LCD. Aqueles pequenos aparelhos portáteis com personagens desenhadas a preto, fundos estáticos e uma jogabilidade tão simples quanto viciante, pelo menos naquela altura... agora se calhar nem tanto.

E qual a premissa de Future Knight? Deixa-me respirar fundo...

Alguém decidiu apagar a memória coletiva da espécie humana. A responsável por isso é a Senhora do Passado, líder da seita piramidal chamada “Presente”.
Para impedir esta catástrofe surge Future Knight, um robot construído ao longo de trinta anos a partir dos restos de um actor de telenovelas dos anos 90. Esta premissa, por si só, parece-me suficiente para sustentar um jogo inteiro. Mas há mais... a missão é simples; viajar para o passado, oito horas antes do apocalipse, e impedir que a Senhora do Passado complete o seu plano.

Explicar mais do que isto parece estar extrapolar em demasia, pois o jogo também nunca tenta justificar demasiado aquilo que está a acontecer. A narrativa não pretende ser levada demasiado a sério, ainda para mais quando o humor que existe dentro dela é absurdo, negro e frequentemente surreal. 

Vamos às mecânicas! Future Knight é a soma de tudo aquilo que o Studio Koba nos apresentou desde o início da sua conceção até à data. A base é relativamente simples... avançar pelos níveis, eliminar inimigos, ultrapassar obstáculos e chegar aos inevitáveis confrontos contra os bosses finais de cada nível.

Dentro do nosso Future Knight vive Two More, um tumor benigno com vida própria e capacidades bastante bem mais úteis do que aquilo que a palavra “tumor” normalmente nos faria esperar. E é na simbiose entre estas duas personagens que vive a mecânica principal do jogo que é a possibilidade de alternar entre Future Knight e Two More a qualquer momento.

Future Knight é a personagem mais poderosa e está equipada com um Techno Blaster e ataques corpo a corpo. Two More é precisamente o seu oposto: pequeno, rápido e muito mais ágil, consegue efetuar dashes, trepar determinadas superfícies e alcançar zonas onde Future Knight simplesmente não consegue chegar. A troca constante entre os dois não serve apenas para ultrapassar obstáculos, é igualmente fundamental durante os combates.

Quem jogou Haneda Girl (também lançado pelo Studio Koba), olhou para este Future Knight e usou meio dedo de testa, certamente se apercebeu que a jogabilidade de ambos é muito semelhante. Os mais corajosos até poderão dizer que é quase um trabalhinho cosmético daqueles bem ardilosos, mas apesar das óbvias semelhanças e particularidades existem diferenças fundamentais entre eles. Future Knight aposta menos na precisão e mais na componente shooter, não exige do jogador tanta precisão e técnica e apresenta uma mobilidade mais acessível. 

Não creio que seja uma simples repetição de Haneda Girl, é antes uma adaptação de uma ideia já experimentada e adaptada a este universo.

O trabalho artístico do Studio Koba é uma das características que salta mais à vista neste estúdio. Em Narita Boy e Haneda Girl, o estúdio já tinha demonstrado uma enorme capacidade para criar universos visuais fortes e reconhecíveis. Em Future Knight, essa identidade é levada para um campo um pouco diferente a nível estético, mas que resulta tão bem como das outras vezes. Conseguir manter a aparência de um jogo LCD enquanto são introduzidas animações fluídas e combate frenético sem parecer um borrão no ecrã é um feito em si próprio e ter personalidade para dar e vender é tarefa que não é fácil.

Falando em personalidade, temos de falar sobre a banda sonora. Eu já toquei no assunto logo no início desta análise enaltecendo a música do tutorial, mas toda a OST é uma experiência estranha, deliciosa, cheia de pequenas surpresas auditivas que completam a 100% toda a vibe criada, quer visual, quer de jogabilidade. É uma banda sonora energética, estranha e perfeitamente alinhada com o jogo.

Deixo aqui o link, a quem possa interessar.

Future Knight pega na fórmula usada em Haneda Girl, reduz a dificuldade do platforming e centra-se numa jogabilidade mais acessível. Assente numa arte visual muito bem conseguida e numa parede de som tão divertida como imprevisível é no combate que perde um pouco o gás, mas apenas e só porque joguei o fantástico e quase perfeito Haneda Girl e não consigo evitar traçar as malvadas das comparações.

Nada que meta em xeque este jogo que até tem uma construção de mundo interessante e personagens cativantes e que ficam na memória.

Future Knight saiu no dia 13 de agosto de 2026 para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC.

Nota: Análise efetuada com base no código final do jogo para PC, gentilmente cedido por Aeternum Game Studios, via Keymailer.

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