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6 de julho de 2018

Crash Bandicoot: N. Sane Trilogy


Quem não se lembra do bom velho Crash? Quando surgiu em 1996, apresentava-se como a mascote da PlayStation, o equivalente ao Mario e Sonic para a então poderosa consola da Sony. Quis o mundo dos negócios que tal conceito não durasse muito, com a chegada da mascote à GameBoy Advance em 2001, mas a realidade é que para sempre os primeiros títulos se tornaram sinónimo de "PlayStation". A velhinha PlayStation.

Em 2017 assistimos ao regresso de Crash Bandicoot à casa mãe, agora sob a forma de remake para a PlayStation 4 com uma exclusividade que se revelou temporária. Um ano depois, eis que a mascote chega à Nintendo Switch, Xbox One e PC!


Nesta "N. Sane Trilogy", podemos contar com os três primeiros títulos da saga: Crash Bandicoot, Crash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back e Crash Bandicoot: Warped. Além disso, foram incluídos dois níveis bónus que não constavam dos originais. "Stormy Ascent" vem como bónus do primeiro jogo da série e é considerado um dos mais difíceis da trilogia, tendo sido cortado do jogo original precisamente pela sua dificuldade. Já "Future Tense" é um nível completamente novo, criado para esta trilogia, que vem incluído na secção relativa ao terceiro jogo.

O primeiro jogo é o mais difícil dos três, o que em retrospetiva mostra algum receio em alienar os jogadores com uma dificuldade demasiado elevada (ainda não havia Dark Souls!), mas também que o game design se foi tornando mais cuidado de jogo para jogo. Muita da dificuldade em Crash Bandicoot relaciona-se com questões de perspetiva e saltos muito exigentes, mas nada que vá ser considerado demasiado frustrante. É o clássico design de jogos de plataformas que obrigam a ir aprendendo com os erros e repetir os níveis as vezes necessárias até os conseguir passar.

Os jogos transparecem as suas influências, especialmente em séries como Donkey Kong Country, mas também foram bem sucedidos em criar uma identidade própria e que ainda hoje é reconhecida. Estes remakes, embora generosos visualmente, mantêm-se muito fiéis à arte original em vez de cair na tentação de tornar tudo mais realista em detrimento da sua identidade. Nesta versão para a Nintendo Switch, o grafismo é visivelmente inferior ao da versão PS4, com modelos e texturas mais simples, um sacrifício que assegurou a manutenção de um framerate sólido nos 30fps.


Considerando o seu preço de lançamento, Crash Bandicoot: N. Sane Trilogy é um jogo muito fácil de recomendar aos fãs de jogos de plataformas, especialmente os nostálgicos da primeira PlayStation. A jogabilidade mostra a sua idade e até mesmo a ingenuidade de um tempo mais simples, mas continua a ser muito bom passar algum tempo com o velho Crash. Mesmo tendo jogado há um ano o lançamento original na PS4, foi um prazer voltar a este título, agora na Nintendo Switch.

Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Ecoplay.