Notícias

Análises

27 de fevereiro de 2018

Sword Art Online: Fatal Bullet


De todas as séries de animé que podem ser adaptadas a videojogos, poucas parecem mais apropriadas do que Sword Art Online, uma animação na qual as personagens se encontram dentro de um jogo em Realidade Virtual. Isso mesmo, este é um videojogo sobre uma série que, por sua vez, é sobre um videojogo. Na prática, é um videojogo no qual as personagens estão a jogar um jogo.

Acompanhem-me. Sword Art Online: Fatal Bullet, o jogo em análise, é baseado no terceiro jogo fictício representado em Sword Art Online (SAO), o animé, sendo esse jogo conhecido como Gun Gale Online (GGO). O jogo começa com a criação de uma personagem que será o avatar do protagonista, portanto não necessariamente o nosso avatar. Para facilitar, vamos assumir que o nosso mundo real é o de SAO e, por isso, estamos mesmo a criar o nosso avatar. Dentro do jogo, iremos interagir com muitas personagens que também estão a jogar, pois GGO é um VRMMORPG - Virtual Reality Massively Online Role-Playing Game.


Somos trazidos ao jogo por uma amiga que está à procura de um item raro e nos convence a experimentar. Após um extenso tutorial, ocorre um pequeno percalço e somos nós a encontrar tal item. Com esta sorte no jogo, quem não ficaria logo viciado? A recompensa era, afinal, uma NPC companheira controlada por Inteligência Artificial conhecida como ArFA-sys. Isto chama a atenção de alguns dos melhores jogadores e ajuda a fazer algumas amizades, que prontamente nos atiram para mais um extenso tutorial: agora vamos ficar a conhecer a cidade, todas as lojas e quase todos os personagens. Tendo visto apenas a primeira temporada de SAO, não cheguei à parte representada neste jogo, mas espero que no animé as personagens não tenham de passar pelo calvário deste extenuante tutorial. Ninguém merece.

Com a companhia de uma IA tão avançada, atraímos a atenção de todo o tipo de jogadores, tanto os que nos querem como aliados para poder usufruir das suas capacidades, como os mais reles que a querem tirar da nossa posse a qualquer custo. Afinal, apesar de ter emoções e personalidade, não deixa de ser um item e que só existe dentro do GGO. Também há outros jogadores que, na realidade, ou seja em SAO, são inteligências artificiais a quem os seus donos criaram uma conta no GGO como se fossem jogadores a sério. Supostamente vai contra as regras e podem ser banidos caso sejam descobertos. Os personagens falam imenso. Mal sabem eles que, do meu ponto de vista, são todos NPCs a correr na minha PlayStation. Mwahaha! Adiante.


Após o que pareceu uma eternidade de tutoriais e conversa a explicar os conceitos do mundo de jogo (garantidamente mais de duas horas), lá vamos finalmente para a primeira missão no terreno. Agora sim começamos a ter alguma liberdade. O jogo é um RPG inteiramente baseado num sistema de quests e oferece várias áreas para explorar à medida que avançamos na história. Podemos utilizar o fast travel livremente para chegar a zonas previamente visitadas mas, sempre que a nossa party é derrotada, regressamos à cidade principal, onde poderemos recuperar e fazer os upgrades necessários.

Curiosamente, a jogabilidade é muito mais simples do que parece. Este é um third-person shooter onde temos a câmara convenientemente colocada atrás da personagem e um sistema de mira semi-automática que se foca nos inimigos enquanto nos deslocamos. A movimentação das personagens, porém, é um pouco atabalhoada, especialmente nos saltos e ao esquivar de ataques. No terreno, temos uma equipa de até 4 personagens e podemos dar instruções táticas aos nossos companheiros, como reunir junto ao líder ou focarem-se em curar, por exemplo. Queria dizer que as batalhas são frenéticas, pois pode haver muita coisa a acontecer, mas nunca se tornam muito interessantes, mesmo com muitos inimigos em simultâneo. O combate não é gratificante. Mesmo os bosses acabam por funcionar como os restantes inimigos: disparar, desviar, ir curando os companheiros de equipa até que se acabe o HP. Mas se isso é algo que se possa dizer sobre muitos jogos do género, então o que falhou? Falta principalmente polimento e algum entusiasmo.

Visualmente, o jogo é competente e não apresenta grandes problemas de fluidez. As personagens, como esperado, têm um estilo animé, mas os cenários são bastante genéricos e pouco detalhados. A banda sonora é completamente indiferente, embora as vozes, completamente em japonês, estejam óptimas. A história, embora não a tenha ainda terminado, começa enfadonha e assim continua: falam, falam, falam... Embora nada (além do tutorial) seja terrível, o jogo também nunca se revela particularmente bom.


Sword Art Online: Fatal Bullet é uma recomendação difícil a quem não for fã da série e especialmente a saga Gun Gale Online, público que naturalmente irá tolerar e até compreender algumas das falhas deste título. Longe de ser uma ofensa para o mundo dos videojogos, também não faz o mínimo esforço por agarrar um jogador que não venha já bastante investido em entrar neste universo.
Nota: Esta análise foi efetuada com base em código final do jogo para a PlayStation 4, gentilmente cedido pela Bandai Namco Entertainment.